Polícia sul-coreana faz buscas nos serviços de informações por despesas de 170 milhões de won do Gabinete de Segurança

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South Korean Police Search Intelligence Agency Over 170 Million Won in Security Office Spending

Orçamento para contactos diplomáticos sob escrutínio devido a despesas internas

A polícia sul-coreana fez duas buscas nos Serviços Nacionais de Informações (NIS) devido a suspeitas de que cerca de 170 milhões de won, destinados a angariar apoio diplomático para a Coreia do Sul, foram usados sobretudo em reuniões, consultas e refeições internas que envolveram o Gabinete de Segurança Nacional da Presidência durante o mandato do antigo presidente Yoon Suk Yeol.

Índice
  1. Orçamento para contactos diplomáticos sob escrutínio devido a despesas internas
  2. Como foi aprovado o programa
  3. O que revela a discriminação das despesas
  4. Refeições, consultas e custos de reuniões internas
  5. As salvaguardas e a questão jurídica
  6. Deputado exige interrogatórios e devolução do dinheiro
  7. O que disseram a agência e os advogados de Kim
  8. Outra busca esteve relacionada com alegações eleitorais
  9. Pontos principais

A unidade de investigação anticorrupção da Agência de Polícia Metropolitana de Seul apreendeu documentos e registos informáticos e interrogou cerca de 20 funcionários atuais e antigos dos serviços de informações, incluindo um antigo responsável pelo gabinete de planeamento e coordenação da agência. Os relatos divergem ligeiramente quanto ao número de pessoas interrogadas: alguns referem 20, enquanto outros dizem cerca de 20 ou várias dezenas.

As despesas abrangeram 50 atividades entre julho de 2022 e junho de 2023. Segundo o gabinete do deputado do Partido Democrático Yoon Kun young, que analisou a investigação interna dos serviços de informações, apenas oito atividades envolveram contactos efetivos com estrangeiros. Trinta e oito envolveram contactos internos ou trabalho de consultoria, três apoiaram conferências académicas e uma enquadrou-se noutra categoria.

Segundo notícias, os Serviços Nacionais de Informações, ou NIS, concluíram, durante uma análise interna já sob a presidência de Lee Jae Myung, que o programa se afastou do plano inicial e produziu resultados limitados. Ainda assim, não tomaram outras medidas, por considerarem que a legalidade era incerta.

Esta distinção é central para o caso: uma conclusão interna de que um programa teve um desempenho fraco ou serviu um propósito diferente não prova, por si só, a prática de um crime. A polícia está a investigar se a agência usou ilegalmente o seu orçamento para pagar despesas de outro organismo governamental. Não foi anunciada qualquer conclusão de responsabilidade criminal neste caso orçamental.

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Como foi aprovado o programa

A iniciativa foi apresentada como um programa para aumentar a influência em apoio da Coreia do Sul. O objetivo declarado era angariar apoio diplomático no estrangeiro, e não financiar as atividades internas correntes do Gabinete de Segurança Nacional.

Yoon Kun young, o principal representante do partido no poder na Comissão de Informações da Assembleia Nacional, indicou duas datas concretas para a criação do programa. Segundo disse, os NIS prepararam o plano e apresentaram-no ao Gabinete de Segurança Nacional em 8 de julho de 2022. Kim Kyou hyun, então diretor dos serviços de informações, aprovou-o em 18 de julho.

Kim Tae hyo, então primeiro vice-conselheiro de segurança nacional, terá liderado as atividades que se seguiram. A análise da agência identificou despesas ao longo de cerca de um ano, até junho de 2023. A sequência relatada é a seguinte:

  • 8 de julho de 2022: Os NIS prepararam o plano do programa e apresentaram-no ao Gabinete de Segurança Nacional, segundo o relato de Yoon.
  • 18 de julho de 2022: O então diretor dos NIS, Kim Kyou hyun, aprovou o plano.
  • Julho de 2022 a junho de 2023: Foram gastos cerca de 170 milhões de won em 50 atividades.
  • Outubro: A deputada do Partido Democrático Park Sun won apresentou a queixa que deu origem à investigação policial. Os relatos divergem quanto à data desta apresentação.
  • Janeiro e setembro: A polícia fez buscas nos NIS, segundo relatos que identificam expressamente ambos os meses.

A data da queixa exige uma ressalva. Dois relatos situam-na em outubro de 2025, enquanto outros se referem apenas a outubro do ano anterior. Vários relatos também indicam que a segunda busca ocorreu no mês anterior, ao passo que outros especificam setembro. Estas descrições não permitem determinar um ano único e consistentemente indicado para as buscas.

O que revela a discriminação das despesas

O número de atividades dá uma ideia mais clara da orientação do programa do que o montante total, por si só. Os contactos com estrangeiros corresponderam a oito das 50 atividades, ou 16%. Os contactos internos e o trabalho de consultoria representaram 38, ou 76%. O apoio a conferências académicas correspondeu a 6% e a categoria restante a 2%.

Os valores gastos revelam uma distribuição diferente. Segundo o relato de Yoon, cerca de 12,8 milhões de won foram destinados a contactos e consultas com estrangeiros, cerca de 90 milhões a conferências académicas internas e cerca de 66 milhões a consultas com especialistas nacionais.

Com base no total anunciado de 170 milhões de won, os contactos e consultas com estrangeiros absorveram aproximadamente 7,5% do orçamento. As conferências académicas internas representaram cerca de 53%, apesar de corresponderem a apenas três das 50 atividades. As consultas com especialistas nacionais representaram cerca de 39%.

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Estes valores são aproximados. Os três montantes indicados somam 168,8 milhões de won, ligeiramente abaixo do total arredondado, e não é indicado um valor monetário separado para a categoria de atividade restante. Não devem ser considerados uma reconciliação contabilística completa e auditada.

A despesa média foi de cerca de 3,4 milhões de won por atividade, calculada dividindo 170 milhões de won por 50. Essa média também esconde diferenças substanciais: as três atividades relacionadas com conferências académicas representaram mais dinheiro do que as 38 atividades de consultoria interna em conjunto. Descrever todo o orçamento como despesas com refeições seria, por isso, ir além da discriminação detalhada.

Refeições, consultas e custos de reuniões internas

Entre os exemplos identificados através do gabinete de Yoon contam-se um debate sobre as principais questões diplomáticas e de segurança com um jornalista, uma reunião de aconselhamento em matéria de segurança económica com a participação de um vice-presidente de uma empresa, um debate sobre semicondutores organizado pela Associação Coreana de Estudos Internacionais e uma refeição com um professor emérito.

Outras despesas noticiadas incluíam almoços embalados para reuniões do próprio Gabinete de Segurança Nacional e refeições com jornalistas, empresários, antigos altos responsáveis e professores. Yoon alega que funcionários dos NIS acompanharam Kim Tae hyo e pagaram custos que deveriam ter sido suportados pelo próprio gabinete de segurança.

Estes exemplos exigem que se distinga entre o tema abordado e a responsabilidade pelo orçamento. Um debate sobre semicondutores ou uma consulta sobre segurança económica podem dizer respeito à segurança nacional. A alegação não é simplesmente que foram consultados especialistas nacionais, mas que dinheiro aprovado para um programa específico dos NIS foi usado para pagar despesas de outro gabinete.

Um dos relatos atribui também ao queixoso Park Sun won a alegação de que não se concretizou qualquer projeto de cooperação com estrangeiros previsto no programa. Em contrapartida, os dados de Yoon registam oito atividades com contactos efetivos com estrangeiros. Estas afirmações medem coisas diferentes: realizar uma reunião não é necessariamente o mesmo que concretizar um projeto de cooperação. Não foram divulgados pormenores sobre os resultados concretos desses oito contactos.

As salvaguardas e a questão jurídica

Segundo os relatos, o programa tinha três condições: não fazer transferências em dinheiro, realizar despesas apenas na presença de um funcionário dos NIS e gastar apenas em atividades com outra instituição ou com o setor privado.

As condições parecem ter sido concebidas para distinguir o esquema de casos anteriores envolvendo fundos para atividades especiais dos NIS e os governos de Lee Myung bak e Park Geun hye. Yoon citou as condenações nesses casos para defender que as atuais alegações devem ser objeto de investigação criminal.

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No entanto, o facto de um funcionário dos serviços de informações acompanhante efetuar o pagamento não determina, por si só, se a despesa cabia legitimamente aos NIS. A questão central é saber o que foi financiado e se a agência tinha autoridade legal para o pagar.

A queixa de Park invoca o artigo 47.º da Lei das Finanças Nacionais. Segundo os relatos, essa disposição proíbe, em termos gerais, que o responsável por um organismo central do Estado use fundos orçamentais atribuídos a outro organismo. Em termos simples, a alegação diz respeito à possibilidade de terem sido tratados como intermutáveis orçamentos de organismos governamentais distintos.

A aplicação concreta da lei continua por esclarecer. A polícia terá de determinar se os pagamentos eram despesas legítimas do programa dos NIS ou um apoio não autorizado ao Gabinete de Segurança Nacional. As salvaguardas referidas, o processo de aprovação e os registos efetivos das despesas são relevantes para essa avaliação, mas nenhum destes elementos, por si só, determina a resposta.

Deputado exige interrogatórios e devolução do dinheiro

Yoon Kun young assumiu uma posição mais firme do que a análise interna dos serviços de informações. O deputado sustenta que as despesas foram ilegais e que evitar transferências em dinheiro não resolveu o problema de fundo. Numa publicação nas redes sociais, descreveu assim a conduta alegada:

Estas ações são manifestamente ilegais.

Esta é a acusação de Yoon, não uma decisão judicial. O deputado alegou também que funcionários dos NIS, na prática, levavam cartões de pagamento para cobrir as despesas de Kim Tae hyo e exigiu que fossem recuperados cerca de 170 milhões de won.

Yoon afirmou ainda que nem Kim Tae hyo nem Kim Kyou hyun tinham sido interrogados presencialmente. Criticou o ritmo da investigação e prometeu prosseguir o caso durante as auditorias da Assembleia Nacional conduzidas pela Comissão da Administração Pública e Segurança e pela Comissão de Informações.

Não foi anunciada qualquer data confirmada para o interrogatório de qualquer um dos dois, uma decisão sobre a dedução de acusação ou uma ordem de devolução do dinheiro. A exigência de recuperação do montante continua a ser um pedido, não uma devolução já concretizada, e não foi indicada uma data específica para qualquer audição parlamentar.

O que disseram a agência e os advogados de Kim

A conclusão interna atribuída aos NIS combina duas conclusões que não devem ser confundidas. A agência considerou que o programa funcionou de forma diferente da prevista no plano aprovado e teve poucos resultados, mas também considerou incerta a legalidade das despesas.

Yoon interpreta a análise como um apoio à sua alegação de que o orçamento foi usado para gerir os contactos internos de Kim Tae hyo. A conclusão mais restrita atribuída à agência revela preocupação quanto ao propósito e aos resultados, não uma conclusão anunciada de que foi cometido um crime.

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Kim Tae hyo foi descrito como estando detido no âmbito de um caso separado de insurreição quando os seus advogados foram questionados sobre as alegações relativas ao orçamento. A equipa jurídica afirmou estar concentrada nesse julgamento e não conhecer este caso.

Essa resposta não oferece uma explicação substantiva das despesas, mas não deve ser considerada uma admissão. Os processos separados também não provam a culpa no âmbito da investigação ao orçamento. A polícia não anunciou uma decisão final sobre a responsabilidade pelos pagamentos.

Outra busca esteve relacionada com alegações eleitorais

Os NIS foram também alvo de buscas no âmbito de outra investigação, relacionada com as eleições de 2023 para o cargo de presidente da câmara do distrito de Gangseo, em Seul. Essa investigação diz respeito ao anúncio, pela agência, pouco antes das eleições, de conclusões de uma inspeção de segurança segundo as quais os resultados da contagem dos votos poderiam ser vulneráveis a ataques informáticos.

As alegações são de que altos responsáveis dos serviços de informações participaram na escolha da data do anúncio e de que parte do seu conteúdo era falsa. Park Sun won apresentou igualmente a queixa que deu origem a essa investigação.

Os relatos situam em janeiro uma busca relacionada com as alegações eleitorais. O facto de os casos envolverem a mesma agência, o mesmo queixoso e o mesmo mês não deve ocultar a diferença entre eles: um diz respeito a despesas orçamentais em 2022 e 2023, enquanto o outro está relacionado com um anúncio sobre a segurança das eleições. Nenhuma das alegações deve ser usada como prova da outra.

Pontos principais

  • A polícia de Seul fez duas buscas nos NIS e interrogou cerca de 20 funcionários atuais e antigos devido a alegado apoio orçamental ao Gabinete de Segurança Nacional.
  • O programa gastou cerca de 170 milhões de won em 50 atividades entre julho de 2022 e junho de 2023.
  • Segundo o gabinete de Yoon Kun young, oito atividades envolveram contactos com estrangeiros, enquanto 38 envolveram contactos internos ou trabalho de consultoria.
  • As despesas divulgadas incluíam conferências académicas internas, consultas com especialistas, refeições e almoços embalados para reuniões internas do gabinete de segurança.
  • Segundo os relatos, os NIS concluíram que o programa se afastou do plano e produziu resultados limitados, mas consideraram incerta a sua legalidade.
  • A polícia está a investigar alegadas violações do artigo 47.º da Lei das Finanças Nacionais. Não foi anunciada qualquer conclusão final de responsabilidade criminal.
  • Yoon exigiu novos interrogatórios e a recuperação do dinheiro, mas não foi anunciada qualquer ordem de devolução nem uma data confirmada para a próxima audição.
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