Três exemplos funcionais, não compatibilidade total
A DeepSeek lançou o DeepSeek Harness v0.2.1-alpha.1 a 3 de outubro de 2026, acrescentando uma ponte experimental para extensões criadas para o Claude Code, da Anthropic. Três exemplos — Token Weather, Blast Radius e Replay Theater — podem ser executados através da ponte. Outros quatro mods, diff, agents-md, sec-default e telemetry, são indicados como não executáveis por dependerem de eventos, interfaces ou capacidades de apresentação que não são suportados.
Índice
- Três exemplos funcionais, não compatibilidade total
- Como a ponte liga dois sistemas de extensões
- O que os exemplos demonstram e o que não demonstram
- Uma rápida sucessão de versões
- Criação de plugins mais acessível
- Melhorias práticas no diagnóstico e na implementação
- Os autores de extensões terão de fazer adaptações
- Por que razão a DeepSeek aposta numa arquitetura de plugins
- A automodificação é um objetivo de investigação, não uma capacidade concluída
- Principais pontos
Esta distinção define a atualização. A DeepSeek está a testar se a arquitetura de plugins do Harness consegue expressar as capacidades disponibilizadas pelos Claude Code Mods, em vez de prometer que os programadores podem transferir todas as extensões entre as duas aplicações sem alterações. Os mods têm de usar o mecanismo de carregamento do DeepSeek Harness e, na ponte experimental, são executados sem isolamento.
As notas oficiais da versão atribuem a camada de compatibilidade a @tianyicui, a conta de Cui Tianyi, responsável pela equipa do Harness. As notas explicam o objetivo da experiência:
Nesta fase, o principal objetivo é verificar se as capacidades da API dos Claude Code Mods são, em geral, um subconjunto do que os plugins do DeepSeek Harness conseguem fazer, e não oferecer aos utilizadores uma compatibilidade completa e prática.
A versão também acrescenta uma forma mais visível de pedir a um agente que crie plugins, ferramentas opcionais para inspecionar sessões, melhorias na implementação e correções relacionadas com dependências dos plugins. Algumas alterações obrigam os autores de extensões a atualizar o código. Em conjunto, estas novidades fazem da versão alfa um teste à portabilidade das extensões e uma versão de manutenção para uma aplicação cada vez mais organizada em torno de plugins.
Um harness é o software que envolve um modelo de linguagem de grande dimensão e gere ferramentas, sessões, ficheiros e execução de tarefas. O modelo fornece raciocínio e texto ou código gerados; o harness determina como esse trabalho é realizado.
Como a ponte liga dois sistemas de extensões
Os Claude Code Mods são manipuladores de eventos em JavaScript ou TypeScript que são executados na aplicação de programação. Podem reagir quando um utilizador envia um pedido, quando um agente chama uma ferramenta ou quando a aplicação desenha a interface. Consoante a interface disponibilizada, um mod pode observar uma ação, alterá-la ou assumir o controlo dessa etapa.
A ponte da DeepSeek envolve a função de registo de um mod e integra-o como plugin do Harness. Os seus hooks são associados ao sistema de eventos e ao ciclo de vida do Harness, isto é, à sequência em que os componentes arrancam, funcionam e param. O DeepSeek Harness usa o Cordis, uma framework para criar software a partir de serviços, dependências e subscrições de eventos.
Através da ponte, os mods suportados podem controlar chamadas a ferramentas, reescrever pedidos, acrescentar comandos e ferramentas, ler informações da sessão e apresentar uma faixa acima da caixa de texto do pedido. Estas alterações afetam o comportamento e a interface da aplicação do agente, não se limitando a indicar a um modelo como deve responder.
A palavra subconjunto refere-se ao âmbito dessas capacidades de programação. A DeepSeek quer saber se as operações disponibilizadas aos autores de mods para o Claude Code podem ser representadas no seu sistema de plugins, mais abrangente. É uma afirmação mais limitada do que provar que todas as extensões se comportam de forma idêntica e não demonstra que o modelo de uma aplicação é mais capaz do que o da outra.
O que os exemplos demonstram e o que não demonstram
Os três exemplos executáveis testam diferentes partes da ponte. O Token Weather apresenta o consumo de contexto como uma previsão meteorológica. O contexto é a informação que um modelo pode usar durante uma tarefa, incluindo instruções, conversas e resultados de ferramentas. A apresentação dá aos utilizadores uma indicação visual da capacidade já consumida.
O Blast Radius mostra o provável efeito de um comando arriscado antes da execução, dando ao utilizador a oportunidade de decidir se quer avançar. O Replay Theater permite percorrer as alterações feitas aos ficheiros. Em conjunto, os exemplos testam a apresentação na interface, a intervenção antes da execução de ferramentas e o acesso ao histórico de alterações.
Estes exemplos demonstram de forma concreta que extensões úteis podem ser adaptadas entre as aplicações. Não demonstram que a API dos Claude Code Mods seja totalmente suportada. Os quatro exemplos assinalados como não executáveis dependem de capacidades que a ponte ainda não liga, incluindo o painel /diff e o comportamento de análise do agents.md.
Há também limitações no processo de instalação. Não basta copiar um mod do Claude Code para o Harness e esperar que funcione. É necessário carregá-lo através da configuração do Harness. Mesmo uma extensão cujos principais hooks sejam suportados poderá exigir alterações ao registo, às suposições sobre o estado da sessão ou à apresentação.
A ausência de isolamento merece particular atenção. O isolamento é uma barreira destinada a limitar aquilo a que o código em execução pode aceder ou que pode afetar. Os utilizadores não devem interpretar a compatibilidade bem-sucedida como uma certificação de segurança, e a versão não promete que os mods adaptados sejam executados num ambiente isolado.
Uma rápida sucessão de versões
A experiência de compatibilidade chegou quatro dias depois da versão de antevisão v0.2, de 29 de setembro, que introduziu instaladores para macOS e Windows e uma página de gestão de plugins. Seguiu-se à apresentação dos Claude Code Mods pela Anthropic, no início de outubro, e foi publicada durante o feriado do Dia Nacional da China.
A sequência mostra a rapidez com que o projeto passou da primeira versão de antevisão para programadores à distribuição para computadores e às experiências com extensões:
- Março de 2026: Foi criada a equipa Agent Harness da DeepSeek e Cui Tianyi juntou-se à empresa.
- 13 de agosto: A versão de antevisão v0.1 para programadores foi disponibilizada a programadores de todo o mundo, com o código-fonte publicado sob a licença MIT.
- 29 de setembro: A versão de antevisão v0.2 introduziu instaladores para macOS e Windows e um gestor gráfico de plugins.
- 3 de outubro: A versão v0.2.1-alpha.1 acrescentou a ponte experimental para os Claude Code Mods.
- 4 de outubro: Cui explicou publicamente o objetivo e os limites da experiência, bem como a sua ligação aos objetivos de investigação da equipa.
O lançamento de agosto atraiu mais de 70 000 estrelas no GitHub em menos de 24 horas. Esse número mede a atenção despertada pelo repositório, não a utilização ativa, a implementação bem-sucedida ou a fiabilidade dos plugins. A versão posterior para computadores abordou outra questão: permitir o acesso à aplicação e às suas extensões sem exigir que todos os utilizadores trabalhem através da linha de comandos.
Criação de plugins mais acessível
A nova opção de gestão de plugins chama-se «Let Agent create a plugin» nas notas oficiais da versão. Abre o modo Creator preservando o rascunho e só inicia o trabalho depois de o utilizador enviar o pedido. Esta separação é importante porque entrar no ecrã de criação não autoriza, por si só, o agente a começar a desenvolver.
O modo Creator já permite que um agente escreva e instale plugins com base nos requisitos do utilizador. A nova opção torna esse fluxo de trabalho mais fácil de encontrar na interface de gestão. A versão também suporta pedidos iniciais que permanecem por enviar em novas sessões e preserva referências a ficheiros, pastas e sessões quando os rascunhos são restaurados ou movidos entre espaços de trabalho.
A versão de antevisão para computadores de setembro já tinha introduzido a instalação pelo nome do pacote npm. O npm é um registo de pacotes muito usado para software JavaScript. A partir da mesma página, os utilizadores podiam instalar, desativar e desinstalar plugins, bem como consultar as respetivas descrições e origens.
A DeepSeek afirmou que cerca de 60% dos utilizadores do Harness usam plugins de terceiros, segundo uma medição feita entre os utilizadores da sua API oficial de modelos. Esta ressalva é importante: o valor descreve esse grupo, não necessariamente todas as pessoas que executam a framework com qualquer fornecedor de modelos. Por outras palavras, cerca de seis em cada dez utilizadores desse grupo recorrem a extensões externas.
A equipa planeia criar um mercado oficial de plugins e melhorar a descoberta, obtenção e gestão de extensões. Não foi anunciada uma data de lançamento. Entretanto, a versão alfa mais recente melhora as informações sobre os pacotes, apresentando de forma mais clara a origem do código e a versão atual.
Melhorias práticas no diagnóstico e na implementação
Um conjunto opcional de ferramentas para programadores acrescenta registos de sessão em bruto, navegação nos dois sentidos entre grupos de conversas e a conversa, e diagnósticos do Host integrados. A interface integrada está atualmente em inglês. Estas ferramentas dão aos programadores mais informação para rastrear o comportamento dos agentes e investigar falhas.
A versão acrescenta a opção --public-url, que permite especificar o endereço web apresentado aos utilizadores, aberto no navegador e fornecido ao modelo. Suporta endereços por trás de um proxy inverso, incluindo os que têm um prefixo de caminho. Um proxy inverso encaminha pedidos recebidos para uma aplicação que pode estar a funcionar noutro endereço interno; por isso, disponibilizar o endereço público correto ajuda a manter coerentes a navegação dos utilizadores e as instruções dadas ao modelo.
No Windows, a aplicação para computadores passa a deixar que o sistema operativo atribua a porta por predefinição. A medida pretende evitar falhas no arranque provocadas por intervalos de portas reservados. A atualização também distingue os pedidos de início de sessão sem resposta de outras falhas de autenticação, apresentando uma mensagem para verificar a rede.
Outras correções abrangem mensagens em fila após várias interrupções e retomas de uma tarefa, a apresentação de resultados e alterações em operações de Bash, PowerShell e ficheiros, e a edição de objetivos com várias linhas através de Shift+Enter. As pré-visualizações Markdown passam a apresentar os cabeçalhos YAML como campos legíveis. O cabeçalho é um conjunto de metadados estruturados no início de um documento, frequentemente usado para propriedades como o título ou a configuração.
Estas alterações são menos visíveis do que a experiência de compatibilidade, mas respondem às necessidades quotidianas de quem executa agentes: iniciar a aplicação, preservar um pedido, inspecionar o que um comando fez e perceber por que razão uma tarefa falhou.
Os autores de extensões terão de fazer adaptações
A versão alfa inclui alterações que podem fazer com que extensões existentes deixem de funcionar. Os plugins de invariantes do runtime e as exportações package ./invariant foram removidos. As extensões e os perfis personalizados que usam esses pontos de entrada de diagnóstico têm de ser atualizados.
As estatísticas do Composer passam a estar divididas em entradas de extensão separadas para atividade e utilização. Os plugins que substituíam a antiga linha de estatísticas têm de atualizar os IDs registados. Os plugins de subcaminho também deixam de obter informações de apresentação a partir de ficheiros package.json separados; o texto e os ícones têm de vir das exportações do subcaminho correspondente.
A gestão de dependências recebe várias correções. Ativar um novo conjunto de extensões já não deverá deixar dependências em falta, enquanto desativar ou desinstalar conjuntos já não deverá deixar associações de dependências desatualizadas. A substituição da versão de um pacote instalado continua a exigir um reinício, uma limitação explícita da possibilidade atual de alterar componentes com a aplicação em execução.
Uma correção da interface impede que a ativação ou desativação de um plugin remova estilos pertencentes a outros plugins até à atualização da página. As tarefas de automatização passam também a fazer parte do Web, com ferramentas de lembrete disponíveis nos modos Standard, Creator e PTC, mas não no modo Minimal nem nos subagentes. As tarefas existentes são preservadas quando são removidas as seleções de conjuntos experimentais descontinuados.
Por que razão a DeepSeek aposta numa arquitetura de plugins
Cui afirma que o princípio de que tudo é um plugin foi estabelecido antes de o projeto começar a escrever código. Na sua descrição, modelos, ferramentas, competências, sessões, ambientes isolados, sistemas de ficheiros, o ciclo de execução do agente, a coordenação de tarefas e a interface podem ser combinados, substituídos ou alargados.
Esta ambição vai além de suportar um espaço para extensões numa aplicação fixa. Procura permitir que utilizadores e programadores alterem muitas das partes do sistema que executa o trabalho de um modelo. Cui saudou os Claude Code Mods como uma abordagem engenhosa à extensibilidade depois de Boris Cherny, responsável pelo Claude Code, os ter anunciado, distinguindo ao mesmo tempo o objetivo arquitetónico mais abrangente da DeepSeek.
Cui aponta a implementação empresarial como outra utilização dos plugins. Os programadores criaram plugins do Harness específicos para vários setores, com vista à criação de ambientes de trabalho de IA que ligam infraestruturas empresariais e incorporam fluxos de trabalho especializados. Alguns desses plugins não foram divulgados publicamente. Cui afirma que a equipa apoia esse modelo no âmbito da framework licenciada sob a MIT.
A distinção está entre uma base aberta e as extensões construídas sobre ela. As empresas podem usar a framework partilhada, mantendo nas suas extensões integrações proprietárias ou conhecimento específico do setor. Os relatos não identificam essas implementações nem apresentam números sobre a sua dimensão ou resultados.
Cui defende também que reproduzir o Claude Code ou o Codex acrescentaria pouco valor, uma vez que os utilizadores já podem ligar modelos da DeepSeek a essas aplicações. O objetivo que descreve é criar trabalho original que influencie a conceção dos harnesses para agentes, incluindo inovações que as grandes empresas de IA reconheçam e adotem.
A automodificação é um objetivo de investigação, não uma capacidade concluída
O objetivo a mais longo prazo é permitir que os agentes alterem o seu próprio harness através de plugins enquanto estão em execução. Cui descreve o modo Creator como um primeiro passo nessa direção, não como prova de que a melhoria autónoma já foi alcançada.
Identifica duas áreas distintas de trabalho ainda por concluir. A engenharia tem de melhorar a capacidade de adicionar, remover e recarregar plugins durante a execução. A investigação em modelos tem de ensinar aos agentes que o harness pode ser modificado e como usar essas alterações para melhorar o seu trabalho. O Cordis fornece uma base, mas subsistem dificuldades práticas de engenharia.
A equipa está a recrutar investigadores com experiência em investigação e treino de modelos de grande dimensão para prosseguir esse trabalho. Cui afirma que dedica uma parte substancial do seu próprio tempo ao recrutamento e às entrevistas. A sua formação inclui estudos de ciências da computação na Universidade de Zhejiang, seis medalhas de ouro em competições regionais da ACM na Ásia e nove anos na Jane Street antes de se juntar à DeepSeek, em março de 2026.
Não foram divulgados métodos de treino específicos, ganhos mensuráveis resultantes da automodificação dos agentes ou prazos para uma compatibilidade completa com os Mods. Cui afirma que uma compatibilidade mais abrangente poderá ser tecnicamente possível se a equipa decidir que o investimento se justifica. Trata-se de uma avaliação condicional, não de um compromisso com uma data de lançamento.
O resultado imediato é, por isso, concreto, mas limitado: três exemplos executáveis mostram que alguns plugins do Claude Code podem ser adaptados ao Harness, enquanto os mods não suportados, as alterações ao carregamento e os requisitos de migração definem o trabalho ainda por fazer. A experiência testa uma ideia arquitetónica; ainda não oferece um ecossistema universal de extensões.
Principais pontos
- O DeepSeek Harness v0.2.1-alpha.1 foi lançado a 3 de outubro de 2026 com uma camada experimental de compatibilidade com os Claude Code Mods.
- Token Weather, Blast Radius e Replay Theater são exemplos executáveis; diff, agents-md, sec-default e telemetry não podem atualmente ser executados.
- A experiência testa se as capacidades da API dos Mods se enquadram nos plugins do Harness, em vez de oferecer compatibilidade prática total.
- Os mods têm de ser adaptados ao mecanismo de carregamento do Harness e são executados sem isolamento.
- A atualização acrescenta uma opção para criar plugins, ferramentas de diagnóstico opcionais, melhorias na implementação e alterações que obrigam a migrar algumas extensões.
- Cerca de 60% dos utilizadores abrangidos pela medição feita através da API oficial de modelos da DeepSeek usam plugins de terceiros.
- Não foram anunciadas datas para a compatibilidade total, o mercado oficial de plugins ou a conclusão da investigação sobre automodificação dos agentes.






