Uma última rotina põe fim à série de sete títulos dos EUA
A China venceu a final por equipas femininas dos Campeonatos do Mundo de Ginástica Artística de 2026 por apenas 0,233 pontos, a 21 de outubro, em Roterdão, pondo fim a sete títulos mundiais consecutivos dos Estados Unidos e garantindo uma vaga por equipas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. O Japão conquistou o bronze e também uma vaga olímpica, regressando ao pódio mundial por equipas pela primeira vez em 60 anos.
Índice
- Uma última rotina põe fim à série de sete títulos dos EUA
- Os Estados Unidos construíram cedo a vantagem
- A China virou a prova na trave
- A importância dos recursos às notas
- Qiu conservou a vantagem na última rotina de solo
- O Japão pôs fim a uma espera iniciada em 1966
- A França liderou as equipas fora do pódio
- Uma equipa norte-americana renovada sofreu uma derrota por margem mínima
- Vagas olímpicas garantidas, com mais finais pela frente
- Pontos-chave
Os resultados oficiais por equipas do campeonato registam 165,764 pontos para a China, 165,531 para os Estados Unidos e 164,063 para o Japão. O total da vitória chinesa foi também confirmado pelo Olympics.com, embora uma lista de resultados publicada indicasse 165,674.
Qiu Qiyuan decidiu a prova com a última rotina de solo. Com as norte-americanas já terminadas, precisava de mais de 12,600 pontos para colocar a China na frente. Os seus 12,833 garantiram o primeiro título mundial feminino por equipas do país desde 2006 e o primeiro ouro por equipas num Mundial ou Jogos Olímpicos desde Pequim 2008.
A vitória da China assentou na trave, onde Zhang Qingying obteve 15,066 pontos, a nota mais alta em qualquer aparelho na final. A China ganhou 4,167 pontos aos Estados Unidos na trave, uma vantagem suficiente para resistir à forte recuperação norte-americana no solo.
Roterdão foi palco de uma notável ligação histórica. A anterior derrota dos Estados Unidos numa final mundial por equipas ocorrera ali, em 2010, quando a Rússia conquistou o ouro. Dezasseis anos depois, a mesma cidade assistiu ao fim da série vitoriosa iniciada em 2011.
Os Estados Unidos construíram cedo a vantagem
Os Estados Unidos e a China chegaram à final como as duas melhores equipas da qualificação e competiram lado a lado, começando no salto antes de passarem às barras assimétricas, à trave e ao solo. A ordem comum facilitou o acompanhamento da prova: em cada rotação, as equipas podiam ser comparadas diretamente no mesmo aparelho.
Skye Blakely liderou a prestação norte-americana no salto, com 14,300 pontos. Claire Pease somou 14,200 e Charleigh Bullock obteve 14,133, para um total de 42,633. A China marcou 40,966, dando aos Estados Unidos uma vantagem imediata de 1,667 pontos.
O total da China no salto tinha baixado dos 42,032 da qualificação, uma perda de 1,066 pontos. Du Siyu conseguiu a melhor nota individual chinesa no aparelho na final, 14,100, enquanto Zhang contribuiu com 13,233 e Ke Qinqin com 13,633.
Os Estados Unidos ampliaram a vantagem nas barras assimétricas. Bullock marcou 14,000, Pease 14,366 e Blakely 14,400, elevando o total da equipa no aparelho para 42,766. As seis rotinas norte-americanas nos dois primeiros aparelhos obtiveram todas pelo menos 14,000 pontos.
A China manteve-se perto nas barras, com 42,466 pontos, graças aos 14,300 de Du, aos 14,233 de Qiu e aos 13,933 de Zhang. A meio da prova, os Estados Unidos lideravam por 85,399 a 83,432, uma diferença de 1,967 pontos. O total norte-americano nas barras foi 0,801 superior ao da qualificação.
A China virou a prova na trave
Ke abriu a rotação chinesa na trave com 14,400 pontos, melhorando em meio ponto a nota da qualificação. Zhang, campeã mundial em título na trave, foi a seguir e marcou 15,066, a maior contribuição individual da China na noite.
Qiu fechou a rotação com 13,900, apesar de ter aterrado curta na saída em duplo mortal encarpado, um elemento que inclui dois mortais à retaguarda com as pernas esticadas e o corpo fletido pelas ancas. As três notas chinesas somaram 43,366.
A primeira rotina norte-americana, de Dulcy Caylor, terminou com uma queda para trás na saída. Os seus 12,333 pontos tiveram de contar. Nesta final por equipas, três ginastas competiram em cada aparelho e todas as notas entraram no total, sem resultados suplentes que pudessem substituir um erro dispendioso.
Pease obteve depois uma nota inicialmente apresentada como 13,500, enquanto Blakely recebeu 13,266. Mesmo depois de um recurso bem-sucedido dos Estados Unidos acrescentar um décimo à nota de Pease, o total norte-americano na trave ficou-se pelos 39,199, mais de quatro pontos abaixo do da China.
A China saiu da trave na frente, por 126,798 a 124,598. Numa só rotação, transformou uma desvantagem de 1,967 pontos numa vantagem de 2,200. Os 4,167 pontos que ganhou na trave acabaram por superar a vantagem conjunta de 3,934 dos Estados Unidos no salto, nas barras e no solo.
A importância dos recursos às notas
A nota de Pease na trave subiu para 13,600 depois de o recurso ter sido aceite. O recurso norte-americano à nota de Blakely foi rejeitado, mantendo o resultado em 13,266. Estas decisões foram importantes numa final decidida por menos de um quarto de ponto.
As notas de ginástica combinam o grau de dificuldade de uma rotina com a qualidade da execução. A nota de dificuldade valoriza os elementos reconhecidos e as ligações entre eles. A nota de execução começa em 10, sendo descontados pontos por erros como pernas fletidas, desequilíbrios e más receções. Outras penalizações também podem reduzir a nota final.
A nota de dificuldade de Blakely na trave foi 5,3, face a 6,2 na qualificação. Isso significava que a sua rotina partia de uma base de pontuação inferior, apesar de não ter caído. Uma rotina pode perder valor de dificuldade quando os juízes não reconhecem um elemento ou uma ligação conforme previsto.
O recurso aceite acrescentou mais 0,100 à nota de Pease e reduziu a desvantagem norte-americana antes do solo. Ainda assim, a vantagem chinesa obrigava os Estados Unidos a recuperar bastante no último aparelho, onde tinham superado a China em 2,166 pontos na qualificação.
Qiu conservou a vantagem na última rotina de solo
Caylor iniciou a prestação norte-americana no solo com 13,600 pontos, recuperando da queda na trave. Zhang respondeu com 13,033 pela China. Os Estados Unidos recuperaram 0,567 pontos, mas a China ainda podia defender a vantagem.
Pease conseguiu depois 13,933, a nota mais alta no solo na final por equipas e um aumento de 0,600 face à qualificação. Ke obteve 13,100, deixando a China com uma vantagem exata de 0,800 pontos, quando faltava atuar uma ginasta de cada país.
Reese Esponda tinha liderado a qualificação no solo com 13,633 pontos, mais 0,833 do que os 12,800 de Qiu. Se repetissem essas notas, os Estados Unidos teriam conseguido anular a diferença restante.
Esponda marcou 13,400 na final, fixando o total norte-americano em 165,531. Qiu obteve depois 12,833, ligeiramente acima da sua nota na qualificação, e confirmou a vitória da China. Os totais finais no solo foram de 40,933 para os Estados Unidos e 38,966 para a China.
Os Estados Unidos recuperaram 1,967 pontos no solo, mas a diferença decisiva entre as equipas ficou nos 0,233. As rotinas chinesas no solo também melhoraram face à qualificação: Zhang passou de 12,566 para 13,033, Ke de 12,400 para 13,100 e Qiu de 12,800 para 12,833. Em conjunto, estes ganhos somaram 1,200 pontos no momento em que a China mais precisava deles.
O Japão pôs fim a uma espera iniciada em 1966
Os 164,063 pontos do Japão valeram-lhe a primeira medalha mundial feminina por equipas desde o bronze de 1966. As anteriores subidas do Japão ao pódio mundial por equipas tinham ocorrido em 1962 e 1966, fazendo de Roterdão o fim de uma espera de 60 anos.
Os 14,133 pontos de Haruka Nakamura ajudaram o Japão a chegar aos 41,066 na trave. Aiko Sugihara, campeã mundial em título no solo, contribuiu com 13,900 nesse aparelho e 14,200 no salto. O total japonês de 42,132 no salto foi particularmente valioso, ficando apenas 0,501 atrás do dos Estados Unidos nesse aparelho.
O Japão entrou na última rotação, nas barras assimétricas, com 123,631 pontos, menos de um ponto atrás dos Estados Unidos. Uma queda de Misa Nishiyama, que marcou 12,533, limitou o total final da equipa, mas o Japão conservou confortavelmente o bronze.
O Japão terminou a 1,468 pontos dos Estados Unidos e com 2,933 pontos de vantagem sobre a França. A medalha trouxe uma recompensa prática imediata: uma vaga para uma equipa de cinco ginastas nos Jogos de Los Angeles 2028, garantida dois anos antes da competição.
A França liderou as equipas fora do pódio
A França terminou em quarto lugar, com 161,130 pontos, depois de começar em força na trave. Elena Colas marcou 14,200, Maiana Prat 13,900 e Morgane Osyssek-Reimer 13,266, dando à França um total de 41,366 no aparelho. Foi o segundo melhor resultado na trave da final, atrás da China.
O Brasil ficou em quinto lugar, com 159,730 pontos. Rebeca Andrade contribuiu com 14,400 no salto, enquanto Flavia Saraiva marcou 14,066 na trave. A Rússia, identificada como RUS nos resultados oficiais e WG2 noutras listas da competição, terminou em sexto, com 159,394.
A Rússia competiu sem várias ginastas experientes, incluindo a campeã olímpica e antiga campeã mundial do concurso completo Angelina Melnikova, depois de lhes terem sido recusados vistos pelos Países Baixos. A equipa marcou 41,332 nas barras, mas perdeu terreno com 38,498 na trave.
A Itália terminou em sétimo lugar, com 158,129 pontos, apesar de ter marcado 42,166 nas barras assimétricas, com Giulia Perotti a liderar com 14,400 e Elisa Iorio a somar 14,300. Três quedas na trave deixaram a Itália com 37,732 nesse aparelho. O Canadá ficou em oitavo, com 158,096 pontos, apenas 0,033 atrás da Itália.
Uma equipa norte-americana renovada sofreu uma derrota por margem mínima
A equipa norte-americana que conquistou a prata era composta por Blakely, Bullock, Caylor, Esponda e Pease. Nenhuma tinha competido nos Jogos Olímpicos, e Blakely era a única com experiência anterior numa prova mundial por equipas. Tinha integrado a equipa que conquistou o título em 2023.
Hezly Rivera, medalha de ouro por equipas em Paris 2024 e campeã nacional norte-americana do concurso completo em 2025 e 2026, desistiu antes da qualificação devido a dores no tornozelo esquerdo. Caylor entrou na equipa em competição e contribuiu tanto na trave como no solo.
Pease competiu nos quatro aparelhos e somou 56,099 pontos, o total combinado mais alto entre as ginastas que realizaram quatro rotinas na final por equipas. As quatro rotinas de Zhang somaram 55,265 pontos. O título individual feminino do concurso completo seria decidido separadamente na sexta-feira, 23 de outubro.
A composição da equipa norte-americana ainda poderá mudar antes de Los Angeles. Suni Lee e Jordan Chiles anunciaram planos de regressar à competição, enquanto Jade Carey já tinha voltado à ginástica de elite e era suplente nesta equipa mundial. Simone Biles ainda não tinha anunciado se tentaria participar nos seus quartos Jogos Olímpicos.
Vagas olímpicas garantidas, com mais finais pela frente
A China, os Estados Unidos e o Japão garantiram cada um uma vaga por equipas para cinco ginastas nos LA28. Conforme explicado no balanço da prova do Olympics.com, as nove vagas restantes para equipas femininas serão decididas nos Campeonatos do Mundo de 2027, em Chengdu, na China.
A vitória da China foi também a sua primeira medalha mundial feminina por equipas desde o bronze de 2018. A diferença de 0,233 foi a segunda mais pequena desde que a ginástica abandonou o sistema de pontuação da nota perfeita de 10, em 2006. A vitória da Rússia sobre os Estados Unidos em 2010, também em Roterdão, foi por 0,201.
Os campeonatos decorreram de 17 a 25 de outubro, e ainda havia medalhas individuais por decidir depois da prova por equipas. As principais datas eram:
- 21 de outubro: A China venceu a final feminina por equipas, com os Estados Unidos em segundo e o Japão em terceiro.
- 22 de outubro: Estava prevista a final masculina do concurso completo.
- 23 de outubro: Estava prevista a final feminina do concurso completo, com Blakely e Pease entre as qualificadas.
- 24 e 25 de outubro: Estavam previstas as finais por aparelhos, incluindo as finais femininas da trave e do solo no domingo.
- 2027: Chengdu acolherá os Campeonatos do Mundo que decidirão as nove vagas olímpicas restantes para equipas femininas.
Zhang encaminhava-se para a final da trave depois de liderar a qualificação com 15,100 pontos e de voltar a superar os 15 na prova por equipas. Para a China, essa força já tinha garantido o maior prémio por equipas do campeonato.
Pontos-chave
- A China venceu com 165,764 pontos, superando os Estados Unidos por 0,233.
- A vitória pôs fim a sete títulos mundiais consecutivos por equipas dos Estados Unidos, iniciados em 2011.
- A China ganhou 4,167 pontos aos Estados Unidos na trave, liderada pelos 15,066 de Zhang Qingying.
- A nota final de 12,833 de Qiu Qiyuan no solo garantiu à China o primeiro ouro mundial feminino por equipas desde 2006.
- O Japão marcou 164,063 pontos e conquistou a sua primeira medalha mundial feminina por equipas desde 1966.
- As três equipas medalhadas garantiram vagas para equipas de cinco ginastas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
- As nove vagas olímpicas restantes para equipas femininas serão decididas nos Campeonatos do Mundo de 2027, em Chengdu.






