Um ano de experiências dá origem a um protótipo portátil
Ángela Karime Venegas Hernández, estudante de electrónica no CETIS 78, em Altamira, no estado mexicano de Tamaulipas, desenvolveu um dispositivo portátil que, afirma, consegue apagar pequenas chamas em cinco a oito segundos. Chamado Vortex Tech, utiliza uma bateria de 12 volts e som a 30 hertz, em vez de água ou pó químico.
Índice
- Um ano de experiências dá origem a um protótipo portátil
- Como um vídeo se transformou numa invenção funcional
- O que compõe o Vortex Tech?
- Porque é que o movimento do ar pode apagar uma chama
- O que mostram os testes divulgados
- Onde pode ser útil um dispositivo sem agentes extintores
- De Tamaulipas a uma feira internacional de ciência
- A ambição de patentear e uma versão automática
- Pontos principais
Venegas e o seu orientador, José Arturo Hernández Muñoz, passaram cerca de um ano a desenvolver cinco versões do dispositivo. Segundo a estudante, foram realizados mais de 100 testes, incluindo experiências com madeira, líquidos inflamáveis, equipamento eléctrico e gordura de cozinha. O alcance eficaz indicado é de cerca de dois metros.
O projecto conquistou o primeiro lugar na categoria do ensino secundário superior na ExpoCiencias Tamaulipas 2025 e, mais tarde, recebeu uma medalha de prata numa competição nacional que contou com cerca de 270 projectos. Estas distinções ajudaram a transformar uma experiência de sala de aula numa apresentação internacional na Indonésia.
Relatos publicados em Agosto e Setembro de 2026 indicam que Venegas tem 16 anos, enquanto um relato sobre a sua chegada à Indonésia diz que tem 17. O dispositivo continua a ser um protótipo experimental, e os resultados divulgados dizem respeito a pequenas chamas em condições controladas. Venegas afirma que se destina a complementar os extintores convencionais em locais onde a água ou o pó possam danificar objectos ou equipamento de valor.
Como um vídeo se transformou numa invenção funcional
Venegas começou com uma pergunta simples: seria possível apagar uma vela sem soprar para ela, deitar-lhe água ou tocar-lhe? Hernández, que é simultaneamente seu orientador e tio, disse que vídeos de experiências despertaram o interesse de ambos em construir um extintor acústico.
Venegas associa mais especificamente a ideia a um vídeo que mostrava um canhão sónico com cerca de quatro metros de comprimento, que relacionou com a Agência de Projectos de Investigação Avançada de Defesa dos Estados Unidos, ou DARPA. A demonstração levou-a a testar se um dispositivo mais pequeno poderia produzir um efeito semelhante.
O primeiro resultado funcional surgiu ao fim de dois meses, sem contar com a investigação que antecedeu a construção. Ainda assim, o protótipo inicial tinha dificuldade em apagar uma pequena chama. Venegas e Hernández trocaram materiais e ajustaram repetidamente a estrutura acústica até chegarem à quinta versão, agora apresentada publicamente.
Hernández também contribuiu para despertar o interesse da estudante pelas competições de ciência. Durante as refeições de família, contava-lhe histórias de pessoas que conhecera e de lugares que visitara através desses eventos. Venegas quis viver experiências próprias, e o projecto deu-lhe um motivo para as procurar.
O que compõe o Vortex Tech?
O Vortex Tech combina uma bateria, um gerador de frequências, um amplificador de potência, um altifalante e um balde modificado que constitui o corpo do canhão sónico. Cada componente tem uma função específica: a bateria fornece electricidade, o gerador define a frequência, o amplificador aumenta o sinal eléctrico e o altifalante transforma esse sinal em movimento do ar.
Venegas explicou que o balde foi deliberadamente modificado para servir de parte do dispositivo, em vez de ser simplesmente comprado numa loja. Em tradução, disse:
O balde é algo que modificámos, não é um que tenhamos encontrado numa loja.
O altifalante dirige o som para uma abertura circular. Segundo a descrição, o sistema produz anéis de vórtice, círculos de ar em movimento com uma forma semelhante à de um donut. Estes anéis perturbam o ar em redor da chama.
A frequência de funcionamento de 30 hertz corresponde a 30 ciclos por segundo. A frequência descreve a rapidez com que se repetem as alterações da pressão; é diferente do volume do som. O protótipo depende também da intensidade e da direcção dessas alterações, da forma da abertura e da distância ao fogo. Produzir um som grave é apenas uma parte do processo.
Porque é que o movimento do ar pode apagar uma chama
Uma chama precisa de combustível, calor e oxigénio para continuar acesa. O som propaga-se pelo ar sob a forma de alterações da pressão. Quando um dispositivo acústico adequado dirige essas alterações para uma pequena chama, pode alterar o fluxo de ar e perturbar a zona onde ocorre a combustão.
As descrições do Vortex Tech referem o afastamento do oxigénio da chama e a separação do ar quente em relação ao combustível. Explicações mais pormenorizadas descrevem uma perturbação localizada: as vibrações e a turbulência podem afastar a chama do combustível e aumentar a perda de calor até a combustão cessar.
O ar da divisão continua a conter oxigénio. O efeito útil ocorre junto à chama, onde o dispositivo altera as condições que permitem a continuidade da combustão. Uma vela é um exemplo simples, pois a chama depende do fornecimento constante de vapor de combustível libertado pela cera aquecida.
A influência do som sobre as chamas é estudada há muito tempo. Uma revisão publicada na revista Fire em 2025 atribui a J. Tyndall, em 1867, as primeiras observações da influência da voz humana sobre as chamas e aborda experiências acústicas posteriores para as extinguir. Venegas aplicou este princípio físico já conhecido num projecto estudantil portátil, através de sucessivas alterações de concepção e testes.
O que mostram os testes divulgados
Venegas afirma que o Vortex Tech apagou pequenos fogos envolvendo vários tipos de combustível em cerca de cinco a oito segundos. Os relatos também indicam que funciona a distâncias até dois metros. Estes valores dão ao projecto um parâmetro de desempenho mais concreto do que uma demonstração feita apenas com uma vela.
As descrições dos testes não especificam as dimensões das chamas, as medições da pressão sonora ou a proporção de tentativas bem e malsucedidas para cada combustível. Estes dados ajudariam a perceber com que regularidade o dispositivo funciona e em que condições obtém os melhores resultados.
A revisão publicada na Fire em 2025 considera que os incêndios na fase inicial são a aplicação mais adequada para a extinção acústica e descreve limitações quando o fogo se propaga a materiais sólidos. O movimento do ar pode perturbar uma chama visível, mas o calor e a combustão no interior do material exigem outra resposta.
A madeira, os líquidos inflamáveis, o equipamento eléctrico e a gordura de cozinha correspondem a diferentes condições de incêndio. A referência a estas categorias dá uma ideia útil das experiências da estudante, mas um dispositivo destinado a situações de emergência teria de ser avaliado com os combustíveis, as dimensões e as circunstâncias específicas em que se pretende utilizá-lo. Por isso, o desenvolvimento futuro não passa apenas por aumentar o alcance.
Onde pode ser útil um dispositivo sem agentes extintores
Venegas aponta laboratórios, escritórios, museus e salas de aula como possíveis locais de utilização da tecnologia. Todos partilham uma preocupação com os danos que um incêndio pode causar aos bens no interior de uma divisão: a água pode afectar equipamento ou colecções, enquanto o pó libertado pode deixar resíduos que exigem uma limpeza extensa.
O Vortex Tech não projecta líquidos nem pó químico contra a chama. Isso poderá representar uma vantagem em locais onde até um pequeno incêndio e a resposta para o apagar possam danificar equipamentos electrónicos, instrumentos de laboratório ou objectos em exposição. A bateria contribui também para a portabilidade pretendida.
As descrições do protótipo dizem que não deixa resíduos e que não prejudica as pessoas que se encontram nas proximidades durante o funcionamento. Os pormenores dos testes publicados são ainda limitados, e a avaliação da segurança faz parte do trabalho de desenvolvimento necessário antes de o dispositivo poder ser utilizado numa emergência real. O consumo de energia, a exposição acústica e a fiabilidade de funcionamento seriam factores importantes nos locais propostos.
Venegas afirma que o sistema se destina a funcionar em conjunto com os extintores tradicionais. Perante um incêndio, qualquer pessoa deve seguir os procedimentos de emergência estabelecidos e utilizar equipamento certificado adequado. Tentar reproduzir a experiência com um altifalante doméstico comum pode ser perigoso, pois o resultado depende da combinação cuidadosamente ajustada de frequência, potência, direcção e distância.
De Tamaulipas a uma feira internacional de ciência
O projecto está inscrito na plataforma da Sociedade Latino-Americana de Ciência e Tecnologia, conhecida como SOLACYT, com o título em espanhol Sistema de Extinción de Fuego Mediante Ondas Acústicas. Venegas é identificada como concorrente e Hernández como orientador, estando o trabalho integrado na área da ciência aplicada.
Venegas participou em sete competições estaduais e nacionais. O primeiro lugar na ExpoCiencias Tamaulipas 2025 antecedeu a medalha de prata nacional, entre cerca de 270 projectos. A Direcção-Geral de Educação Tecnológica Industrial e Serviços do México, ou DGETI, também a felicitou por representar o estado a nível internacional.
O percurso de desenvolvimento e de participação em competições do projecto pode ser resumido da seguinte forma:
- 2025: O Vortex Tech venceu a categoria do ensino secundário superior na ExpoCiencias Tamaulipas.
- Ao longo de cerca de um ano de desenvolvimento: Venegas e Hernández construíram cinco protótipos; o primeiro demorou dois meses a conseguir apagar uma pequena chama.
- Após a competição estadual: O projecto conquistou a medalha de prata num evento nacional que contou com cerca de 270 projectos.
- Outubro de 2026: Venegas foi seleccionada para apresentar o projecto na Feira Internacional de Ciência e Invenção, na Indonésia.
A Feira Internacional de Ciência e Invenção, ou ISIF, é descrita como sendo organizada pela Associação de Jovens Cientistas da Indonésia, em colaboração com a Universitas Indonesia. A programação detalhada de 2026 indica que a competição online decorreu de 6 a 9 de Outubro e o evento presencial de 12 a 17 de Outubro, na universidade, em Depok, perto de Jacarta. Outros relatos indicam as datas de 13 a 18 ou de 14 a 16 de Outubro e identificam Jacarta como destino.
Um relato publicado durante o evento diz que Venegas já tinha chegado à Indonésia e partilhado fotografias da universidade. O apoio financeiro para participar em feiras de ciência foi concedido pelo responsável municipal de Altamira, Armando Martínez Manríquez, e pela Secretaria da Educação de Tamaulipas. Este apoio ajudou a transformar o convite para participar na competição numa oportunidade de apresentar o dispositivo no estrangeiro.
A ambição de patentear e uma versão automática
Venegas espera vir a pedir uma patente para o Vortex Tech. Está também a desenvolver um segundo conceito: um extintor acústico que detectaria uma chama automaticamente e seria activado sem que alguém tivesse de o accionar.
Uma versão automática acrescentaria outra tarefa ao trabalho de engenharia já em curso. O sistema teria de reconhecer uma chama e activar o dispositivo acústico de forma fiável, enquanto o próprio extintor continuaria a ter de funcionar nas condições de utilização previstas. Não foi indicada qualquer data para a conclusão do projecto ou para o pedido de patente.
Venegas começou a interessar-se por electrónica no segundo semestre do ensino secundário superior, apesar de, inicialmente, esperar ter pouco interesse pela disciplina. A construção do Vortex Tech mudou a sua relação com a área. Está a ponderar estudar electrónica ou mecatrónica, área que combina sistemas mecânicos, electrónica e controlo, e espera vir a seguir engenharia.
O resultado imediato é concreto: cinco protótipos, mais de 100 testes divulgados, reconhecimento estadual e nacional e a oportunidade de fazer uma apresentação internacional. O próximo desafio é transformar as experiências com pequenas chamas num dispositivo testado de forma mais exaustiva para os espaços específicos que pretende proteger.
Pontos principais
- Ángela Karime Venegas Hernández desenvolveu o Vortex Tech no CETIS 78, em Altamira, Tamaulipas, com o orientador José Arturo Hernández Muñoz.
- O quinto protótipo utiliza uma bateria de 12 volts e som a 30 hertz para perturbar pequenas chamas.
- Venegas refere mais de 100 testes, tempos de extinção de cinco a oito segundos e um alcance eficaz de cerca de dois metros.
- O projecto venceu uma competição estadual em 2025 e conquistou a medalha de prata num evento nacional que contou com cerca de 270 projectos.
- O dispositivo continua a ser experimental e destina-se a complementar os extintores convencionais.
- Venegas espera vir a pedir uma patente e desenvolver uma versão que detecte chamas e se active automaticamente.






