Crescimento do IDE do Vietname prejudicado pela escassez de mão de obra qualificada

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Crescimento do IDE do Vietname prejudicado pela escassez de mão de obra qualificada

Um estrangulamento crítico na expansão industrial do Vietname

O Vietname há muito que é celebrado como uma estrela em ascensão na indústria transformadora global, atraindo milhares de milhões de dólares em investimento direto estrangeiro (IDE) com a sua política estável, localização estratégica e custos de mão de obra historicamente baixos. No entanto, esta rápida expansão económica está a colidir com um desafio estrutural significativo. O país enfrenta uma escassez aguda de mão de obra qualificada, o que ameaça travar a sua ambiciosa trajetória de crescimento e levanta questões sobre a sustentabilidade do seu atual modelo de desenvolvimento. De movimentados parques industriais em Bac Ninh a zonas de alta tecnologia na Cidade de Ho Chi Minh, as fábricas debatem-se para preencher posições críticas, forçando as empresas a repensar as suas estratégias operacionais e empurrando os salários para cima.

Índice
  1. Um estrangulamento crítico na expansão industrial do Vietname
  2. A realidade no chão de fábrica
  3. O paradoxo da vaga por preencher
  4. As dificuldades específicas do setor do vestuário
  5. Para além dos portões da fábrica: a lacuna de competências de alta tecnologia
  6. O impacto no investimento e na competitividade
  7. Respostas estratégicas e soluções
  8. O caminho a seguir para a força de trabalho do Vietname
  9. Pontos-chave

Esta escassez não é apenas um fenómeno temporário causado por flutuações sazonais ou pela recuperação pós-pandemia. Representa uma mudança mais profunda no mercado de trabalho, impulsionada pela evolução das expectativas dos trabalhadores, por tendências demográficas e pela natureza cambiante do investimento estrangeiro no Vietname. À medida que as cadeias de abastecimento globais se deslocalizam e o país procura subir na cadeia de valor, o fosso entre as competências que os trabalhadores possuem e as exigidas pela indústria moderna está a aumentar. A situação tornou-se suficientemente urgente para justificar a intervenção dos mais altos níveis do governo e uma reavaliação estratégica da forma como o Vietname prepara a sua força de trabalho para o futuro.

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A realidade no chão de fábrica

O custo humano desta escassez de mão de obra é visível diariamente nos polos industriais de todo o país. Na província de Bac Ninh, que atraiu 5,5 mil milhões de dólares em IDE em 2025, a dificuldade em encontrar trabalhadores é palpável. Nguyen Phuong Thao, diretora de recursos humanos de uma empresa de fabrico de baterias, exemplifica a frustração sentida por muitos empregadores. Durante mais de um mês, tentou contratar 150 trabalhadores técnicos, mas conseguiu garantir apenas 60 candidatos.

«A esta altura, a única solução é continuar a aumentar os custos», disse Thao, referindo-se às despesas crescentes com salários mais altos, taxas de referenciação e prémios de admissão necessários para atrair talento. A sua empresa, que produz baterias de iões de lítio para veículos elétricos e eletrónica de consumo, abriu recentemente uma nova fábrica. Apesar de oferecer prémios imediatos e de recorrer até ao recrutamento através de transmissões em direto no TikTok, preencheu apenas cerca de 40% da sua procura. As funções mais difíceis de preencher são as que exigem competências técnicas, liderança de equipas ou proficiência em línguas estrangeiras, que quase não atraíram candidatos.

O problema é agravado por taxas de rotatividade excecionalmente elevadas. Em algumas fábricas, até 40% dos novos contratados desistem em apenas três dias. Esta volatilidade obriga as empresas a recrutar duas ou três vezes as suas necessidades reais de pessoal para garantir que têm pessoas suficientes na linha de produção. Cria um ciclo de integração e formação constantes que consome recursos e perturba a produtividade. A Câmara de Comércio Coreana no Vietname (KOCHAM) assinalou que os fabricantes sul-coreanos estão a debater-se para recrutar trabalhadores qualificados e gestores intermédios, especialmente em províncias industriais como Bac Ninh e Thai Nguyen.

«A concorrência por recursos humanos tornar-se-á mais intensa à medida que o investimento estrangeiro continuar a crescer», afirmou Ko Tae Yeon, presidente da KOCHAM.
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O paradoxo da vaga por preencher

Talvez o aspeto mais desconcertante desta escassez seja o paradoxo que apresenta. Em todo o país, milhares de anúncios de emprego permanecem sem resposta. Um relatório da plataforma de recrutamento TopCV indica que quase 70% das empresas aumentaram as contratações, mas o conjunto de candidatos continua reduzido. De acordo com a análise do The Vietnamese, o mercado está a assistir a um desfasamento notável, em que as empresas anunciam constantemente vagas, mas os trabalhadores mostram pouco interesse.

Os salários, tradicionalmente a principal vantagem competitiva do Vietname, são cada vez mais vistos pelos trabalhadores como insuficientes para justificar as exigências da vida na fábrica. Embora os salários anunciados para operários fabris possam variar entre 8 e 12 milhões de dong por mês nas grandes cidades, os trabalhadores salientam frequentemente que estes valores incluem pagamento de horas extraordinárias, subsídios e prémios. O salário-base real de um novo trabalhador pode ser tão baixo como 5,2 milhões de dong, apenas ligeiramente acima do salário mínimo regional. Depois de deduzir despesas com renda, alimentação e transporte em cidades caras como a Cidade de Ho Chi Minh ou Hanói, os trabalhadores ficam muitas vezes com poupanças mínimas.

Esta realidade económica desencadeou uma mudança no comportamento dos trabalhadores. A tendência de «migração inversa», em que os trabalhadores deixam as cidades para as suas terras de origem rurais, acelerou desde a pandemia de COVID-19. A experiência de confinamentos e perdas de emprego durante a pandemia alterou fundamentalmente a forma como muitos encaram o trabalho fabril. Em vez de suportarem a separação da família e os elevados custos de vida nas zonas industriais, muitos regressaram a áreas rurais onde as despesas de vida são mais baixas e as redes de apoio estão mais próximas. Além disso, o crescimento da economia gig oferece alternativas que proporcionam maior flexibilidade e autonomia, como serviços de transporte por aplicação ou de entrega, mesmo que o salário seja comparável ao trabalho na fábrica.

As dificuldades específicas do setor do vestuário

A escassez de mão de obra atravessa vários setores, mas as indústrias do vestuário e têxtil enfrentam pressões únicas. A Crystal Martin Vietnam, que emprega mais de 10 000 pessoas, ilustra o dilema. À medida que as encomendas aumentam, a empresa precisa de recrutar milhares de trabalhadores, mas o número de candidatos continua baixo.

Nguyen Van Chi, presidente do sindicato da empresa, explicou que o trabalho no vestuário exige precisão e aptidão manual, e que a formação de um novo trabalhador demora dois a três meses. Além disso, a maioria das fábricas evita contratar novos trabalhadores com mais de 40 anos, reduzindo ainda mais o conjunto de mão de obra disponível. Para ampliar o seu alcance, a empresa recorreu às redes sociais, usando transmissões em direto no Facebook e no TikTok para responder a perguntas sobre salários e benefícios em tempo real. Esta abordagem moderna ao recrutamento realça até onde as empresas têm de ir para captar a atenção de potenciais empregados.

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Para além dos portões da fábrica: a lacuna de competências de alta tecnologia

Embora a escassez de trabalhadores de linha de montagem domine as manchetes, está a surgir um desafio mais profundo nos setores de alta tecnologia. O Vietname está a posicionar-se como um interveniente-chave na cadeia global de abastecimento de semicondutores, atraindo grandes investimentos de gigantes como a Intel, a Amkor e a Hana Micron. No entanto, a indústria dos semicondutores exige uma força de trabalho com competências especializadas de engenharia de que o Vietname atualmente carece.

Segundo o VietnamPlus, o país tem atualmente cerca de 15 000 especialistas em semicondutores. Este número fica drasticamente aquém da meta do governo de 50 000 especialistas até 2030. Um relatório do Banco Mundial salientou que reforçar o capital humano é essencial para o Vietname subir na cadeia de valor dos semicondutores. A escassez não se verifica apenas em quantidade, mas no tipo específico de especialização exigido. Por exemplo, há um número limitado de engenheiros «full-stack» capazes de lidar com o design de chips de ponta a ponta, desde os processos iniciais até à comercialização. A maioria dos engenheiros vietnamitas especializa-se atualmente numa única fase do processo, sobretudo no trabalho de back-end.

Esta lacuna de competências representa um risco para a ambição do Vietname de se tornar uma economia de rendimento elevado até 2045. O relatório «Viet Nam 2045» do Banco Mundial adverte que a dependência do país em relação à mão de obra pouco qualificada está a tornar-se um constrangimento. Apenas cerca de 5% da força de trabalho da indústria transformadora é atualmente considerada altamente qualificada. À medida que as cadeias de valor globais se deslocam para a digitalização e a sustentabilidade, a procura de trabalhadores com competências técnicas avançadas em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) está a disparar, ultrapassando a oferta atual.

O impacto no investimento e na competitividade

A escassez de mão de obra tem implicações diretas na atratividade do Vietname para os investidores estrangeiros. A Declaração sobre o Clima de Investimento de 2024 do Departamento de Estado dos EUA inclui explicitamente «uma escassez de mão de obra qualificada» como um dos desafios que o Vietname enfrenta. Embora a estabilidade política e os acordos comerciais atraiam investidores, a incapacidade de encontrar pessoal qualificado pode dissuadi-los de expandir operações ou de se comprometerem com projetos complexos e de elevado valor.

Para as empresas existentes, a escassez faz subir os custos operacionais. As empresas são obrigadas a pagar incentivos cada vez mais generosos. Na empresa de baterias de Thao, os novos contratados que ficam quatro meses recebem um prémio de 9 milhões de VND (342 dólares), e as referências de trabalhadores rendem 4 milhões de VND. Estes montantes são mais do dobro dos oferecidos há um ano. Embora estas medidas ajudem a atrair trabalhadores a curto prazo, podem criar ressentimento entre o pessoal existente e comprimir as margens de lucro. Custos de mão de obra mais elevados poderão eventualmente enfraquecer a competitividade das empresas vietnamitas face a rivais regionais como o Camboja ou o Bangladesh, onde os custos de mão de obra podem permanecer mais baixos durante mais tempo.

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Respostas estratégicas e soluções

Abordar este problema multifacetado exige uma resposta coordenada tanto do governo como do setor privado. O governo vietnamita reconheceu a urgência e lançou várias iniciativas. O programa de desenvolvimento de recursos humanos para os semicondutores visa formar 50 000 engenheiros até 2030, com planos para estabelecer laboratórios nacionais e laboratórios institucionais para facilitar a aprendizagem prática.

Os especialistas sublinham que a melhoria das competências da força de trabalho é uma responsabilidade conjunta. Pham Ngoc Toan, diretor do Instituto de Ciências da Organização do Estado, observou que, se as competências não forem atualizadas, o fosso entre o que os trabalhadores têm e o que o mercado precisa continuará a aumentar. Isto está em linha com as conclusões do FMI, que sugere que reduzir os desajustamentos de competências e a escassez de competências profissionais é crucial para melhorar a produtividade do trabalho.

As empresas privadas também estão a adaptar as suas estratégias. Algumas estão a deslocar o foco do recrutamento externo agressivo para a retenção de pessoal interno qualificado. A empresa de Thao, por exemplo, concentra-se agora em manter rendimentos mensais de 13-15 milhões de VND e em pagar prémios mensais adicionais aos trabalhadores que completam um ano completo e cumprem os objetivos de desempenho.

«Assim, as nossas linhas de produção não têm de ser constantemente reconstruídas», disse Thao.

Outras empresas estão a investir em programas de formação e em parcerias com escolas profissionais para criar uma reserva de trabalhadores qualificados. A adoção de ferramentas digitais para a gestão da força de trabalho e a automatização também está a ser explorada para compensar a escassez de mão de obra em certas tarefas repetitivas. No entanto, a automatização traz os seus próprios desafios e exige um investimento de capital significativo.

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O caminho a seguir para a força de trabalho do Vietname

A escassez de mão de obra serve como um sinal crítico para o desenvolvimento económico do Vietname. Marca o fim da era em que a «mão de obra barata» por si só podia impulsionar o crescimento. Para sustentar o seu boom de IDE e alcançar o objetivo de se tornar uma nação de rendimento elevado, o Vietname tem de fazer uma transição bem-sucedida para um modelo de crescimento liderado pela produtividade.

Esta transição implica uma mudança cultural na forma como o trabalho é valorizado. Os trabalhadores exigem cada vez mais não apenas salários justos, mas melhores condições de trabalho, equilíbrio entre a vida profissional e pessoal e uma progressão de carreira clara. As empresas que conseguirem oferecer estes benefícios, a par de formação técnica, terão provavelmente melhor desempenho na guerra pelo talento. O papel do governo na melhoria do ensino profissional, no alinhamento dos currículos com as necessidades da indústria e no reforço das redes de segurança social será fulcral.

Em última análise, a escassez de competências é um problema que o Vietname tem de resolver para libertar todo o seu potencial. O país navegou com sucesso transformações económicas anteriores, como as reformas Doi Moi do final da década de 1980. Ao enfrentar os atuais desafios do mercado de trabalho através de uma reforma abrangente e do investimento em capital humano, o Vietname pode transformar este potencial estrangulamento numa oportunidade para construir uma força de trabalho mais resiliente, inovadora e qualificada para as próximas décadas.

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Pontos-chave

  • O Vietname está a atravessar uma escassez crítica de mão de obra qualificada, que afeta importantes polos industriais como Bac Ninh e a Cidade de Ho Chi Minh.
  • As empresas enfrentam taxas de rotatividade elevadas, com algumas a relatar que 40% dos novos contratados desistem em três dias.
  • As fábricas estão a aumentar os salários e a oferecer prémios de admissão significativos para atrair trabalhadores, fazendo subir os custos operacionais.
  • A escassez estende-se para além da indústria transformadora básica a setores de alta tecnologia como os semicondutores, onde há falta de engenheiros especializados.
  • As expectativas dos trabalhadores estão a mudar devido ao aumento do custo de vida, à disponibilidade de empregos na economia gig e à «migração inversa» para áreas rurais após a pandemia.
  • O governo e o setor privado estão a investir em programas de formação e melhoria de competências para colmatar a lacuna de competências e apoiar o crescimento económico.
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