Chey alerta que atrasos nas fábricas podem custar quota de mercado à Coreia
Chey Tae-won, presidente do SK Group, apelou a 11 de outubro de 2026 à construção mais rápida de fábricas de semicondutores na Coreia do Sul, alertando que a expansão dos fabricantes de chips chineses e da produtora norte-americana de memória Micron Technology poderia reduzir a quota de mercado do país. As suas declarações em Xangai surgiram dois dias depois de ter visitado um local proposto para um polo de semicondutores no aeroporto militar de Gwangju e de ter indicado que as obras poderiam avançar em simultâneo com o projeto acelerado da SK Hynix em Yongin.
Índice
- Chey alerta que atrasos nas fábricas podem custar quota de mercado à Coreia
- As obras em Honam poderão avançar em simultâneo com Yongin
- O calendário depende da água e da electricidade
- Visita ao local responde a dúvidas sobre o investimento
- Financiamento público sob escrutínio parlamentar
- Concorrentes chineses complicam a estratégia de expansão
- Chey contesta a lógica das restrições norte-americanas
- Planos de investigação em Xangai prosseguem apesar das preocupações com as fábricas
- Principais pontos
A urgência reflecte-se numa alteração importante do calendário: a SK Hynix antecipou de 2045 para 2033 a conclusão prevista do polo de semicondutores de Yongin, uma redução de 12 anos. Ainda assim, Chey indicou que Yongin poderá, por si só, não proporcionar capacidade de produção suficiente, à medida que a inteligência artificial faz aumentar a procura de chips de memória.
Ao discursar no local da 38.ª Conferência Internacional de Conselheiros Empresariais do Presidente da Câmara de Xangai, Chey, que lidera o grupo que inclui a SK Hynix, relacionou directamente a rapidez da expansão das fábricas com a posição competitiva da Coreia do Sul.
Temos de expandir o mais rapidamente possível. Se as empresas chinesas ou a norte-americana Micron Technology, Inc. aumentarem a capacidade a um ritmo mais rápido, a quota de mercado do nosso país diminuirá.
A sua mensagem não se limitou a um único local de investimento. Disse que as instalações de produção deveriam continuar a expandir-se em Gwangju e noutros locais, confirmando também que estava a ser estudada a expansão de fábricas no estrangeiro, incluindo no Japão. Estas declarações apontam para uma procura mais ampla de capacidade, mas não constituem um anúncio de uma fábrica japonesa aprovada nem de um calendário de construção definitivo para cada local proposto.
A questão central é saber se a SK consegue transformar a forte procura em produção adicional com rapidez suficiente. Mais encomendas não se traduzem automaticamente em mais vendas quando as fábricas já enfrentam limitações. Os concorrentes que disponibilizem capacidade adicional mais cedo poderão conquistar negócios que os produtores coreanos ainda não conseguem satisfazer.
As obras em Honam poderão avançar em simultâneo com Yongin
Durante a visita de 9 de outubro à zona do aeroporto militar de Gwangju, Chey afirmou que a SK construiria o mais rapidamente possível, assim que as condições o permitissem. Também equacionou a possibilidade de construir as fábricas de Honam em paralelo com Yongin, em vez de tratar o projeto no sudoeste como algo que tem de esperar pela conclusão da expansão noutros locais.
A proposta para Honam é descrita como um investimento de 400 biliões de won, envolvendo duas fábricas de semicondutores, normalmente designadas por fabs. Uma fab é a instalação onde os chips são fabricados através de processos de produção rigorosamente controlados. Chey sugeriu que a dimensão do projeto poderia aumentar se houvesse mais terrenos disponíveis e procura. O valor e o número de fábricas propostos descrevem a dimensão prevista do projeto, não significam que o investimento total já tenha sido realizado.
As suas declarações também abordaram a sequência das obras e da instalação das infraestruturas. Chey indicou que os trabalhos nas fábricas poderiam começar mesmo que as infraestruturas de água e electricidade ainda não estivessem concluídas, desde que a sua disponibilização posterior pudesse ser coordenada com o calendário de produção.
Esta distinção é importante. Iniciar as obras antes de os projectos de infraestruturas estarem concluídos é diferente de operar uma fábrica de semicondutores sem abastecimento fiável. A produção de chips exige muita electricidade e água cuidadosamente tratada, pelo que a questão relevante é saber se as infraestruturas estarão prontas quando os equipamentos de fabrico e as linhas de produção delas necessitarem.
O calendário depende da água e da electricidade
As autoridades da região de Jeonnam e Gwangju pretendem assegurar as infraestruturas iniciais de água e energia até ao final de 2028 e iniciar a produção em massa em 2030. Para cumprir esse objectivo de produção, consideram que a construção das fábricas tem de começar no início de 2028.
A sequência prevê o início da construção antes da conclusão das infraestruturas iniciais, tornando a coordenação entre as obras públicas e o investimento empresarial central para o plano. As principais datas são:
- 9 de outubro de 2026: Chey visitou o local proposto para o polo de Honam, no aeroporto militar de Gwangju.
- 11 de outubro de 2026: Apelou a uma expansão mais rápida durante a conferência de Xangai.
- 22 de outubro de 2026: Está prevista uma auditoria parlamentar na região de Jeonnam e Gwangju, com o investimento em semicondutores entre os principais temas.
- Início de 2028: As autoridades locais consideram esta a data necessária para o início da construção, tendo em vista a produção em 2030.
- Final de 2028: Prazo previsto para assegurar as infraestruturas iniciais de água e electricidade.
- 2030: Meta local para o início da produção em massa no polo de Honam.
- 2033: Data de conclusão antecipada prevista para o polo de Yongin, anteriormente apontada para 2045.
Estas datas não são equivalentes. O marco de 2030 diz respeito ao início da produção em Honam, enquanto 2033 se refere à conclusão prevista do polo de Yongin. Compará-las como se fossem marcos idênticos daria uma imagem enganadora de qual dos projectos está a avançar mais rapidamente.
Visita ao local responde a dúvidas sobre o investimento
A visita de Chey surgiu na sequência da preocupação local quanto à possibilidade de a SK abrandar ou abandonar o investimento em Honam. A controvérsia incluiu notícias sobre declarações do presidente da câmara local a respeito de rumores de uma possível retirada. A administração local afirmou que as declarações tinham sido retiradas do contexto e foram proferidas quando rejeitava a sugestão de um cidadão de que a SK poderia não investir.
Lim Moon-young, deputado do Partido Democrático que representa Gwangsan B, interpretou a visita pessoal de Chey como prova da intenção de iniciar prontamente a construção. A visita reforçou o sinal público de compromisso, embora não tenha estabelecido, por si só, uma data de construção vinculativa.
Ryu Sang-wan, director do instituto conjunto de investigação em semicondutores da Universidade Nacional de Chonnam, apontou uma preocupação empresarial relacionada: uma empresa pode comprometer-se com uma fábrica e, ainda assim, enfrentar atrasos nas infraestruturas caso as condições políticas mudem. Afirmou que manifestar intenção de investir e, ao mesmo tempo, pressionar para uma disponibilização mais rápida das infraestruturas era uma forma natural de a empresa reduzir essa incerteza.
A distinção entre vontade e prontidão continua a ser central. Chey manifestou o desejo de avançar rapidamente, mas a meta de produção continua a depender da articulação entre a construção, as infraestruturas públicas e o calendário das decisões de investimento.
Financiamento público sob escrutínio parlamentar
O governo procura acelerar o complexo industrial de Honam, isentando os projectos de infraestruturas de água e electricidade de estudos preliminares de viabilidade. Estes estudos avaliam normalmente se um investimento público proposto se justifica antes de avançar. O governo planeia também recorrer a um futuro fundo de resposta, financiado com receitas fiscais excedentárias da indústria dos semicondutores.
Deputados da oposição contestaram a afectação dos fundos. Kim Sang-hoon, deputado do Partido do Poder Popular, argumentou que as despesas do fundo estavam demasiado concentradas no projecto de semicondutores de Honam. O também deputado Park Soo-young questionou se o fundo estaria a servir interesses políticos regionais. Trata-se de acusações políticas, não de conclusões comprovadas de utilização indevida dos fundos.
Park Hong-geun, o ministro responsável pelo planeamento e pelo orçamento, respondeu que as despesas correspondiam a um investimento estratégico destinado a sustentar a indústria dos semicondutores, e não a um investimento concebido exclusivamente para uma região. Uma análise parlamentar separada ao Ministério dos Transportes também suscitou objecções ao apoio destinado a ajudar os trabalhadores das empresas investidoras a instalarem-se na região.
O ministro dos Transportes, Hong Ji-seon, afirmou que a escolha do local teve em conta, em conjunto, a localização, a electricidade, a água e a procura empresarial. A auditoria local agendada para 22 de outubro será a próxima ocasião identificada para escrutinar essas decisões. Para a SK, o debate é importante porque a rapidez da construção das fábricas depende, em parte, de infraestruturas públicas cujo financiamento e execução continuam a ser alvo de contestação política.
Concorrentes chineses complicam a estratégia de expansão
Chey identificou a ChangXin Memory Technologies, conhecida como CXMT, e a Yangtze Memory Technologies Corp., ou YMTC, como concorrentes em rápida ascensão. A CXMT produz DRAM, um tipo de memória usado para armazenar dados a que os processadores precisam de aceder rapidamente. A YMTC produz memória flash NAND, que conserva os dados sem alimentação eléctrica e é amplamente utilizada para armazenamento.
Defendeu que os produtores chineses estavam a aumentar tanto a capacidade de produção como a competência técnica. Para Chey, o problema concorrencial é agravado pela impossibilidade de as empresas coreanas expandirem livremente na China, onde já operam importantes instalações de produção.
Ao explicar a sua preocupação com o ritmo da concorrência chinesa, o presidente da SK afirmou:
"Se deixarmos as coisas como estão, vão todos alcançar-nos. Estão a aproximar-se rapidamente",
O seu alerta não deve ser interpretado como prova de que as empresas já alcançaram o mesmo nível técnico em todos os produtos. Estas declarações não foram acompanhadas de dados comparáveis sobre volumes de produção, quotas de mercado ou desempenho dos produtos. O argumento diz respeito ao risco representado pela direcção e rapidez do seu desenvolvimento.
A Micron também foi apontada como uma ameaça concorrencial devido à sua expansão. Chey não apresentou uma comparação quantificada entre a nova capacidade da Micron e a produção prevista da SK Hynix. A sua posição foi a de que a forte procura torna comercialmente importante o calendário relativo de entrada em funcionamento das novas fábricas, independentemente de a oferta adicional vir dos Estados Unidos ou da China.
Chey contesta a lógica das restrições norte-americanas
O debate sobre a expansão cruza-se também com as preocupações dos Estados Unidos relativamente à produção de semicondutores na China. John Moolenaar, presidente da Comissão Especial da Câmara dos Representantes dos EUA sobre a Concorrência Estratégica entre os Estados Unidos e a China, escreveu recentemente ao secretário de Estado Marco Rubio, alertando para as fábricas chinesas operadas pela Samsung Electronics e pela SK Hynix.
A carta identificou a unidade da Samsung em Xi'an e as unidades da SK Hynix em Wuxi e Dalian. Moolenaar argumentou que essas operações poderiam criar vulnerabilidades nas cadeias de abastecimento dos EUA e tornar-se instrumentos de pressão chinesa sobre os Estados Unidos.
Chey rejeitou a ideia de que restringir essas instalações travaria necessariamente a indústria chinesa dos semicondutores. Em resposta às preocupações, o presidente da SK afirmou:
Não creio que seja muito sensato pensar que bloqueá-las dessa forma possa travar a indústria chinesa dos semicondutores.
O desacordo envolve duas prioridades distintas. O alerta de Moolenaar diz respeito à dependência de unidades de produção localizadas na China e à possibilidade de perturbações no abastecimento. O argumento de Chey diz respeito à concorrência: no seu entender, as restrições às operações das empresas coreanas não impedem os fabricantes chineses de avançar.
A carta é uma intervenção do Congresso, não um novo regulamento nem uma ordem para encerrar as fábricas mencionadas. Não foi identificada qualquer decisão política subsequente ou prazo. A incerteza imediata prende-se com a possível resposta de Washington às preocupações e com as implicações para as operações existentes das empresas.
Planos de investigação em Xangai prosseguem apesar das preocupações com as fábricas
Apesar dessas pressões, a SK procura aprofundar a sua colaboração com o sector tecnológico chinês. Na conferência de Xangai, Chey afirmou que o grupo investiu cerca de 60 mil milhões de dólares na China, nos sectores dos semicondutores, das baterias e da petroquímica, descrevendo uma presença empresarial construída ao longo de 35 anos. Esse montante refere-se ao historial de investimento mais amplo do grupo, não apenas a despesas com fábricas de semicondutores nem a um novo compromisso anunciado no evento.
A SK está também a trabalhar na criação de um centro de investigação e desenvolvimento de inteligência artificial em Xangai. As áreas de investigação previstas incluem centros de dados de IA, IA física e biofarmacêutica. A IA física refere-se a sistemas que aplicam inteligência artificial à interacção com o mundo físico, como máquinas que percepcionam o ambiente que as rodeia e actuam sobre ele.
O grupo apresentou o centro proposto como uma forma de reforçar a cooperação com a indústria chinesa da IA e acompanhar a evolução tecnológica local. O plano de investigação é distinto da questão da expansão das fábricas: a criação de um centro de investigação não proporciona necessariamente capacidade adicional de produção de chips.
A conferência reuniu responsáveis de Xangai e representantes empresariais internacionais, com Chey presente pelo segundo ano consecutivo. Defendeu também que as ambições de Xangai de se tornar um centro de inovação em IA dependem de uma regulamentação transparente e previsível. A sua preocupação era que regras pouco claras podem ser mais difíceis de gerir para as empresas do que regras com requisitos conhecidos.
Não foram especificados uma data de abertura, um orçamento ou um plano de contratação para o centro proposto em Xangai. Do mesmo modo, a expansão de fábricas no estrangeiro continua em estudo. O teste mais concreto a curto prazo é saber se os calendários de construção e de infraestruturas de Honam podem traduzir-se em acção coordenada enquanto o financiamento público é sujeito a escrutínio parlamentar.
Principais pontos
- Chey Tae-won apelou a uma expansão mais rápida das fábricas de chips em 11 de outubro, alertando que os concorrentes norte-americanos e chineses poderiam conquistar quota de mercado.
- A SK Hynix antecipou de 2045 para 2033 a conclusão prevista do polo de Yongin.
- Chey equacionou construir as fábricas de Honam em simultâneo com Yongin e expandir a produção para além de Gwangju.
- As autoridades locais apontam para o início das obras no princípio de 2028, as infraestruturas iniciais até ao final de 2028 e a produção em massa em 2030.
- O financiamento das infraestruturas públicas está sob escrutínio político antes da auditoria parlamentar agendada para 22 de outubro.
- Chey questionou se as restrições às fábricas coreanas na China impediriam o avanço dos fabricantes chineses de chips.
- A SK está a avançar com um centro de investigação em IA em Xangai, enquanto a possível expansão de fábricas no Japão continua em estudo.






