Polícia tailandesa detém 11 pessoas em investigação sobre imóveis de luxo que abrange 94 casas avaliadas em 6 mil milhões de baht

14 min de leitura
Thai Police Arrest 11 in Luxury Property Probe Covering 94 Homes Worth 6 Billion Baht

Casas de luxo e registos de empresas no centro de buscas em Banguecoque

A polícia tailandesa deteve 11 cidadãos estrangeiros após buscas em 17 locais, em quatro empreendimentos residenciais de luxo, no âmbito de uma investigação que envolve 94 casas, 95 empresas e imóveis avaliados em cerca de 6 mil milhões de baht. Os investigadores identificaram 156 cidadãos tailandeses como possíveis accionistas nominais, incluindo pessoas que afirmaram que documentos apresentados para pedir empréstimos online foram usados para registar empresas sem o seu conhecimento.

Índice
  1. Casas de luxo e registos de empresas no centro de buscas em Banguecoque
  2. Como se distribuem os 6 mil milhões de baht
  3. O que a polícia entende por propriedade nominal
  4. Uma compra em dinheiro e versões divergentes sobre as viagens de um suspeito
  5. Outros suspeitos ligados a processos estrangeiros e mandados tailandeses
  6. Accionistas tailandeses dizem que documentos para empréstimos foram reutilizados
  7. Sociedades de advogados, agentes e rendas sob investigação
  8. Cronologia dos processos e da campanha de fiscalização
  9. Rastreio financeiro e conclusões sobre a propriedade ainda pendentes
  10. Principais pontos

A operação, datada de 10 de outubro de 2026, foi a oitava fase de uma campanha contra a suspeita de aquisição ilegal de imóveis por estrangeiros. O chefe da polícia nacional, general Samran Nualma, liderou mais de 100 agentes, acompanhado pelo chefe do Departamento de Imigração, tenente-general Nopasin Poolsawat, e por altos responsáveis da polícia metropolitana e da polícia científica. Entre os detidos estão 10 cidadãos chineses e um norte-americano.

A polícia tinha 86 mandados de detenção contra suspeitos estrangeiros. A investigação mais ampla abrange 96 suspeitos estrangeiros e 95 processos; estes números referem-se à investigação, não ao número de pessoas detidas durante as buscas. As autoridades estão a analisar imóveis nas zonas de Bang Na-Suan Luang, Bang Na-Wongwaen, também referida como Bang Na-Kanchanaphisek ou zona da Circular Exterior, Rama IX-Srinakarin e Krungthep Kreetha.

O caso começou com informações da embaixada chinesa na Tailândia sobre três pessoas procuradas pelas autoridades chinesas. Os investigadores analisaram depois os registos de empresas e de terrenos, em coordenação com as administrações locais, o Departamento de Desenvolvimento Empresarial, o Departamento de Terras e o Departamento das Receitas.

A polícia alega que compradores estrangeiros recorreram a empresas com accionistas tailandeses detentores de 51% e accionistas estrangeiros detentores de 49% para adquirir casas e terrenos que não podiam possuir directamente. Samran afirmou que alguns suspeitos usavam a Tailândia como refúgio e para guardar património, em vez de explorarem empresas de forma genuína. A polícia alertou também que os imóveis não faziam necessariamente parte de uma única rede interligada.

Publicidade

Como se distribuem os 6 mil milhões de baht

A análise detalhada aponta para a maior concentração do valor imobiliário em Krungthep Kreetha. As suas 35 casas estão avaliadas em cerca de 2,8 mil milhões de baht, quase 47% do total de 6 mil milhões. Nos quatro empreendimentos, os investigadores identificaram os seguintes alvos:

  • Bang Na-Suan Luang: 11 empresas detentoras de 11 casas, avaliadas em cerca de 550 milhões de baht, com um capital social registado conjunto de 50 milhões de baht. Os preços anunciados para as casas no empreendimento variavam entre 27 milhões e 55 milhões de baht.
  • Bang Na-Wongwaen: 19 empresas detentoras de 19 casas, avaliadas em cerca de 1,05 mil milhões de baht, com um capital social registado conjunto de 145,5 milhões de baht. Os preços anunciados variavam entre 39,9 milhões e 52,5 milhões de baht.
  • Rama IX-Srinakarin: 30 empresas detentoras de 29 casas, avaliadas em cerca de 1,6 mil milhões de baht, com um capital social registado conjunto de 774 milhões de baht. Os preços anunciados variavam entre 50 milhões e 69 milhões de baht.
  • Krungthep Kreetha: 35 empresas detentoras de 35 casas, avaliadas em cerca de 2,8 mil milhões de baht, com um capital social registado conjunto de 1,6567 mil milhões de baht. Os preços anunciados variavam entre 77 milhões e 98 milhões de baht.

As quatro estimativas somam exactamente 6 mil milhões de baht, embora várias notícias indiquem que os activos valem mais do que esse montante. A área total de terrenos indicada na análise detalhada é de 33 rai, 2 ngan e 70,9 square wah, aproximadamente 5,39 hectares. Rai, ngan e square wah são unidades tailandesas de medição de terrenos.

O capital social registado é o montante que consta dos documentos de registo das empresas; não comprova quanto dinheiro os accionistas efectivamente investiram nem a origem dos fundos usados na compra dos imóveis. A diferença entre esses registos e os valores imobiliários estimados, muito superiores, coloca questões financeiras distintas aos investigadores, mas não comprova, por si só, qualquer irregularidade.

O que a polícia entende por propriedade nominal

Um accionista nominal é alguém cujo nome figura como proprietário por conta de outra pessoa. Nesta investigação, a polícia suspeita que alguns accionistas tailandeses não tinham qualquer investimento ou participação genuínos, enquanto os compradores estrangeiros controlavam as empresas e os respectivos imóveis.

A estrutura alegada, com 51% de participação tailandesa e 49% estrangeira, fazia com que as empresas parecessem maioritariamente tailandesas no papel. Essa divisão, por si só, não prova a existência de um crime. A questão central é saber se os accionistas tailandeses eram participantes genuínos ou se os seus nomes foram usados para ocultar a verdadeira estrutura de propriedade.

Os fundamentos jurídicos referidos na investigação incluem os artigos 86.º e 111.º do Código Fundiário da Tailândia, relativos à aquisição ilegal de terrenos por estrangeiros. A pena máxima indicada é de dois anos de prisão, uma multa até 20 000 baht, ou ambas. A polícia tem de apurar os factos relativos a cada estrutura, em vez de considerar ilegal toda e qualquer empresa com accionistas estrangeiros.

Publicidade

Uma compra em dinheiro e versões divergentes sobre as viagens de um suspeito

Um dos principais suspeitos é identificado em diferentes notícias como Li Chao, Chao ou Zhao. A polícia relacionou-o com um caso de homicídio na China que envolveu três mortes em Ulanhot, a 30 de janeiro de 2018. Uma das versões afirma que os homicídios estavam relacionados com um litígio sobre jogo online. As notícias referem também um Aviso Vermelho da Interpol relativo ao suspeito, que constitui um pedido para localizar e deter provisoriamente uma pessoa procurada, não uma declaração de culpa.

A polícia revistou uma residência em Krungthep Kreetha associada ao suspeito. Este terá dito aos investigadores que comprou um imóvel por 43 milhões de baht, em dinheiro, em 2022, depois de ter sido apresentado a um agente e aconselhado a usar uma empresa. Os investigadores relacionaram-no também com uma empresa detentora de um imóvel em Rama IX-Srinakarin, onde os preços anunciados das casas variavam entre 50 milhões e 69 milhões de baht. As notícias divergem quanto à residência que corresponde à compra de 43 milhões de baht.

As versões sobre as suas viagens também diferem. Uma situa a sua primeira entrada na Tailândia em 2017 e afirma que obteve mais tarde um passaporte cambojano por 85 000 dólares, cerca de 2,8 milhões de baht. Outra refere viagens pelo Camboja e pelo Sri Lanka antes de entrar na Tailândia durante a pandemia de Covid. Outras notícias dizem que viajou para Melbourne e Zurique antes de se fixar na Tailândia. Estas versões não estabelecem uma sequência única confirmada.

A polícia alega que existem ligações a operações de jogo ou burla em Myawaddy e Shwe Kokko, em Myanmar, e está a investigar possíveis ligações a Sihanoukville, no Camboja. As notícias divergem quanto à resposta do suspeito: uma afirma que admitiu ligações ao jogo, outra diz que se recusou a responder a uma pergunta sobre a exploração de um escritório de burlas e uma terceira refere que negou ligações a redes de burla. São alegações distintas e não devem ser interpretadas como uma confissão de fraude online.

Outros suspeitos ligados a processos estrangeiros e mandados tailandeses

Duas outras pessoas identificadas através da embaixada chinesa tinham passaportes de vários países. O homem identificado como Gui em algumas notícias e Chen noutras terá passaportes chinês, turco e cambojano. A polícia afirmou que era procurado por fraude e por induzir pessoas a atravessar ilegalmente as fronteiras, na província de Zhejiang, em abril de 2024. A notícia mais detalhada indica o dia 23 de abril e situa o caso no condado de Jingning, em Lishui, enquanto outra refere Jinyun.

Um segundo homem, identificado como Jian ou Jiang, terá passaportes chinês e de São Cristóvão e Neves. A polícia relacionou-o com um alegado caso de fraude online na província de Henan, em dezembro de 2024; a notícia mais detalhada indica o dia 4 de dezembro. Ambos foram descritos como sócios de empresas associadas a imóveis em Krungthep Kreetha e, segundo as notícias, foram detidos ao abrigo de mandados.

Os investigadores identificaram ainda um sócio de uma empresa chamado Lin em algumas notícias e Liu noutras, relacionado com um imóvel em Rama IX-Srinakarin e com alegações de fraude online organizada. A notícia mais detalhada refere um Aviso Vermelho datado de 3 de março de 2024, associado às autoridades de Bengbu, na província de Anhui. Bai, relacionado com um imóvel em Krungthep Kreetha, terá sido alvo de um Aviso Vermelho datado de 19 de agosto de 2022, relativo a alegada fraude online organizada em Taiyuan, na província de Shanxi.

Huang, sócio de uma empresa associado a um imóvel em Bang Na-Wongwaen, era procurado ao abrigo de um mandado do Tribunal Criminal de Phra Khanong, datado de 25 de maio de 2023. As alegações divulgadas incluem importação de mercadorias sem desalfandegamento, ocultação ou recepção de mercadorias relacionadas com infracções aduaneiras, envolvimento numa sociedade criminosa secreta e aquisição ilegal de terrenos por estrangeiros. As divergências nos nomes referidos significam que estas identidades abreviadas não podem ser consideradas nomes completos verificados de forma independente.

Publicidade

Accionistas tailandeses dizem que documentos para empréstimos foram reutilizados

Os 156 cidadãos tailandeses identificados como possíveis accionistas nominais estão a ser interrogados para se apurar como é que os seus nomes foram parar aos registos das empresas. Vários terão afirmado que entregaram cópias dos cartões de identidade e dos registos de residência ao pedir empréstimos online, sem saber que os documentos seriam usados para constituir empresas.

Uma pessoa relacionada com Chao afirmou que entregou documentos para pedir um empréstimo online em 2022. Mais tarde, soube que um mandado de detenção a associava a acções no valor de 400 milhões de baht. O valor indicado para as acções é distinto da compra do imóvel por 43 milhões de baht e não prova que a pessoa tenha efectivamente investido qualquer um dos montantes.

Algumas pessoas afirmaram que nunca tinham conhecido os accionistas estrangeiros que figuravam ao seu lado. A polícia disse que procuraria garantir um tratamento justo a quem tivesse sido envolvido sem o saber. Os seus relatos estão a ser investigados e não são considerados explicações comprovadas para todas as empresas.

Esta distinção é importante para os processos. Ceder conscientemente o nome para ocultar a propriedade é diferente de ver documentos pessoais utilizados sem consentimento. Os investigadores estão a apurar quem recolheu os documentos, quem preparou os registos das empresas e se os accionistas identificados compreenderam ou autorizaram os registos.

Sociedades de advogados, agentes e rendas sob investigação

A polícia identificou oito sociedades de advogados ou empresas intermediárias suspeitas de organizarem estruturas empresariais para a compra de imóveis. Entre as mencionadas estão empresas que operam em Ram Inthra, Saphan Sung e Bang Phli. Os investigadores afirmaram que tinham sido iniciados procedimentos contra empresas suspeitas de apoiar as alegadas infracções, enquanto a possível participação de advogados de relevo ou de outras figuras públicas continuava sob investigação.

O percurso de compra alegado passava por agentes imobiliários e empresas do sector que encaminhavam compradores estrangeiros para escritórios de advogados. A polícia está a investigar se esses escritórios recrutavam accionistas nominais ou promoviam a constituição de empresas para contornar as restrições à propriedade de terrenos. Também estão a ser investigados gabinetes de contabilidade quando existem indícios da sua participação.

Os agentes apreenderam documentos de registo de empresas, documentos contabilísticos, computadores, telemóveis e dados electrónicos. Samran afirmou que as provas digitais ajudariam a identificar quem preparou os documentos, coordenou as estruturas e registou as empresas. Esses registos poderão ajudar a distinguir compras individuais de estruturas que envolveram os mesmos prestadores de serviços.

As notícias divergem quanto ao arrendamento. Uma refere que três ou quatro casas em Rama IX-Srinakarin eram arrendadas por 350 000 baht por mês, enquanto outras eram arrendadas por 50 000 ou 40 000 baht. Outra menciona três imóveis com esses valores de renda, respectivamente. As versões também diferem entre rendas em atraso e rendas que ninguém cobrava há três a cinco meses. A polícia suspeita que alguns proprietários deixaram a Tailândia depois de acompanharem anteriores operações de fiscalização, mas os relatos sobre as rendas não permitem determinar quantos fugiram.

Publicidade

Cronologia dos processos e da campanha de fiscalização

A mais recente investigação imobiliária reúne alegações e mandados que remontam a vários anos. As principais datas divulgadas são:

  • 2017: Li Chao terá entrado pela primeira vez na Tailândia.
  • 30 de janeiro de 2018: O caso de homicídio na China que envolveu três mortes ocorreu em Ulanhot.
  • 2022: Chao terá comprado um imóvel na Tailândia por 43 milhões de baht, em dinheiro. Um accionista tailandês relacionado com ele afirmou que pediu um empréstimo online nesse ano.
  • 19 de agosto de 2022: Data do Aviso Vermelho relativo a Bai, segundo as notícias.
  • 25 de maio de 2023: Foi emitido o mandado do Tribunal Criminal de Phra Khanong relativo a Huang.
  • De março a dezembro de 2024: Foram datados o Aviso Vermelho relativo a Lin e as alegadas infracções envolvendo Gui e Jian.
  • 15 de agosto de 2026: Uma fase anterior da campanha imobiliária teve como alvo Koh Samui, na província de Surat Thani.
  • 10 de outubro de 2026: A oitava fase abrangeu 17 locais associados a quatro empreendimentos de luxo em Banguecoque e resultou em 11 detenções.

As sete fases anteriores abrangeram 297 empresas e 309 parcelas de terreno, com terrenos e edifícios avaliados em cerca de 3,039 mil milhões de baht. As autoridades anunciaram 118 detenções e sentenças com penas em 20 processos.

A estimativa de 6 mil milhões de baht para a fase mais recente é quase o dobro do valor de 3,039 mil milhões de baht indicado para as sete fases anteriores em conjunto. Esta comparação mostra a concentração do valor estimado nas casas de Banguecoque, mas não significa que as alegações mais recentes tenham sido provadas nem que todos os activos tenham sido confiscados definitivamente.

Rastreio financeiro e conclusões sobre a propriedade ainda pendentes

O Gabinete de Luta contra o Branqueamento de Capitais está envolvido devido ao valor dos activos e ajudará a rastrear os fundos associados à compra dos imóveis. O trabalho seguinte inclui apurar a origem do dinheiro usado nas compras, se este pode ser relacionado com alegada actividade criminosa e quem controlava efectivamente as empresas.

As notícias descrevem os imóveis como apreendidos, congelados ou visados para apreensão e congelamento. Uma restrição temporária sobre um activo não equivale a uma decisão definitiva de confisco. Segundo as informações públicas, a situação de cada uma das 94 casas ainda não foi estabelecida individualmente.

Espera-se que a Polícia Metropolitana trabalhe com a Região 1 da Polícia Provincial e com o centro policial responsável pelo crime transnacional e pela imigração ilegal para concluir os 95 processos. As autoridades estão também a coordenar-se com responsáveis chineses e a ponderar investigações a outros empreendimentos de luxo, em particular a compras em dinheiro e a estruturas de propriedade suspeitas.

Não foram anunciadas datas para audiências, conclusão da investigação financeira ou decisões definitivas sobre os imóveis. As principais questões por resolver são saber quais os accionistas tailandeses que participaram conscientemente, que prestadores de serviços apoiaram estruturas ilegais, se os fundos usados nas compras provinham de crimes e se os imóveis pertencem a grupos distintos ou a uma operação interligada.

Publicidade

Principais pontos

  • A polícia fez buscas em 17 locais e deteve 10 cidadãos chineses e um norte-americano na oitava fase de uma campanha sobre propriedade imobiliária.
  • A investigação abrange 94 casas, 95 empresas, 96 suspeitos estrangeiros e 95 processos, com imóveis avaliados em cerca de 6 mil milhões de baht.
  • Krungthep Kreetha representa 2,8 mil milhões de baht, quase 47% do valor imobiliário detalhado.
  • Os investigadores identificaram 156 cidadãos tailandeses como possíveis accionistas nominais; alguns afirmam que documentos entregues para pedir empréstimos online foram usados sem o seu conhecimento.
  • Oito sociedades de advogados ou empresas intermediárias são suspeitas de organizarem estruturas empresariais; gabinetes de contabilidade e agentes imobiliários também estão sob investigação.
  • O rastreio financeiro, as decisões sobre cada activo e as conclusões sobre a participação dos accionistas continuam pendentes.
Partilhar este artigo

Também pode gostar