China escolhe Once Upon a Time in the Middle East para a corrida aos Óscares enquanto o filme estreia na América do Norte

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China Selects Once Upon a Time in the Middle East for Oscar Race as Film Opens in North America

Candidatura aos Óscares surge após um grande sucesso nas salas nacionais

O drama sobre restaurantes de Wen Muye, Once Upon a Time in the Middle East, estreou nos cinemas da América do Norte a 9 de outubro de 2026, dois dias depois de a equipa de produção ter anunciado que o filme representaria a China continental na corrida ao Óscar de melhor filme internacional, na 99.ª edição dos Óscares. A distribuidora Well Go USA Entertainment planeou uma estreia em mais de 120 cinemas, em dezenas de cidades dos Estados Unidos e do Canadá.

Índice
  1. Candidatura aos Óscares surge após um grande sucesso nas salas nacionais
  2. Um restaurante transforma-se em refúgio
  3. Wen parte das pessoas, não de uma tese
  4. Porque é que a comida transmite a mensagem
  5. O elenco liga o humor à perda
  6. Receitas elevadas, com diferentes classificações divulgadas
  7. A expansão internacional ultrapassa o plano inicial
  8. As primeiras reações destacam vidas comuns
  9. O que está confirmado e o que continua pendente
  10. Pontos principais

O filme, cujo título chinês se traduz como Welcome to the Dragon Restaurant, tinha arrecadado mais de 2,356 mil milhões de yuans na China continental até ao meio-dia de 7 de outubro, segundo os valores divulgados no anúncio da sua escolha. Esses dados colocavam-no em segundo lugar na lista anual de bilheteira da China continental em 2026, atrás de Pegasus 3, com 4,420 mil milhões de yuans.

A personagem central é Xu Fu, um cozinheiro chinês interpretado por Shen Teng que viaja para o Médio Oriente para pagar as dívidas da família. Quando a guerra interrompe os seus planos, cozinhar torna-se simultaneamente um meio de sobrevivência e uma forma de proteger crianças apanhadas no conflito.

O anúncio relativo aos Óscares, publicado na conta oficial do filme no Weibo a 7 de outubro, diz respeito à escolha da candidatura da China, não a uma nomeação pela Academia. A cerimónia está marcada para 14 de março de 2027, em Los Angeles. Nas informações sobre a seleção e a estreia internacional do filme, não foi anunciado qualquer resultado da lista de finalistas da Academia nem qualquer nomeação.

Um restaurante transforma-se em refúgio

Xu Fu começa por enfrentar um problema financeiro comum, não uma missão política. Cozinheiro de Shenyang, no nordeste da China, aceita trabalhar no Dragon Restaurant porque o salário poderá ajudar a pagar as dívidas da família. Juntamente com o gerente Ma Junsheng, interpretado por Jiang Qiming, transforma o negócio em dificuldades num restaurante próspero.

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A ação decorre numa Bagdade ficcionalizada e acompanha a perturbação causada pela invasão norte-americana e pelos combates que se seguiram. As competências de Xu tornam-no útil a pessoas de diferentes lados do conflito, enquanto o restaurante se torna um local onde as necessidades dos civis se cruzam com as dos soldados e dos grupos armados.

O drama passa gradualmente de ganhar dinheiro e encontrar um caminho de regresso a casa para proteger os outros. As crianças órfãs pela guerra tornam-se centrais nesta mudança, em particular Seif, um rapaz curdo iraquiano interpretado por Omar Sherif que se torna aprendiz de Xu. A relação entre mestre e aluno dá à cozinha um propósito que vai além da próxima refeição.

O filme é descrito como inspirado em acontecimentos reais, embora as personagens e a sequência dramática não devam ser entendidas como um registo documental. Wen diz que a ideia nasceu de uma notícia e das experiências de cozinheiros chineses que trabalhavam na região. Durante a preparação, a equipa entrevistou cozinheiros, pessoas de outras profissões e habitantes locais que tinham vivido a guerra.

Wen parte das pessoas, não de uma tese

Num encontro da indústria cinematográfica no Museu de Literatura de Xangai, a 16 de setembro, Wen falou do contraste entre a comida e a guerra. Descreveu um restaurante chinês apanhado no conflito como uma forma de examinar vidas comuns perturbadas pela violência e transmitir o valor da paz.

Numa entrevista à parte, o realizador explicou que o seu processo de escrita começou pelas personagens e pelas circunstâncias imediatas em que se encontram. Wen, cujos filmes anteriores incluem Dying to Survive e Nice View, afirmou:

Nunca penso antecipadamente em questões sociais. O que quero realmente contar é a história de pessoas concretas.

Esta abordagem ajuda a explicar por que razão o tema abrangente do filme é filtrado pelas decisões práticas de um cozinheiro. Xu tem de trabalhar, alimentar pessoas, avaliar em quem pode confiar e decidir se ajuda os outros quando isso ameaça a sua própria fuga. O tema público é a paz, mas a história chega até ele através de escolhas concretas.

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Wen descreveu também a presença do restaurante ao longo da história como um símbolo de paz. Começa por ser um local de trabalho, fica separado do protagonista pela violência e, mais tarde, representa uma ligação àquilo que sobreviveu. A imagem torna palpável a continuidade através de um lugar familiar, em vez de uma declaração abstrata.

Porque é que a comida transmite a mensagem

A comida é mais do que um contraste visual com a destruição. A profissão de Xu põe-no em contacto com iraquianos, norte-americanos, insurgentes e crianças. A sua capacidade de preparar uma refeição pode garantir-lhe segurança temporária, mas também cria relações que tornam mais difícil ficar indiferente.

O argumentista Zhong Wei descreveu a paz como o valor central do filme e o ato de comer como a sua expressão mais direta. Ao falar do argumento, associou as refeições partilhadas a uma conceção chinesa de harmonia quotidiana: pessoas reunidas à volta da comida, a partilhar pratos e a tratar o ato de comer como algo que deve ser protegido da violência.

Zhong defendeu também que os cineastas chineses devem ter lugar na narração de histórias sobre guerras e grandes acontecimentos mundiais, em vez de simplesmente adotarem a perspetiva de Hollywood. Trata-se de uma intenção criativa, não de prova de que todos os públicos interpretarão o filme da mesma forma.

O relato de Wen confere a essa ambição uma escala mais pessoal. Xu começa por considerar que o conflito é um problema alheio, mas as suas relações levam-no a assumir responsabilidades pelas pessoas à sua volta. O contraste entre uma refeição e uma batalha funciona porque ambas afetam as mesmas necessidades imediatas: sobreviver, cuidar das crianças e preservar a ligação a casa.

O elenco liga o humor à perda

A associação de Shen Teng à comédia foi tida em conta por Wen quando o escolheu para um drama de guerra. O realizador afirmou que Shen correspondia à sua ideia de Xu como um cozinheiro de meia-idade do nordeste da China, com sentido de humor, e que a sua veia cómica poderia trazer momentos de leveza a uma matéria mais pesada.

Esta escolha permite à história alternar entre os ritmos familiares do trabalho num restaurante e a insegurança do conflito. O humor não elimina a violência do filme. Ajuda a estabelecer a vida quotidiana que os combates vêm perturbar.

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Além de Jiang Qiming no papel de Ma Junsheng e Omar Sherif no de Seif, o elenco inclui Aarif Lee como Tony, um soldado sino-americano do Exército dos EUA. Sherif Sobhy interpreta Zaid, um funcionário público e sócio do restaurante cujas perdas pessoais o levam a procurar vingança.

Wen escreveu o argumento com Lang Qunli e Zhong Wei. Ning Hao foi produtor executivo. Wen integrou o projeto de desenvolvimento cinematográfico de Ning em 2016, e a sua primeira longa-metragem, Dying to Survive, valeu-lhe o prémio de melhor novo realizador nos Golden Horse Awards de 2018. O novo filme prolonga o seu interesse por pessoas comuns sob pressão, desta vez num cenário fora da China.

Receitas elevadas, com diferentes classificações divulgadas

O total de bilheteira de mais de 2,356 mil milhões de yuans a 7 de outubro surgiu após quase dois meses em cartaz, desde a estreia na China continental, a 11 de agosto. O filme manteve também o interesse do público durante o período do feriado do Dia Nacional.

Com base nos valores citados, as receitas corresponderam a cerca de 53% dos 4,420 mil milhões de yuans arrecadados por Pegasus 3. A diferença entre os dois montantes indicados foi de aproximadamente 2,064 mil milhões de yuans, embora o valor do drama sobre restaurantes tenha sido descrito como superior a 2,356 mil milhões, e não como um total definitivo.

Os relatos divergem tanto quanto às receitas como à posição na classificação. Uma entrevista separada ao realizador indicou um total de 2,29 mil milhões de yuans, ou 342 milhões de dólares, e classificou o filme como o terceiro filme chinês mais rentável de 2026. Os dados de 7 de outubro colocavam-no, pelo contrário, em segundo lugar na classificação anual da China continental, com o valor mais elevado em yuans.

A data-limite dos dados de bilheteira da entrevista não foi especificada no texto. Diferentes datas de apuramento ou critérios de classificação poderão explicar a discrepância, mas não há uma explicação confirmada. O valor em dólares associado aos 2,29 mil milhões de yuans não deve ser apresentado como uma conversão verificada do total posterior de 2,356 mil milhões de yuans.

A expansão internacional ultrapassa o plano inicial

O calendário de estreia internacional anunciado a 25 de agosto previa estreias a partir de 11 de setembro em Hong Kong, Macau, Austrália, Nova Zelândia e Malásia. Seguiram-se Singapura, a 17 de setembro, e o Japão, a 18 de setembro. O Camboja, a Indonésia, a Tailândia e o Laos foram incluídos para outubro.

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A estreia no Camboja foi confirmada para 8 de outubro. A Legend Cinema agendou sessões em Phnom Penh, Siem Reap, Sihanoukville e noutras localidades, com diálogos em mandarim e legendas em khmer, inglês e chinês. Estas opções linguísticas tornaram a estreia acessível tanto ao público local como aos residentes chineses.

A estreia na América do Norte aconteceu a 9 de outubro. A rede de cinemas anunciada incluía Los Angeles, São Francisco, Chicago, Nova Iorque, Boston, Toronto e Vancouver. O plano de estreia em mais de 120 cinemas descreve o alcance previsto, não um número confirmado de todas as salas em funcionamento no primeiro dia.

As principais datas mostram como decorreram a exibição na China, o anúncio relativo aos Óscares e a expansão internacional:

  • 11 de agosto de 2026: O filme estreou na China continental.
  • 25 de agosto: A produção anunciou o calendário de estreia internacional.
  • De 11 a 18 de setembro: As primeiras estreias internacionais previstas abrangeram sete mercados, incluindo Hong Kong e Macau.
  • 7 de outubro: A produção anunciou o filme como candidatura da China continental aos Óscares.
  • 8 de outubro: O filme estreou no Camboja.
  • 9 de outubro: Começou a estreia nos cinemas da América do Norte.
  • 14 de março de 2027: Está marcada para Los Angeles a cerimónia da 99.ª edição dos Óscares.

As primeiras reações destacam vidas comuns

As primeiras reações na região de Los Angeles elogiaram a forma como o filme aborda o conflito no Médio Oriente a partir de uma perspetiva diferente das representações habituais de Hollywood. Alguns espectadores destacaram a qualidade da produção e a capacidade de tornar compreensíveis, para lá das fronteiras nacionais, as consequências da guerra.

Uma espectadora identificada como Alivia, que viu o filme num cinema de Monterey Park, no condado de Los Angeles, descreveu-o como poderoso e comovente. Disse que levava o público a perceber que o conflito envolve toda a gente, e não apenas os norte-americanos e as pessoas do Médio Oriente.

O crítico de cinema Brett Arnold também elogiou a força emocional do filme e a compaixão com que retrata a brutalidade da guerra e a perda da dignidade humana. Trata-se, contudo, de opiniões individuais, não de prova de um consenso geral do público norte-americano. Os relatos da estreia não incluem dados de bilheteira da América do Norte nem um inquérito abrangente ao público.

A forma como o filme retrata as perspetivas nacionais também permite uma leitura mais complexa. As personagens norte-americanas podem sentir medo e saudades de casa, enquanto as personagens iraquianas vivem um luto e uma raiva que podem conduzir a decisões destrutivas. Apesar desta atenção dedicada aos outros, a narrativa continua centrada num protagonista chinês. A compaixão pelas outras personagens não torna as suas experiências o tema principal da história.

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O que está confirmado e o que continua pendente

A conquista imediata combina sucesso comercial na China, a escolha como candidatura da China continental ao Óscar de filme internacional e uma expansão da estreia nos cinemas no estrangeiro. Nenhum destes desenvolvimentos determina a reação dos votantes da Academia.

Uma candidatura nacional é diferente de uma nomeação para um Óscar. O anúncio da produção identifica o filme escolhido para representar a China continental, enquanto qualquer reconhecimento posterior pela Academia depende de uma decisão separada. A data da cerimónia é conhecida, mas os anúncios aqui referidos não indicam datas para a lista de finalistas ou para as nomeações.

Os planos de distribuição também continuam incompletos. A América do Norte e o Camboja já têm datas de estreia confirmadas, enquanto o calendário anterior previa estreias na Indonésia, na Tailândia e no Laos durante outubro, sem indicar datas. Quando foi anunciado o plano internacional mais abrangente, ainda se procuravam oportunidades de estreia na Europa, no Médio Oriente e no Norte de África.

O principal fio condutor entre estes desenvolvimentos é a forma como o filme recorre à personagem de um cozinheiro chinês para explorar a sobrevivência e o cuidado em tempo de guerra. As receitas na China demonstram que o filme conquistou um público significativo no país. A expansão internacional dará a espectadores de outras regiões a oportunidade de avaliar tanto a história pessoal como a perspetiva nacional através da qual é contada.

Pontos principais

  • A produção anunciou a 7 de outubro de 2026 que o filme representaria a China continental na corrida ao Óscar de filme internacional.
  • Once Upon a Time in the Middle East é o título internacional em inglês; o título chinês traduz-se como Welcome to the Dragon Restaurant.
  • As receitas divulgadas na China continental ultrapassavam 2,356 mil milhões de yuans a 7 de outubro, embora outro relato tenha indicado 2,29 mil milhões de yuans e uma classificação anual diferente.
  • O filme estreou no Camboja a 8 de outubro e na América do Norte a 9 de outubro, com uma estreia norte-americana prevista em mais de 120 cinemas.
  • Wen Muye realiza o filme, com Shen Teng no papel de um cozinheiro cujos esforços para sobreviver à guerra se transformam numa missão para proteger crianças.
  • A cerimónia dos Óscares está marcada para 14 de março de 2027. O anúncio da escolha da China não equivale a uma nomeação para os Óscares.
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