Um processo de 48 dias enfrenta a pressão das datas de estreia
O Conselho Central de Certificação Cinematográfica (CBFC) estabelece um prazo total de certificação de 48 dias, incluindo sete dias para analisar os pedidos, 15 dias para constituir uma comissão de avaliação e 10 dias para examinar os cortes. Para os cineastas que já reservaram salas e assumiram compromissos publicitários, a incerteza durante este processo pode afetar tanto a data de estreia de um filme como a eficácia com que chega ao público.
Índice
- Um processo de 48 dias enfrenta a pressão das datas de estreia
- O que diz o calendário publicado pelo conselho
- Por que razão foi retirado o Tatkal
- O caso de The India Story mostra como os atrasos se podem propagar
- A aprovação dos trailers é uma pressão comercial à parte
- Os filmes regionais enfrentam uma escolha entre custos e prazos
- As alegações sobre a análise e a fila de espera continuam em discussão
- Os custos de acessibilidade acrescentam outro encargo
- O que os produtores podem esperar agora
- Pontos principais
A retirada da via de certificação Tatkal, mediante pagamento, veio acentuar estas preocupações. Introduzido a 15 de março de 2024, o sistema permitia aos produtores obter a certificação num prazo anunciado de 10 a 15 dias, em comparação com 30 a 40 dias pelo processo normal. Os pedidos Tatkal já apresentados continuarão a ser processados, mas deixaram de ser aceites novos pedidos.
A mudança elimina um serviço premium que alguns cineastas regionais e independentes tinham dificuldade em pagar. Elimina também uma opção de recurso para produções cujas datas de estreia se aproximavam. Segundo relatos, as autoridades garantiram aos produtores que a certificação demorará cerca de 20 a 25 dias, um prazo inferior tanto ao intervalo indicado para o processamento normal como ao total publicado no site do conselho.
Estes diferentes valores estão no centro da controvérsia. Os produtores precisam de saber quanto tempo devem reservar para a avaliação, as alterações solicitadas e a emissão do certificado final. As queixas não se limitam aos filmes concluídos: abrangem também teasers e trailers, cuja aprovação tardia pode reduzir o tempo disponível para conquistar público antes do dia da estreia.
O que diz o calendário publicado pelo conselho
A página do CBFC sobre o processo de certificação cinematográfica apresenta sete etapas. O calendário é atribuído à Regra 41 e estabelece um prazo total de 48 dias. A página indica que os pedidos são submetidos online, através do eCinepramaan, mediante o pagamento das taxas exigidas e com correções caso os responsáveis identifiquem problemas.
- Análise do pedido: sete dias.
- Constituição da comissão de avaliação: 15 dias.
- Envio do relatório da comissão ao presidente: três dias.
- Comunicação da decisão ao requerente: três dias.
- Apresentação da resposta do requerente: cinco dias.
- Análise dos cortes: 10 dias.
- Emissão do certificado: cinco dias.
As etapas de constituição da comissão e de análise dos cortes representam, em conjunto, 25 dos 48 dias previstos, ou seja, pouco mais de metade do total. O calendário inclui também tempo para o requerente responder, pelo que não deve ser interpretado como 48 dias dedicados exclusivamente à análise interna do conselho.
O prazo total publicado, o intervalo de 30 a 40 dias indicado para o processamento normal e a garantia anunciada de 20 a 25 dias correspondem a parâmetros distintos. Nenhum deles permite determinar quanto tempo cada filme efetivamente espera. Não são apresentados dados datados sobre a dimensão da fila de espera nem um conjunto de registos de pedidos que permita apurar com que frequência a certificação ultrapassa o prazo do conselho.
Por que razão foi retirado o Tatkal
O Tatkal foi criado para casos excecionais, mas os produtores passaram a utilizá-lo cada vez mais como via habitual para obter certificação. Segundo relatos, as taxas podiam chegar ao triplo do custo da análise, com valores médios citados entre 20 000 e 40 000 rupias e alguns produtores independentes ou regionais a pagar quase 100 000 rupias. São valores divulgados por fontes, não uma tabela de preços publicada na página oficial do processo.
Abhay Sinha, presidente da Associação Indiana de Produtores de Cinema (IMPPA), afirmou que a associação expôs as preocupações com os custos a Chanchal Kumar, secretário do Ministério da Informação e Radiodifusão. Sinha descreveu a representação que antecedeu a retirada do sistema:
Reunimo-nos com Chanchal Kumar, secretário do Ministério da Informação e Radiodifusão, e informámo-lo de que o sistema Tatkal estava a causar dificuldades aos cineastas regionais. Por isso, pedimos-lhe que analisasse a situação, uma vez que estava a tornar-se incomportável para vários produtores. Em resposta, decidiram abolir o sistema.
A sequência é clara, embora não tenha sido indicada a data exata da retirada:
- 15 de março de 2024: o sistema Tatkal foi lançado como via acelerada para casos excecionais.
- Durante o seu funcionamento: o aumento da utilização habitual suscitou preocupações com os custos e o acesso por parte dos produtores mais pequenos.
- Após conversações com o setor: o sistema foi retirado; os pedidos já apresentados continuaram a ser processados e deixaram de ser aceites novos pedidos.
A eliminação da via premium resolve uma das desvantagens financeiras. Mas a melhoria do acesso também depende da regularidade com que funciona a fila normal e de os cineastas serem avisados com antecedência suficiente para efetuarem as alterações eventualmente necessárias.
O caso de The India Story mostra como os atrasos se podem propagar
Chetan DK, realizador de The India Story, alega que o seu filme sofreu atrasos repetidos, apesar de ter sido apresentado com bastante antecedência. Acredita que o título influenciou o tratamento dado ao pedido. Trata-se de uma alegação sua, não de uma conclusão comprovada sobre parcialidade.
Chetan descreveu os contactos e reuniões repetidos com responsáveis pela certificação. Disse que o filme tinha três versões linguísticas e que não era possível concluir as alterações, em particular na dobragem, num só dia. O seu relato mostra por que motivo o momento da decisão pode ser tão importante como a própria decisão: uma alteração solicitada pode exigir trabalho em várias versões antes de o filme estar pronto para estrear.
Disse também que os materiais promocionais apresentados anteriormente só foram aprovados no final do processo, o que o impediu de exibir o teaser e o trailer nas salas durante o período previsto para a campanha. A incerteza em torno da certificação afetou, assim, tanto o filme como os materiais destinados a promovê-lo junto do público.
Chetan questionou se as grandes produtoras recebem um tratamento diferente, afirmando ter ouvido falar de filmes certificados num único dia, enquanto os produtores mais pequenos enfrentavam dificuldades. Não existem registos comparáveis de pedidos que comprovem essa alegação. Ainda assim, ela identifica uma preocupação que a abolição do Tatkal, por si só, não resolve: se os produtores são tratados de forma consistente no processo normal.
A aprovação dos trailers é uma pressão comercial à parte
Um profissional sénior de marketing descreveu os longos prazos de aprovação dos materiais promocionais como um desafio crítico que exige intervenção. Um filme concluído e uma campanha de promoção eficaz obedecem a calendários relacionados, mas distintos. Um trailer precisa de tempo para circular antes da estreia; não basta que seja aprovado até ao dia da estreia.
Uma aprovação tardia pode comprimir a campanha promocional, mesmo que o filme acabe por estrear na data prevista. Os produtores podem já ter comprometido verbas publicitárias, ações de divulgação e acordos com salas de cinema. A perda de parte da campanha prevista para o trailer deixa menos tempo para transformar esse investimento em notoriedade junto do público.
Os cineastas descrevem também a pressão para aceitar uma decisão de certificação quando a data de estreia está próxima. O relato original não identifica uma categoria específica de certificado nem quantifica eventuais perdas de bilheteira. A preocupação comercial é que uma decisão tomada perto do dia da estreia deixa pouco tempo para ponderar alterações, responder a exigências ou ajustar a estratégia de lançamento.
O produtor Anand Pandit explicou por que razão o Tatkal era útil quando os compromissos da campanha já estavam definidos:
O sistema Tatkal dava aos produtores uma rede de segurança quando as datas de estreia se aproximavam e as campanhas de marketing já estavam fechadas. Para muitos produtores, servia de alternativa quando os prazos apertavam.
Os filmes regionais enfrentam uma escolha entre custos e prazos
Os produtores mais pequenos podem beneficiar por deixarem de competir com uma via prioritária paga. Mas também podem ter menos margem para absorver um atraso. Kaushik Das, fundador e diretor executivo da plataforma Odia AAO NXT, afirmou que os planos de estreia regionais podem depender de festivais, férias escolares e compromissos de entrega de conteúdos a plataformas.
Das explicou por que razão pode ser difícil alterar essas datas:
Para um produtor independente ou um criador de conteúdos regional, a janela de estreia está muitas vezes estreitamente ligada a festivais, férias escolares ou compromissos de entrega a plataformas.
Defendeu também que a antiga via prioritária raramente estava ao alcance de um cineasta que realizasse o seu primeiro filme em língua Odia ou de uma pequena produtora bengali. Um processo comum pode reduzir a vantagem das produções com mais recursos, desde que os filmes sejam avaliados com prazos e rigor consistentes.
A política envolve, por isso, duas questões distintas. Uma é saber se um produtor consegue pagar por um serviço mais rápido. A outra é saber se o serviço normal é suficientemente fiável para permitir planear uma estreia. O fim da taxa premium resolve a primeira questão de forma mais direta do que a segunda.
As alegações sobre a análise e a fila de espera continuam em discussão
Um membro do CBFC atribuiu a fila de espera ao escrutínio acrescido, em particular de filmes sobre temas sensíveis. O membro manifestou também preocupação com a falta de experiência cinematográfica e de conhecimento das regras por parte de alguns responsáveis pela certificação. Estas declarações apontam uma possível explicação para os atrasos, mas não permitem determinar a dimensão da fila de espera nem o peso de cada fator.
Shashi Shekhar Vempati, antigo diretor executivo da Prasar Bharati, apresentou uma avaliação diferente: afirmou que as certificações estavam a ser tratadas normalmente e que não havia qualquer tendência invulgar. Por sua vez, um representante da IMPPA descreveu uma fila de espera significativa. Sem datas de apresentação e de conclusão dos pedidos, bem como números comparáveis de um período anterior, estes relatos não permitem comprovar uma alteração mensurável no desempenho do processamento.
O debate estende-se aos serviços de streaming, habitualmente designados por plataformas OTT. Fontes do setor referem um escrutínio acrescido dos conteúdos, incluindo cortes de cenas de violência excessiva e linguagem insultuosa. Estas alegações devem ser distinguidas do calendário de certificação para exibição em sala: os relatos não identificam uma nova regra oficial para plataformas OTT nem uma alteração formal dos poderes do CBFC sobre os lançamentos em streaming.
Os custos de acessibilidade acrescentam outro encargo
O representante da IMPPA manifestou também preocupação com a audiodescrição e as legendas para pessoas surdas ou com deficiência auditiva, conhecidas como ADCC, afirmando que estas exigências acrescentam 75 000 rupias aos custos. A audiodescrição fornece informação oral sobre a ação visual a espetadores com deficiência visual. As legendas apresentam em texto os diálogos e os sons relevantes para quem delas precisa ou prefere utilizá-las.
O valor de 75 000 rupias é uma estimativa do representante, não uma taxa oficial universal. É distinto dos valores divulgados para o Tatkal e não deve ser considerado parte do serviço prioritário entretanto abolido.
Segundo o representante, alguns cineastas regionais estão a lançar conteúdos diretamente no YouTube sem certificação ADCC nem aprovação do CBFC. Este relato descreve uma resposta às preocupações com os custos e os atrasos; não demonstra que todos os lançamentos online estejam sujeitos às mesmas obrigações legais que uma exibição em sala. Também não quantifica quantos filmes seguiram essa via.
O que os produtores podem esperar agora
A transição imediata permite que os pedidos Tatkal já apresentados continuem a ser processados e obriga os novos requerentes a recorrer à via normal. Segundo relatos, as autoridades prometeram que a certificação demorará cerca de 20 a 25 dias. Sinha afirmou também que os responsáveis assegurariam a certificação atempada dos filmes cuja publicidade e divulgação já anunciam uma data de estreia.
Estas garantias são úteis para os produtores com estreias iminentes, mas os relatos não apresentam uma garantia formal, critérios de elegibilidade detalhados nem uma data para a avaliação do novo sistema. Não é indicada qualquer futura audiência, data-limite para uma consulta ou data de publicação dos resultados do processamento.
O produtor de cinema e especialista em comércio e exibição Girish Johar defendeu um planeamento antecipado, apontando como exemplo filmes de Hollywood preparados quase seis meses antes da estreia. Disse:
Planear com antecedência ajudará a controlar os custos e a reduzir a pressão sobre o CBFC.
A apresentação antecipada dos pedidos pode criar margem para revisões, mas não resolve, por si só, as queixas sobre decisões imprevisíveis ou a aprovação tardia dos trailers. O ponto central de Pandit é que os produtores conseguem adaptar-se a um processo cujo calendário seja fiável. O teste à retirada do Tatkal será saber se a certificação normal garante essa previsibilidade sem substituir as taxas premium por uma incerteza dispendiosa.
Pontos principais
- O CBFC deixou de aceitar novos pedidos de certificação Tatkal; os pedidos existentes continuarão a ser processados.
- A página do processo do conselho estabelece um prazo total de 48 dias, distribuído por sete etapas.
- Segundo relatos, o processamento normal demora 30 a 40 dias, enquanto as autoridades terão prometido um prazo de cerca de 20 a 25 dias.
- Os produtores arriscam atrasos nas estreias, reservas de salas e campanhas promocionais quando a aprovação chega tarde.
- Os cineastas mais pequenos e regionais podem beneficiar do fim das taxas premium, mas continuam sujeitos a janelas de estreia reduzidas.
- As alegações sobre a fila de espera, o tratamento desigual e o escrutínio acrescido são contestadas e não são sustentadas por dados comparáveis sobre o processamento.
- Um representante da IMPPA estima, separadamente, que os requisitos de acessibilidade acrescentam 75 000 rupias aos custos de produção.






