Coreia do Norte lança vários mísseis balísticos após teste hipersónico da Coreia do Sul

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North Korea Fires Multiple Ballistic Missiles After South Korean Hypersonic Test

Lançamentos perto de Pyongyang substituem alerta inicial sobre projéctil não identificado

A Coreia do Norte disparou vários mísseis balísticos da região de Pyongyang em direcção ao mar a leste da Península da Coreia, a 12 de Outubro, segundo o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS). Os lançamentos foram detectados por volta das 9h20, hora local, e pelo menos um míssil percorreu mais de 900 quilómetros. Ocorreram nove dias depois de um lançamento de míssil a partir de Wonsan e pouco depois de a Coreia do Sul ter anunciado publicamente o primeiro teste de uma arma hipersónica desenvolvida no país.

Índice
  1. Lançamentos perto de Pyongyang substituem alerta inicial sobre projéctil não identificado
  2. O que os dados de voo permitem concluir
  3. Japão emite dois alertas e verifica a segurança marítima
  4. O teste de 3 de Outubro serve de comparação, mas as distâncias divergem
  5. O teste hipersónico da Coreia do Sul passa a integrar o confronto
  6. A disputa sobre minas terrestres acrescenta outro foco de tensão
  7. Uma sequência de testes e respostas de emergência
  8. Condenação, prontidão militar e diplomacia sem resolução
  9. Pontos principais

As informações vieram completar um alerta de emergência inicial, que referia um projéctil não identificado sem indicar o tipo, o alcance ou a trajectória. Comunicados militares posteriores identificaram vários mísseis balísticos, embora as autoridades sul-coreanas e norte-americanas ainda estivessem a analisar as respectivas características exactas.

O porta-voz do JCS, Jang Do-young, descreveu a detecção numa conferência de imprensa:

Por volta das 9h20 de 12 de Outubro, detectámos vários mísseis balísticos disparados da região de Pyongyang, na Coreia do Norte, em direcção ao Mar do Leste.

O Japão emitiu separadamente alertas sobre dois possíveis mísseis balísticos e avaliou que estes pareciam ter caído fora da sua zona económica exclusiva. As águas em causa são conhecidas como Mar do Leste na Coreia do Sul e Mar do Japão no Japão.

Os lançamentos reuniram três focos de tensão: testes de armas concorrentes, uma disputa sobre explosões de minas terrestres que feriram soldados sul-coreanos e a estagnação da diplomacia em torno do programa nuclear norte-coreano. As forças armadas sul-coreanas interpretaram os últimos lançamentos como uma resposta ao seu teste hipersónico, mas essa avaliação não confirma qual foi a explicação da Coreia do Norte para o sucedido.

O que os dados de voo permitem concluir

Os relatos posteriores concordam que foram lançados vários mísseis, mas diferem quanto à abrangência da distância comunicada, superior a 900 quilómetros. Alguns referem que um míssil ou um tipo de míssil alcançou essa distância. Outro cita Jang afirmando que os mísseis detectados percorreram mais de 900 quilómetros. Nos relatos da avaliação sul-coreana, a Coreia do Sul não especificou publicamente o número exacto de mísseis.

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A distinção é importante porque, segundo os relatos, os mísseis pareciam ser de tipos diferentes. Uma distância medida para uma arma não pode ser automaticamente atribuída a todas as armas lançadas numa salva. Os dois alertas japoneses sobre projécteis também não permitem determinar o número total detectado pela Coreia do Sul.

Jang afirmou que as autoridades sul-coreanas e norte-americanas continuavam a análise técnica:

Os mísseis norte-coreanos detectados percorreram mais de 900 quilómetros, e as autoridades sul-coreanas e norte-americanas estão a realizar uma análise detalhada das suas características exactas.

Um míssil balístico segue, em geral, uma trajectória em arco depois da fase de propulsão, embora alguns sistemas possam manobrar durante parte do voo. A distância, por si só, não permite identificar o modelo do míssil, a sua carga útil ou o seu alcance máximo possível. Não ficou demonstrado que os últimos lançamentos fossem testes hipersónicos apenas por terem ocorrido depois de demonstrações de armas hipersónicas por ambos os países.

Japão emite dois alertas e verifica a segurança marítima

A Guarda Costeira do Japão emitiu um alerta por volta das 9h26, com base em informações do Ministério da Defesa, indicando que um possível míssil balístico norte-coreano parecia já ter caído fora da zona económica exclusiva do Japão. Um segundo alerta, emitido por volta das 9h40, dizia respeito a outro possível míssil.

Estas horas referem-se aos anúncios japoneses e não identificam necessariamente dois momentos de lançamento distintos. A Coreia do Sul situou a detecção por volta das 9h20, o equivalente a 00h20 GMT.

A Guarda Costeira instou as embarcações a terem precaução. O Ministério da Defesa japonês reuniu informações para determinar se os lançamentos tinham afectado o Japão, enquanto uma equipa de resposta de emergência se reuniu no Centro de Gestão de Crises do Gabinete do Primeiro-Ministro.

A primeira-ministra Sanae Takaichi instruiu os responsáveis a recolher e analisar informações e a confirmar a segurança de aeronaves e embarcações. A avaliação de que os projécteis caíram fora da zona económica exclusiva descreve as prováveis zonas de queda; por si só, não conclui as verificações de danos ou perturbações.

O teste de 3 de Outubro serve de comparação, mas as distâncias divergem

O lançamento anterior de um míssil balístico norte-coreano ocorreu a 3 de Outubro, na região de Wonsan, na província de Kangwon. As forças armadas sul-coreanas disseram que o míssil percorreu mais de 700 quilómetros em direcção ao mar a leste.

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Os meios de comunicação estatais norte-coreanos descreveram posteriormente o acontecimento como um exercício de lançamento de armas estratégicas supervisionado pelo líder Kim Jong Un. Identificaram a arma como um míssil estratégico de alcance intermédio com uma ogiva hipersónica, ou como um míssil balístico hipersónico de alcance intermédio.

Os valores de distância divergem. A Coreia do Sul indicou mais de 700 quilómetros, enquanto a Coreia do Norte reivindicou 1.000 quilómetros. Um dos relatos refere a reivindicação norte-coreana como superior a 1.000 quilómetros. Estas descrições não devem ser tratadas como uma única medição consensual.

O valor de mais de 900 quilómetros para 12 de Outubro é superior ao limiar de 700 quilómetros indicado pela Coreia do Sul para 3 de Outubro. No entanto, ambos os valores sul-coreanos são limites mínimos, não distâncias exactas. Não permitem calcular o aumento exacto entre os dois acontecimentos nem demonstrar que foi utilizado o mesmo sistema de mísseis.

O local de lançamento também mudou: de Wonsan, a 3 de Outubro, para a região de Pyongyang, a 12 de Outubro. Um dos relatos identifica o último acontecimento como o primeiro lançamento na região da capital desde 20 de Agosto, quando foram disparados cerca de 10 mísseis KN-25 presumidos em direcção ao mar a leste.

O teste hipersónico da Coreia do Sul passa a integrar o confronto

O teste recente da Coreia do Sul envolveu o primeiro veículo planador hipersónico desenvolvido no país e foi observado pelo presidente Lee Jae-myung. O relato mais detalhado situa o lançamento a 8 de Outubro, a partir de uma barcaça ao largo do centro de testes de Anheung da Agência para o Desenvolvimento da Defesa.

Os relatos divergem quanto à data. Alguns dizem que o teste ocorreu na quinta ou na sexta-feira, enquanto outro distingue o lançamento de 8 de Outubro do anúncio do Governo, feito na quinta-feira. O ponto comum é que a Coreia do Sul apresentou publicamente o teste pouco antes dos lançamentos norte-coreanos de 12 de Outubro.

Uma arma hipersónica desloca-se, pelo menos, a cinco vezes a velocidade do som. Um veículo planador hipersónico é concebido para manobrar enquanto atravessa a atmosfera, depois de ser acelerado por um propulsor. A combinação de velocidade e mudança de trajectória pode dificultar o acompanhamento e a intercepção, embora o anúncio de um teste, por si só, não demonstre o desempenho da arma perante sistemas de defesa antimíssil.

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Lee descreveu o teste como um passo importante para reforçar as capacidades de defesa convencional da Coreia do Sul. O seu gabinete afirmou que, quando estiver totalmente desenvolvido, o sistema melhorará a capacidade de atingir de surpresa alvos importantes. Esta formulação indica que o sistema ainda está em desenvolvimento, e não que tenha sido confirmado o seu destacamento operacional.

Um porta-voz do JCS interpretou da seguinte forma a resposta da Coreia do Norte:

uma demonstração de força em resposta ao lançamento de teste bem-sucedido do nosso míssil hipersónico, bem como uma demonstração deliberada das capacidades dos seus mísseis

Esta é a avaliação de Seul sobre os lançamentos. Relaciona-os com o teste sul-coreano, mas não esclarece se a Coreia do Norte também pretendia responder à disputa fronteiriça distinta.

A disputa sobre minas terrestres acrescenta outro foco de tensão

Três soldados sul-coreanos ficaram feridos em explosões de minas terrestres perto da fronteira intercoreana no mês anterior. As forças armadas da Coreia do Sul e o Comando das Nações Unidas, liderado pelos Estados Unidos, concluíram que os engenhos tinham sido colocados pela Coreia do Norte.

Segundo um relato da investigação conjunta, duas minas tinham sido colocadas por forças norte-coreanas cerca de um ano antes. Seul exigiu um pedido de desculpas. Pyongyang negou ser responsável, rejeitou essa exigência e acusou a Coreia do Sul de provocação.

A disputa é relevante para os anúncios militares recentes de ambos os países. Alguns relatos relacionam o último lançamento norte-coreano com as acusações da Coreia do Sul relativas às explosões. Outros dizem que Seul anunciou o teste hipersónico em resposta ao incidente com as minas. A interpretação do JCS sobre os lançamentos de 12 de Outubro centrou-se, por sua vez, no teste sul-coreano de armamento.

Estas explicações podem descrever diferentes aspectos do mesmo confronto, mas continuam a ser alegações distintas. As conclusões da investigação, a negação da Coreia do Norte e a avaliação de Seul sobre os lançamentos de mísseis não devem ser fundidas numa versão comprovada das intenções norte-coreanas.

Uma sequência de testes e respostas de emergência

A sequência central de Outubro é clara, ainda que alguns pormenores técnicos e a data do teste sul-coreano variem:

  • 3 de Outubro: A Coreia do Norte lançou um míssil balístico da região de Wonsan. A Coreia do Sul indicou que o voo ultrapassou os 700 quilómetros.
  • 4 de Outubro: Os meios de comunicação estatais norte-coreanos descreveram um teste de um míssil estratégico hipersónico supervisionado por Kim Jong Un e reivindicaram um voo de cerca de 1.000 quilómetros ou mais.
  • 8 de Outubro: Segundo o relato detalhado do teste sul-coreano, o veículo planador hipersónico foi lançado em Anheung nesta data, na presença de Lee. Outros relatos apresentam datas diferentes para o dia da semana do teste ou para o seu anúncio.
  • 12 de Outubro, por volta das 9h20: A Coreia do Sul detectou vários mísseis balísticos lançados da região de Pyongyang.
  • 12 de Outubro, por volta das 9h26 e das 9h40: O Japão emitiu alertas separados sobre possíveis mísseis.
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Os relatos descrevem o dia 12 de Outubro como o quarto lançamento da Coreia do Norte num mês. Os números para o ano divergem: um relato considera-o o 16.º lançamento, enquanto outro diz que ocorreram testes de mísseis em mais de 10 ocasiões. Sem definições coincidentes do que conta como lançamento ou ocasião de teste, estes valores não podem ser combinados num total exacto consensual.

Condenação, prontidão militar e diplomacia sem resolução

O Gabinete de Segurança Nacional da Coreia do Sul convocou uma reunião de emergência e condenou os lançamentos como violações das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, exigindo a sua cessação imediata. A Coreia do Norte está sujeita a sanções da ONU desde 2006, destinadas a travar o desenvolvimento das suas armas nucleares e mísseis balísticos.

O JCS afirmou ter reforçado a vigilância e a prontidão perante a possibilidade de novos lançamentos. Disse também que a Coreia do Sul, os Estados Unidos e o Japão estavam a partilhar informações sobre mísseis e a manter-se preparados.

A actividade militar decorre enquanto os esforços diplomáticos permanecem estagnados. Lee comprometeu-se a reabrir o diálogo com a Coreia do Norte depois de tomar posse em 2025, e Seul tinha anunciado uma coordenação preliminar destinada a facilitar contactos entre Pyongyang e Washington. A Coreia do Norte continua a rejeitar as propostas norte-americanas e sul-coreanas para retomar as conversações.

Song Seong-jong, professor na Universidade de Daejeon e antigo responsável do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, interpretou a frequência dos testes como uma tentativa de melhorar a posição negocial da Coreia do Norte antes de um possível encontro entre Kim e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Disse:

Precisam mesmo de elevar o valor da sua posição antes de se reunirem com Trump,

Trata-se da interpretação de um analista, não da confirmação de uma cimeira ou da sua data. Não está estabelecida qualquer data para esse encontro. Os modelos exactos dos mísseis, o número total lançado e as conclusões técnicas da análise conjunta sul-coreana e norte-americana também continuam por apurar, sem prazo anunciado para a sua divulgação.

Pontos principais

  • A Coreia do Sul identificou vários mísseis balísticos lançados da região de Pyongyang a 12 de Outubro, substituindo um alerta inicial sobre um projéctil não identificado.
  • Pelo menos um míssil percorreu mais de 900 quilómetros, mas os relatos divergem quanto a essa distância se aplicar a um míssil, a um tipo ou a vários mísseis.
  • O Japão emitiu dois alertas sobre possíveis mísseis e avaliou que os projécteis pareciam ter caído fora da sua zona económica exclusiva.
  • Os lançamentos ocorreram depois do teste norte-coreano de 3 de Outubro e da recente demonstração sul-coreana de um veículo planador hipersónico.
  • Seul descreveu os lançamentos como uma demonstração de força e condenou-os como violações das resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
  • A disputa sobre as minas terrestres continua por resolver, tal como as especificações dos mísseis e qualquer calendário para a retoma da diplomacia.
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