Yameen contesta acordo de Rasmale' enquanto Eagle Hills promete empregos e acesso das empresas locais

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Yameen Challenges Rasmale' Deal as Eagle Hills Promises Jobs and Local Business Access

Projeto de 500 hectares enfrenta disputa sobre interesses nacionais

O antigo presidente das Maldivas Abdulla Yameen Abdul Gayoom criticou o acordo do Governo relativo a Rasmale' com a Eagle Hills, questionando as garantias previstas num acordo, alegadamente, com uma duração de 99 anos para um projeto que abrange 500 hectares. As críticas surgem enquanto o presidente da Eagle Hills, Mohamed Alabbar, promove um projeto que deverá atrair 20 mil milhões de dólares em investimento, exigir 15 000 trabalhadores da construção e acolher pelo menos 1 500 lojas.

Índice
  1. Projeto de 500 hectares enfrenta disputa sobre interesses nacionais
  2. Yameen questiona silêncio jurídico do Governo
  3. Assinatura no Dubai não determina a lei aplicável
  4. Alabbar fala em segunda habitação, não em instalação permanente
  5. Que empresa está por detrás da experiência?
  6. Empregos e lojas locais sustentam o argumento económico
  7. A dimensão é grande, mas os números são projeções
  8. Declarações sobre Gaza ampliam disputa política
  9. Controvérsias anteriores regressam à medida que aumentam os pedidos de divulgação
  10. Principais pontos

Os argumentos opostos dizem respeito ao mesmo empreendimento, o Maldives Waterfront and Marina, em terrenos conquistados ao mar perto de Male'. Yameen afirma que o Governo não explicou os benefícios e os riscos. Alabbar diz que o projeto criará oportunidades para as empresas maldivas e permitirá a compradores estrangeiros adquirir uma segunda habitação, em vez de se instalarem permanentemente no país.

A distinção é importante porque o debate mistura várias questões diferentes: controlo da terra, compra de imóveis, direitos de residência, emprego local e escolha do parceiro comercial pelo Governo. Uma promessa sobre o funcionamento do empreendimento não permite, por si só, determinar o que o acordo autoriza ou exige legalmente.

Num comício realizado num escritório da Frente Nacional do Povo (PNF), Yameen descreveu o acordo como «nada bom» e um «crime». São acusações suas, não uma conclusão comprovada de que tenha havido irregularidades. Afirmou também que antigos dirigentes e responsáveis jurídicos do Governo «não se atrevem» a falar do acordo.

Yameen questiona silêncio jurídico do Governo

Yameen dirigiu críticas específicas ao Gabinete do Procurador-Geral, alegando que este não dispunha de um quadro jurídico adequado para o projeto e que os responsáveis jurídicos do Estado tinham «deixado de falar» sobre o assunto. Defendeu que um compromisso relativo a uma extensa área de terreno e com uma duração próxima de um século exige uma explicação pública clara.

Alertou para a possibilidade de o acordo permitir que estrangeiros se instalem no país de formas que prejudiquem os interesses nacionais. Argumentou também que a afetação de uma extensa área costeira sem garantias adequadas poderia criar riscos para a segurança costeira e para o setor do turismo. Foram alertas sobre possíveis consequências, não provas de que estas se tenham concretizado.

Yameen inseriu o projeto num debate mais amplo sobre os recursos nacionais. Segundo afirmou, os benefícios económicos devem resultar da melhor utilização desses recursos, não da venda de ativos estratégicos, como o aeroporto internacional e o principal porto, em nome do lucro. As referências a essas infraestruturas fizeram parte desse argumento mais amplo; não demonstram que o acordo de Rasmale' inclua qualquer um desses ativos.

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Assinatura no Dubai não determina a lei aplicável

Segundo foi noticiado, o acordo foi assinado no Dubai, embora os terrenos e o investimento previsto se situem nas Maldivas. Isto suscitou a alegação de que o acordo foi concebido para tornar inaplicável a lei maldiva. No entanto, o local da cerimónia de assinatura não determina qual a lei que rege um contrato nem qual a autoridade competente para apreciar um litígio.

Estas questões dependem da redação do acordo e dos requisitos legais aplicáveis. Uma cláusula de lei aplicável identifica a lei usada para interpretar as obrigações contratuais. Uma cláusula de resolução de litígios especifica onde e como são tratados os desacordos. Não é possível deduzir nenhuma delas apenas com base na cidade onde foram apostas as assinaturas.

Há também uma diferença entre arrendar terrenos e transferir a sua propriedade. Em geral, um arrendamento concede direitos de utilização de um imóvel por um período determinado, enquanto a propriedade diz respeito à titularidade legal. A autorização de residência é uma questão distinta. Os relatos descrevem o acordo de 99 anos tanto como uma cedência ou arrendamento de terrenos como em ligação com um programa de residência, pelo que a relação exata entre esses direitos continua por esclarecer.

Numa declaração datada de 8 de outubro de 2026, Ibrahim Rizwan defendeu que a Constituição proíbe a propriedade de terrenos maldivos por estrangeiros e apelou ao fim das vendas de terrenos que, segundo afirmou, servem interesses sionistas. O seu argumento constitucional não demonstra que o acordo de Rasmale' transfira a propriedade dos terrenos. Para determinar isso, seria necessário analisar os direitos efetivamente concedidos pelo acordo, em vez de tratar um arrendamento, uma compra de imóvel e a residência como se fossem equivalentes.

Alabbar fala em segunda habitação, não em instalação permanente

Alabbar abordou diretamente a preocupação de que compradores estrangeiros viessem a estabelecer-se permanentemente nas Maldivas através do projeto. Durante uma visita ao país, o presidente da Eagle Hills explicou aos jornalistas qual seria o objetivo do empreendimento:

«O projeto nas Maldivas está a criar uma segunda habitação», afirmou Alabbar.

Esta explicação apresenta o empreendimento como um destino para pessoas cuja vida principal decorre noutro lugar. Responde às críticas quanto à intenção comercial, mas não especifica como funcionariam as autorizações de residência, durante quanto tempo os compradores poderiam permanecer ou se as restrições seriam aplicáveis.

Alabbar afirmou também que as suas empresas operam em 20 países e respeitam as leis e os regulamentos nacionais. Ao pedir confiança na sua experiência, disse aos jornalistas:

«Por isso, gostaria que todos confiassem em mim. Já fiz isto antes», afirmou Alabbar.

O seu apelo assenta na experiência de concretizar empreendimentos noutros locais. Yameen questiona se o acordo específico protege os interesses maldivos. Estes argumentos assentam em critérios diferentes: a capacidade do promotor para construir e a capacidade do Estado para manter o controlo sobre as condições.

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Que empresa está por detrás da experiência?

Os exemplos de Alabbar exigem também que se distinga a Eagle Hills da Emaar Properties. Preside às duas empresas, mas são entidades distintas. A Emaar foi fundada em 1997 e tornou-se uma empresa cotada em bolsa, com acionistas externos. A Eagle Hills foi registada em 2014 e é uma empresa privada.

Vários empreendimentos que Alabbar citou como prova da sua experiência estão associados à Emaar, e não apenas à Eagle Hills. O projeto Maldives Waterfront and Marina foi descrito como uma iniciativa que envolve ambas as empresas, enquanto a cedência de terrenos pelo Governo e o acordo no centro da controvérsia dizem respeito à Eagle Hills.

Alabbar afirmou ter gerido projetos no valor de 450 mil milhões de dólares desde a criação da Emaar e referiu 29 anos de atividade. Trata-se da sua descrição de um historial mais vasto no setor imobiliário, não do valor do investimento da Eagle Hills nas Maldivas. O investimento previsto para Rasmale' é de 20 mil milhões de dólares.

A distinção entre as empresas é importante para avaliar as promessas de execução. Um presidente comum pode transferir a experiência de uma empresa para outra, mas isso não torna idênticos os respetivos recursos financeiros, proprietários ou responsabilidades contratuais. A repartição das obrigações entre as empresas continua a ser importante para perceber quem financiaria, construiria e geriria o empreendimento.

Empregos e lojas locais sustentam o argumento económico

O argumento de Alabbar sobre os benefícios para o país é mais concreto do que uma promessa genérica de investimento. Estima que a construção exigirá 15 000 trabalhadores e afirma que, quando estiver concluído, o empreendimento terá pelo menos 1 500 lojas, com prioridade para os empresários maldivos. Diz também que os materiais de construção devem ser comprados a fornecedores maldivos sempre que estejam disponíveis no mercado local.

Sobre o acesso aos espaços comerciais, o presidente da Eagle Hills afirmou:

Haverá 1 500 empresários, e daremos prioridade aos habitantes locais na atribuição destas lojas.

Ter prioridade não equivale a ter uma atribuição garantida. As condições de acesso aos espaços comerciais, incluindo os critérios de elegibilidade, as rendas, os planos de reembolso e qualquer quota reservada, não foram estabelecidas nas descrições públicas da proposta. Do mesmo modo, a estimativa relativa à mão de obra da construção não corresponde a um número confirmado de postos de trabalho reservados a maldivos.

Alabbar apresentou um possível modelo de financiamento para empresas sem capital suficiente para crescer. A Eagle Hills poderia construir instalações para uma loja ou restaurante local, permitindo que o reembolso começasse depois de a empresa gerar receitas. Isto poderia reduzir o custo inicial de entrada, embora o benefício para o operador dependesse das condições de reembolso e de outras despesas que viessem a ser definidas.

A título de comparação, Alabbar referiu Marassi, na costa mediterrânica do Egito, afirmando que ali trabalham cerca de 15 000 egípcios e que os empregados, empreiteiros, engenheiros e restantes trabalhadores são locais. O número de trabalhadores egípcios e a estimativa para a construção nas Maldivas são iguais, mas descrevem situações diferentes. Um corresponde ao seu relato sobre o emprego num empreendimento já existente; o outro é uma previsão para a fase de construção.

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A dimensão é grande, mas os números são projeções

O empreendimento previsto, com 500 hectares, ocuparia cinco quilómetros quadrados de terrenos conquistados ao mar. Esta conversão ajuda a dar uma ideia da sua dimensão física, sem presumir que proporção de Rasmale' representa, uma vez que os valores em discussão não especificam a área total do projeto mais vasto.

As projeções económicas são também substanciais: 20 mil milhões de dólares em investimento e mais um milhão de chegadas de turistas por ano. São previsões para o empreendimento, não dinheiro já investido nem visitantes já recebidos. Não foi apresentado, juntamente com esses valores, um calendário de execução que estabeleça quando se concretizaria a totalidade do investimento ou o aumento anual do turismo.

A previsão distingue-se também da ambição mais imediata relativa à construção. Alabbar afirmou esperar que os trabalhos práticos pudessem começar no prazo de 12 meses, dependendo daquilo que a empresa conseguisse realizar. Não apresentou essa data como um início incondicional nem prometeu concluir o empreendimento num ano.

Os números relativos ao emprego, ao comércio e ao turismo devem, por isso, ser analisados separadamente. Os postos de trabalho na construção dizem respeito à edificação do projeto. As lojas dizem respeito à sua atividade comercial. Os visitantes adicionais dizem respeito ao impacto previsto no turismo. Reuni-los numa única afirmação de benefícios económicos garantidos ignoraria as diferentes fases e condições envolvidas.

Declarações sobre Gaza ampliam disputa política

Yameen opôs-se também a relações comerciais mais estreitas com entidades de Abu Dhabi que, segundo alegou, estariam ligadas às ações de Israel na Palestina. Questionou o silêncio dos estudiosos religiosos e defendeu que os ganhos comerciais não devem sobrepor-se a essas preocupações. A alegação de que existem tais ligações não é comprovada pelas descrições do projeto nem pelas declarações de Alabbar sobre os seus benefícios económicos.

Outra controvérsia diz respeito à resposta de Alabbar a uma pergunta sobre a reconstrução de Gaza, na cimeira One Billion Summit, no Dubai, em 2026. Disse que não teria qualquer papel, apresentando-se como empresário e não como alguém que presta ajuda humanitária. Defendeu que os responsáveis pela destruição de Gaza deveriam ser responsáveis pela sua reconstrução.

As declarações suscitaram críticas e apelos a que o Governo do presidente Mohamed Muizzu se distanciasse de entidades como a Eagle Hills. Também renovaram as exigências de divulgação do acordo de Rasmale'. No entanto, recusar um papel na reconstrução não constitui prova de envolvimento na destruição de Gaza.

A declaração de Rizwan, em outubro, adotou uma posição mais confrontacional, apelando aos militares e à polícia para que colocassem a lealdade à nação e aos cidadãos acima dos dirigentes políticos ou dos partidos. Foram apelos seus às forças de segurança, não uma posição anunciada por nenhuma das instituições.

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Controvérsias anteriores regressam à medida que aumentam os pedidos de divulgação

Um comentário político datado de 10 de outubro de 2026 comparou o apoio a acordos de longa duração relativos aos terrenos de Rasmale' com protestos anteriores sobre alegações de que o atol de Faafu seria vendido e sobre a entrega do Aeroporto Internacional de Velana à GMR. Alegou também que havia uma incoerência entre a oposição a decisões sobre fronteiras marítimas relacionadas com Chagos e o apoio ao novo empreendimento.

Estas comparações dizem respeito à coerência política, não provam que as transações tenham a mesma estrutura jurídica. A crítica é que as posições sobre a participação estrangeira em ativos nacionais parecem mudar consoante quem está no poder. O mesmo comentário defendeu que os princípios expressos através de boicotes relacionados com a Palestina estavam a ser postos de lado em grandes transações do Estado.

Os acontecimentos e as declarações datados podem ser distinguidos dos anúncios cuja data exata não foi identificada:

  • Início de 2026: Alabbar respondeu a uma pergunta sobre a reconstrução de Gaza na cimeira One Billion Summit, no Dubai.
  • 8 de outubro de 2026: Rizwan divulgou uma declaração sobre a propriedade de terrenos por estrangeiros e os deveres dos militares e da polícia.
  • 10 de outubro de 2026: Um comentário político comparou o apoio a Rasmale' com controvérsias anteriores relativas ao atol de Faafu, ao aeroporto e a Chagos.
  • Data não especificada: Alabbar manifestou a esperança de que os trabalhos práticos nas Maldivas pudessem começar no prazo de 12 meses, dependendo da capacidade da empresa.

Estes relatos públicos não permitem determinar uma data exata para a assinatura, uma data firme para o início da construção, um prazo de conclusão ou uma audiência judicial agendada. As principais questões por resolver são os direitos concedidos sobre os terrenos e a residência, as garantias jurídicas aplicáveis, as responsabilidades das empresas e a possibilidade de as promessas a favor das empresas locais se tornarem compromissos vinculativos. A divulgação dessas condições permitiria que o debate fosse além das garantias e acusações em confronto.

Principais pontos

  • Yameen alega que o acordo de Rasmale' ameaça os interesses nacionais e carece de uma explicação jurídica pública adequada.
  • O empreendimento é descrito como abrangendo 500 hectares, ao abrigo de um acordo alegadamente com uma duração de 99 anos.
  • Alabbar afirma que o projeto se destina a proporcionar uma segunda habitação, não a uma instalação permanente.
  • Os benefícios previstos incluem 20 mil milhões de dólares em investimento, 15 000 trabalhadores da construção, pelo menos 1 500 lojas e mais um milhão de chegadas de turistas por ano.
  • As empresas locais terão prioridade, mas as condições de acesso e de reembolso continuam por esclarecer.
  • A Eagle Hills e a Emaar são empresas distintas, presididas por Alabbar.
  • As declarações de Alabbar sobre Gaza aumentaram as críticas e os pedidos de divulgação do acordo.
  • A expectativa de início no prazo de 12 meses é condicional, não um prazo confirmado para o início da construção.
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