Indonésia reabre aeroportos após erupção do Anak Krakatau deixar 340.000 passageiros retidos

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Indonésia reabre aeroportos após erupção do Anak Krakatau deixar 340.000 passageiros retidos

Voos retomam após dois dias de perturbação

A Indonésia começou a reabrir cinco aeroportos depois da meia-noite de terça-feira, na sequência de uma erupção vulcânica que perturbou quase 3.000 voos e deixou mais de 340.000 passageiros retidos em todo o país.

Índice
  1. Voos retomam após dois dias de perturbação
  2. Passageiros enfrentam longas filas e planos de viagem incertos
  3. Porque é que as cinzas vulcânicas fecham aeroportos
  4. Companhias aéreas redirecionam aeronaves à medida que os aeroportos reabrem
  5. Conselhos de saúde quando as cinzas chegam a zonas povoadas
  6. As autoridades alertam que são possíveis novas erupções
  7. O risco vulcânico mais amplo da Indonésia
  8. O que os viajantes devem saber durante perturbações causadas por cinzas
  9. O essencial

O Anak Krakatau, localizado no estreito de Sunda, entre Java e Sumatra, começou a entrar em erupção na noite de sexta-feira. Fontes de lava ergueram-se do vulcão enquanto as cinzas se espalhavam por partes de Lampung, do oeste de Java e do espaço aéreo em torno de Jacarta. A atividade contínua forçou os aeroportos a suspender operações, enquanto as companhias aéreas avaliavam se as aeronaves podiam descolar e aterrar em segurança.

O Aeroporto Internacional Soekarno Hatta, o principal centro de aviação de Jacarta, foi o primeiro a suspender voos na manhã de domingo. Retomou as operações às 00:30, hora local, de terça-feira, ou às 18:30 GMT de segunda-feira, depois de as autoridades terem realizado as verificações finais. Outros aeroportos também estavam a reabrir por fases, embora as companhias aéreas tenham avisado que cancelamentos e atrasos podiam continuar enquanto as aeronaves e as tripulações eram reposicionadas.

Relatórios do Ministério dos Transportes da Indonésia apontavam para cerca de 270.000 passageiros afetados numa determinada fase, enquanto números posteriores relativos a voos cancelados, atrasados e desviados elevaram o total para mais de 340.000. A diferença reflete cálculos em mudança à medida que a perturbação continuava e mais voos eram afetados.

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Passageiros enfrentam longas filas e planos de viagem incertos

No Soekarno Hatta, formaram-se longas filas nos salões de partidas enquanto os viajantes procuravam reembolsos, bilhetes alternativos e informações junto das companhias aéreas. Alguns passageiros aguardavam atualizações nos ecrãs do aeroporto, enquanto outros organizavam longas viagens por estrada, comboio ou ferry para chegar a aeroportos fora da área afetada pelas cinzas.

Finna, uma passageira de 46 anos que viajava para casa, para Jacarta, vinda de Malang, em Java Oriental, descreveu um terminal lotado depois de os voos terem sido repetidamente remarcados. Acabou por passar a noite em dois comboios interurbanos e chegou a Jacarta por volta das 03:00 de segunda-feira.

Disse à BBC Indonésia que aos passageiros de voos da manhã se tinham juntado pessoas com viagem marcada para mais tarde naquele dia, deixando muitos incertos sobre se os seus voos iriam operar. O seu relato refletia a confusão causada quando as companhias aéreas não conseguem indicar horários de partida definitivos, porque as cinzas vulcânicas podem deslocar-se rapidamente com a mudança dos ventos.

O viajante canadiano Michael Bociurkiw descreveu um cenário mais calmo no Soekarno Hatta, com funcionários do aeroporto a distribuir água e lanches e balcões das companhias aéreas a oferecer reembolsos ou novas reservas. Os viajantes que optaram por não esperar foram aconselhados a considerar o Aeroporto de Juanda, perto de Surabaya, a várias horas de estrada, ou aeroportos noutras partes da Indonésia.

Um casal da Malásia em lua de mel em Bali enfrentou um problema semelhante depois de lhe ter sido dito que o seu próximo voo para Kuala Lumpur poderia não operar durante vários dias. Amir Hamzah, 29 anos, disse que o casal tinha planeado partir no dia em que o seu voo foi cancelado e que tinha levado dinheiro suficiente para umas férias curtas, não para uma estadia prolongada.

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Porque é que as cinzas vulcânicas fecham aeroportos

As cinzas vulcânicas são compostas por minúsculos fragmentos de rocha, vidro e minerais. São perigosas para as aeronaves porque as partículas podem entrar nos motores a reação, derreter nas secções de alta temperatura e depois endurecer nas pás das turbinas. Isto pode reduzir a potência do motor ou provocar a falha de um motor.

As cinzas também podem danificar para-brisas, interferir com sensores e reduzir a visibilidade durante a descolagem e a aterragem. Por essa razão, os aeroportos podem fechar mesmo quando o vulcão está a muitos quilómetros de distância. A decisão depende da altura e da densidade da nuvem de cinzas, da direção do vento, das condições meteorológicas e das rotas utilizadas pelas aeronaves à chegada e à partida.

A agência meteorológica da Indonésia, BMKG, informou que as cinzas atingiram cerca de 6.000 metros no lado de Java do Anak Krakatau. No lado de Sumatra e sobre partes da província de Banten, a pluma subiu até 15.000 metros. Estas alturas colocaram as cinzas em corredores aéreos utilizados por voos domésticos e internacionais.

O ministro dos Transportes, Dudy Purwagandhi, disse que as autoridades aeroportuárias estavam a realizar testes a cada 30 minutos para determinar se a nuvem de cinzas estava a expandir-se ou a enfraquecer. Acrescentou que o momento da reabertura não podia ser fixado com antecedência porque as condições meteorológicas estavam a mudar.

Não podemos determinar quando isto terminará devido à dinâmica das condições meteorológicas, disse Dudy Purwagandhi.

Companhias aéreas redirecionam aeronaves à medida que os aeroportos reabrem

As autoridades prepararam aeroportos alternativos em Java Oriental, Java Central e Yogyakarta para aeronaves originalmente programadas para aterrar em Jacarta. Foram planeados serviços de autocarro gratuitos para os passageiros que quisessem continuar as suas viagens a partir de outro aeroporto, uma medida destinada a reduzir a pressão sobre a rede de transportes da capital.

A perturbação afetou rotas domésticas, bem como serviços internacionais que ligam a Indonésia a Singapura, Kuala Lumpur, Doha e Sydney. Quando os aeroportos fecham, os efeitos propagam-se pelas redes das companhias aéreas. Uma aeronave que não consiga chegar a Jacarta pode ficar impossibilitada de operar o seu voo seguinte a partir da cidade, enquanto as tripulações podem ficar retidas em locais diferentes.

As companhias aéreas ofereceram aos passageiros reembolsos, novas reservas e, em alguns casos, alteração de rota. A Indonésia também flexibilizou as regras para visitantes estrangeiros cujos períodos de permanência autorizados caducaram porque os seus voos tinham sido cancelados. Os hotéis perto dos principais aeroportos encheram-se rapidamente, deixando alguns viajantes à procura de quartos mais longe dos terminais ou a utilizar comboios e autocarros.

Jo Shaw, que estava a visitar a Indonésia com membros da organização de conservação Save the Rhino International, disse que o seu grupo abandonou os planos de acampar no Parque Nacional de Ujung Kulon depois de o nível de alerta do vulcão ter sido elevado. Descreveu o facto de estar retida num hotel de aeroporto como um inconveniente suportável, manifestando ao mesmo tempo maior preocupação pelos trabalhadores de conservação que operam perto da área afetada.

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Conselhos de saúde quando as cinzas chegam a zonas povoadas

As cinzas vulcânicas podem irritar os olhos, o nariz, a garganta e os pulmões. O ministro da Saúde da Indonésia, Budi Gunadi Sadikin, aconselhou as pessoas nas áreas afetadas a permanecerem no interior quando as cinzas estivessem a cair e a usar máscaras faciais no exterior. Os residentes foram também aconselhados a proteger os olhos e a evitar viagens desnecessárias.

Relatos locais descreveram escolas a cancelar atividades depois de os alunos se queixarem de irritação ocular. Os pescadores também interromperam algumas viagens depois de encontrarem cinzas no mar. Um residente comparou a sensação nos olhos a pequenos grãos de areia e disse que as cinzas se acumulavam tão rapidamente que precisava de varrer o quintal a cada poucos minutos.

Os riscos para a saúde dependem da quantidade de cinzas, da duração da exposição e das condições médicas pré-existentes de cada pessoa. As pessoas com asma ou outras doenças respiratórias podem ser especialmente vulneráveis. As cinzas também podem contaminar o abastecimento de água, danificar culturas e tornar as estradas escorregadias, criando perigos além do sistema aeroportuário.

As autoridades alertam que são possíveis novas erupções

A Agência Geológica da Indonésia alertou na segunda-feira que a probabilidade de novas erupções continuava elevada. A agência identificou a queda de rochas incandescentes e a precipitação intensa de cinzas como perigos imediatos. Os fluxos de lava também poderiam representar uma ameaça se a erupção recomeçasse e continuasse.

As autoridades ordenaram que as pessoas se mantivessem a pelo menos 3 quilómetros da cratera ativa. Os navios foram proibidos de entrar numa zona de exclusão de 3 quilómetros em torno do vulcão. As autoridades disseram que não havia qualquer alerta de tsunami associado à atividade mais recente, embora a zona de exclusão refletisse o risco contínuo representado pelo material eruptivo e por alterações súbitas em torno da ilha.

Anak Krakatau significa Filho de Krakatoa. Emergiu do mar no início do século XX, no interior da grande caldeira deixada pela catastrófica erupção do Krakatoa em 1883. Essa erupção provocou explosões poderosas, queda de cinzas numa vasta área e um tsunami que matou dezenas de milhares de pessoas, segundo estimativas históricas.

O vulcão mais recente tornou-se uma importante fonte de preocupação em dezembro de 2018, quando parte do seu cone colapsou no mar. O colapso gerou um tsunami que atingiu as zonas costeiras de Java e Sumatra, matando mais de 400 pessoas e ferindo ou desalojando milhares. Os cientistas descobriram mais tarde que algumas das massas rochosas envolvidas no colapso tinham cerca de 70 a 90 metros de altura.

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O risco vulcânico mais amplo da Indonésia

A Indonésia tem terramotos e erupções frequentes porque se situa ao longo do Anel de Fogo do Pacífico, uma zona que se estende por cerca de 40.000 quilómetros em torno do oceano Pacífico. Várias placas tectónicas encontram-se nesta região, incluindo as placas Indo-Australiana, Eurasiática e Pacífica. O seu movimento cria condições para terramotos, fossas oceânicas profundas e atividade vulcânica.

O Anel de Fogo contém cerca de 75% dos vulcões ativos do mundo e está associado a cerca de 90% dos terramotos globais. A localização da Indonésia proporciona-lhe solos vulcânicos férteis e ambientes marinhos ricos, ao mesmo tempo que coloca muitas comunidades, estradas, portos e aeroportos perto de sistemas geológicos ativos.

O Anak Krakatau mostra porque é que o perigo vulcânico é medido por mais do que a dimensão de uma erupção. Mesmo um acontecimento relativamente curto pode afetar centenas de milhares de viajantes quando as cinzas chegam a uma grande capital e a uma das redes aéreas mais movimentadas da região. O perigo aumenta quando as erupções ocorrem perto de rotas marítimas, destinos turísticos e zonas costeiras densamente povoadas.

O que os viajantes devem saber durante perturbações causadas por cinzas

Os passageiros afetados por encerramentos devido a atividade vulcânica devem confirmar o estado do voo diretamente com a companhia aérea antes de se deslocarem para um aeroporto. Um terminal reaberto nem sempre significa que todos os serviços programados foram retomados, uma vez que as aeronaves e as tripulações podem ainda estar fora de posição.

Os viajantes devem guardar documentos de embarque, recibos e avisos de cancelamento, uma vez que podem ser necessários para reembolsos, novas reservas ou reclamações. Quem estiver a considerar aeroportos alternativos deve verificar a viagem completa, incluindo ligações de autocarro, comboio ou ferry, porque um voo de substituição pode operar a partir de um local a várias horas de distância.

As pessoas em áreas afetadas pelas cinzas devem seguir as instruções locais, limitar a exposição ao exterior e usar proteção facial adequada. Os visitantes devem evitar zonas restritas em torno do vulcão e não devem deslocar-se para praias ou zonas costeiras baixas a menos que as autoridades digam que é seguro.

O essencial

  • Cinco aeroportos indonésios começaram a reabrir após mais de dois dias de perturbação.
  • Quase 3.000 voos foram cancelados, atrasados ou desviados, afetando mais de 340.000 passageiros.
  • O Anak Krakatau lançou cinzas a até 15.000 metros sobre áreas próximas de Sumatra e do oeste de Java.
  • As autoridades alertaram que novas erupções, queda intensa de cinzas, queda de rochas e fluxos de lava continuavam a ser possíveis.
  • As pessoas foram obrigadas a manter-se a pelo menos 3 quilómetros da cratera, não tendo sido emitido qualquer alerta de tsunami.
  • O colapso do Anak Krakatau em 2018 desencadeou um tsunami mortal nas costas de Java e Sumatra.
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