Coreia do Sul abre via de indemnização para vítimas de desinfetantes para humidificadores, mas regras de pagamento continuam por definir

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South Korea Opens Compensation Route for Humidifier Disinfectant Victims, With Payment Rules Still Pending

Seis meses para apresentar candidaturas, com responsabilidade partilhada entre o Estado e as empresas

A Coreia do Sul abriu, a 8 de outubro de 2026, as candidaturas a um sistema de indemnização que permite às vítimas de desinfetantes para humidificadores reclamar danos sem instaurarem uma ação cível separada. O prazo de candidatura termina a 7 de abril de 2027. O Governo incluiu 244,7 mil milhões de wons para a sua contribuição na proposta de Orçamento do Estado para 2027, mas, quando as candidaturas começaram, ainda não estavam definidos os critérios individuais de indemnização nem os montantes a pagar por cada empresa.

Índice
  1. Seis meses para apresentar candidaturas, com responsabilidade partilhada entre o Estado e as empresas
  2. O que muda quando o apoio passa a indemnização?
  3. Que prejuízos podem ser indemnizados?
  4. Como podem as vítimas e as famílias candidatar-se?
  5. Candidaturas abrem antes de as regras estarem concluídas
  6. A promessa de financiamento e o risco de litígios entre empresas
  7. As vítimas querem ter voz nas decisões
  8. De produtos domésticos a uma catástrofe nacional
  9. Porque é que a indemnização tem de ter em conta doenças que surgem mais tarde
  10. Pontos principais

A mudança surge 15 anos depois de as autoridades de saúde terem identificado a catástrofe, em 2011. Na sequência das alterações à Lei Especial de Reparação e Apoio às Vítimas de Desinfetantes para Humidificadores, um programa administrativo de apoio está a dar lugar a um sistema de indemnização baseado na responsabilidade partilhada entre o Estado e as empresas. Um comité dependente do primeiro-ministro avaliará os pedidos e decidirá quem é elegível e os montantes a pagar.

O Gabinete de Coordenação das Políticas Governamentais anunciou o lançamento a 7 de outubro, numa comunicação sobre o sistema de indemnização. No dia seguinte, o Ministério do Clima, Energia e Ambiente assinou um acordo de implementação com 15 fabricantes, vendedores e fornecedores de matérias-primas, no edifício da Associação do Carvão, em Jongno-gu, Seul.

O acordo reúne empresas como a Oxy Reckitt Benckiser, a SK Chemicals, a SK Innovation, a Aekyung Industrial e a E-mart. Estas comprometeram-se a pagar as respetivas quotas da indemnização, enquanto o ministério se comprometeu a procurar financiamento público através do processo orçamental. Para as vítimas, a promessa concreta é uma via para obter indemnização sem terem de avançar com uma ação judicial separada. A incerteza imediata diz respeito à forma como os danos serão calculados e à data em que os pagamentos serão efetuados.

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O que muda quando o apoio passa a indemnização?

O sistema anterior concedia prestações de apoio às vítimas reconhecidas, mas, para obterem uma indemnização para além desse apoio, poderia ser necessária uma ação cível separada. O quadro revisto coloca o Estado, a par das empresas, como parte responsável pela indemnização e transfere a avaliação dos pedidos para um processo conduzido pela administração pública.

Esta distinção é importante porque a indemnização pode cobrir vários tipos de prejuízo, incluindo despesas de tratamento, perda de rendimentos e compensação pelo sofrimento, em vez de se limitar a prestar apoio continuado. Não significa que todas as candidaturas recebam o mesmo montante, nem que a apresentação de um pedido, por si só, confira o direito a uma indemnização. Os avaliadores analisarão os danos para a saúde e o grau em que o requerente perdeu a capacidade de trabalhar antes de o comité tomar uma decisão.

Uma revisão académica de saúde pública, da autoria de Sue K Park e colegas, descreve outra consequência jurídica importante: uma decisão de indemnização aceite pelo requerente produz os efeitos de uma transação judicial. A aceitação tem, por isso, peso jurídico para além da obtenção de um benefício administrativo.

A revisão refere ainda que a lei alterada alarga para 10 anos, a contar do momento em que há conhecimento, o prazo de prescrição, que no direito civil é de três anos, e suspende esse prazo durante os processos de candidatura e reapreciação. Este prazo mais longo é independente do período inicial de seis meses para a apresentação de candidaturas. Os requerentes que discordem de uma decisão do comité podem pedir a sua reapreciação, embora os anúncios de lançamento não indiquem um calendário completo para esse processo.

Que prejuízos podem ser indemnizados?

O Governo afirma que a indemnização cobrirá prejuízos decorrentes de danos para a saúde causados por desinfetantes para humidificadores. As categorias incluem despesas médicas, cuidados de enfermagem, indemnização por incapacidade, indemnização para familiares de vítimas mortais, despesas de funeral, compensação por danos não patrimoniais e juros de mora.

A indemnização por incapacidade e a atribuída aos familiares de vítimas mortais incluem a perda de rendimentos. Na prática, a avaliação considera os rendimentos que uma pessoa deixou de poder auferir devido a lesão ou morte. Assim, os comprovativos de rendimentos serão relevantes a par da prova médica, mesmo para pessoas cujos danos para a saúde já tenham sido reconhecidos.

Os beneficiários poderão escolher a modalidade de pagamento. Podem receber a indemnização, incluindo as despesas de tratamentos futuros, de uma só vez, ou receber primeiro o montante excluindo essas despesas e continuar a receber depois a componente médica. O anúncio oficial descreve a opção relativa às despesas médicas como um pagamento único ou um montante inicial seguido de pagamentos continuados.

As pessoas que já recebem prestações de apoio continuarão a recebê-las até ao pagamento da nova indemnização. Esta medida pretende evitar uma interrupção do apoio financeiro enquanto os pedidos são analisados. Não deve ser entendida como uma promessa de pagamentos intercalares a novos requerentes, nem de que todos os pedidos serão resolvidos até uma data específica.

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Como podem as vítimas e as famílias candidatar-se?

As candidaturas exigem um formulário e documentos comprovativos, a entregar ao Comité de Deliberação sobre a Indemnização por Desinfetantes para Humidificadores. As candidaturas em linha podem ser submetidas através do Portal de Apoio Integral às Vítimas de Desinfetantes para Humidificadores, em www.healthrelief.or.kr.

Também é possível apresentar candidaturas presencialmente no gabinete de apoio do comité, em Eojin-dong, Sejong, ou na receção do Instituto Coreano da Indústria e Tecnologia Ambiental, em Bulgwang-dong, Eunpyeong-gu, Seul. O número do centro de atendimento do gabinete de apoio de Sejong é 1833-9085. Junto à estação de Seul, existe um espaço de atendimento às vítimas onde é prestado apoio na candidatura.

As pessoas reconhecidas ao abrigo da lei especial anterior dispõem de um processo simplificado. Se concluírem em linha o procedimento de consentimento que permite reutilizar os documentos já entregues, considera-se que apresentaram um pedido de indemnização. O reconhecimento ao abrigo do sistema antigo não dispensa essa etapa de consentimento prevista pelo procedimento anunciado pelo Governo.

As vítimas já reconhecidas podem também apresentar informações adicionais sobre rendimentos e registos médicos. Estes documentos podem ajudar a comprovar prejuízos ou evoluções que não tenham sido abrangidos numa candidatura anterior. A distinção é importante: a autorização para reutilizar um processo antigo reduz a repetição de burocracia, mas não significa que esse processo contenha necessariamente tudo o que é preciso para calcular os danos.

Candidaturas abrem antes de as regras estarem concluídas

A abertura das candidaturas não significa que as decisões individuais de indemnização comecem de imediato. No momento do lançamento, nem a composição do comité nem os critérios detalhados de indemnização estavam definidos. O Governo previa constituir o comité durante outubro de 2026 e publicar os critérios pormenorizados e as orientações antes do final do ano.

O anúncio de 7 de outubro indicava que as avaliações começariam logo que possível após a constituição do comité. Informações posteriores apresentaram um calendário mais específico: as avaliações individuais começariam em 2027. Hong Kyung-jin, responsável pela política de saúde ambiental no ministério, afirmou que o Governo esperava que as deliberações tivessem início no primeiro trimestre de 2027.

Estas declarações diferem no grau de precisão. O anúncio inicial manifestava a intenção de avançar rapidamente, enquanto o calendário posterior situava as avaliações individuais entre janeiro e março de 2027. Nenhum deles garante a data de pagamento a um requerente específico.

O ministério tenciona estimar o montante total das indemnizações com base nos critérios detalhados e fixar as contribuições de cada empresa no primeiro semestre de 2027. Esta sequência explica por que razão as candidaturas estão a ser recolhidas antes de se conhecer a repartição completa do financiamento. Também deixa os requerentes perante a decisão de entregar documentos antes de poderem avaliar o valor provável de uma indemnização.

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A promessa de financiamento e o risco de litígios entre empresas

A contribuição pública proposta de 244,7 mil milhões de wons é uma verba orçamental, não uma estimativa publicada do custo total das indemnizações. O ministro Kim Sung-hwan afirmou que o Governo procuraria garantir o montante durante a discussão do Orçamento do Estado na Assembleia Nacional e pedir financiamento adicional caso o âmbito da responsabilidade fosse alterado.

As contribuições das empresas continuam por definir. Nos termos do acordo de 8 de outubro, os desacordos relativos a essas contribuições deverão ser tratados primeiro através de um órgão consultivo. O acordo não impede as empresas de intentarem ações judiciais umas contra as outras. Pretende evitar que as discussões sobre a repartição dos custos atrasem as indemnizações às vítimas.

Kim, ministro responsável pelo Clima, Energia e Ambiente, descreveu o papel que o Governo pretende assumir na aplicação do novo sistema:

Enquanto parte responsável pela indemnização, o Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para garantir que o processo decorra de forma rápida e transparente.

O acordo de financiamento compromete também o ministério e as empresas a reforçar a gestão da segurança química, desde as matérias-primas até à eliminação dos produtos. Esta medida liga o pagamento à prevenção, mas o acordo, por si só, não garante que todo o financiamento tenha sido assegurado nem que tenham sido eliminados futuros litígios entre empresas.

As vítimas querem ter voz nas decisões

Os representantes das vítimas questionaram a ordem pela qual o sistema está a ser implementado. A preocupação não se limita à possibilidade de apresentar candidaturas: diz também respeito a saber se os critérios e a composição do comité virão a refletir de forma justa os danos sofridos.

Kim Mi-ran, representante de uma associação de familiares de vítimas mortais e de pessoas afetadas por doença pulmonar intersticial, defendeu que a apresentação de uma verba orçamental antes da conclusão dos critérios de indemnização dava a impressão de que se pretendia enquadrar as vítimas num modelo predefinido. Questionou também se a responsabilidade partilhada entre o Estado e as empresas serviria as vítimas ou permitiria às duas partes responsáveis reduzir os respetivos encargos.

Kim Hyun-soo, secretário-geral de uma coligação nacional de vítimas da catástrofe dos desinfetantes para humidificadores, manifestou preocupação com um comité liderado pelo Governo, quando o próprio Governo é responsável. Pediu a participação de representantes da sociedade civil propostos por associações de vítimas.

Um responsável do ministério afirmou que as organizações de vítimas tinham recomendado candidatos para o comité em setembro e que os seus nomes tinham sido enviados ao Gabinete de Coordenação das Políticas Governamentais. Os responsáveis afirmaram também que as vítimas seriam consultadas sobre os projetos de critérios de indemnização. As informações divulgadas aquando do lançamento não permitem saber quais dos candidatos recomendados serão nomeados nem de que forma a participação das vítimas influenciará as decisões finais.

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De produtos domésticos a uma catástrofe nacional

Os desinfetantes para humidificadores eram adicionados aos depósitos de água domésticos, permitindo que substâncias químicas nocivas se dispersassem no ar interior e fossem inaladas. Os produtos desenvolvidos e comercializados pela SK chegaram ao mercado em 1994. A crise de saúde tornou-se pública em 2011, após investigações a casos inexplicados de lesões pulmonares graves, incluindo os de bebés e mulheres grávidas.

O Centro Cívico de Saúde Ambiental estima que cerca de 8,94 milhões de pessoas utilizaram os produtos, 950 mil sofreram efeitos na saúde e aproximadamente 20 mil morreram. Estes são números estimados pela organização, não uma contagem oficial de pedidos de indemnização aceites. O número estimado de pessoas com efeitos na saúde corresponde a cerca de 10,6% da população estimada de utilizadores, calculado dividindo 950 mil por 8,94 milhões.

As principais etapas até ao novo sistema estendem-se por mais de três décadas:

  • 1994: Os desinfetantes para humidificadores chegam ao mercado, dando início a anos de exposição doméstica.
  • 2011: Investigações de saúde identificam a relação com lesões pulmonares graves; as autoridades ordenam, em novembro, a retirada de seis produtos.
  • 2017: Uma lei especial institui o sistema legal de apoio às vítimas.
  • Dezembro de 2023: O comité governamental de apoio reconhece como vítimas seis pessoas falecidas com cancro do pulmão.
  • Junho de 2024: O Supremo Tribunal reconhece a responsabilidade governamental em casos relacionados com desinfetantes para humidificadores, segundo a revisão académica.
  • 12 de março de 2026: A lei especial é integralmente revista.
  • 8 de outubro de 2026: O sistema revisto entra em vigor, abrem as candidaturas e o Governo assina o acordo com 15 empresas.
  • 7 de abril de 2027: Termina o período inicial de candidatura.

Algumas notícias descrevem 8 de outubro como a data de promulgação da lei revista. O anúncio do Governo identifica essa data como o início da aplicação, enquanto a revisão académica data a revisão integral de 12 de março de 2026. A distinção separa a alteração legislativa do início do novo procedimento de indemnização.

Porque é que a indemnização tem de ter em conta doenças que surgem mais tarde

A revisão académica descreve a forma como o âmbito reconhecido dos danos se alargou para além das lesões pulmonares graves que primeiro revelaram a catástrofe. Resume provas que associam a exposição à asma e a outras doenças respiratórias, ao cancro do pulmão, à tuberculose, a problemas de pele e dos olhos e à perda fetal.

A existência de uma associação numa população não determina automaticamente se a exposição causou a doença de uma pessoa específica. As famílias utilizaram produtos diferentes em quantidades diferentes, e as doenças podem surgir muito depois da exposição. A revisão explica que alterações legislativas anteriores introduziram uma presunção de causalidade quando houve exposição, a doença surgiu depois e existia uma associação epidemiológica, salvo se a empresa ilidisse essa presunção demonstrando outra causa.

Os autores identificam necessidades de investigação ainda por satisfazer, relacionadas com doenças de manifestação tardia, efeitos noutros órgãos, toxicidade fetal, riscos de cancro e saúde, na idade adulta, das pessoas expostas durante o desenvolvimento. Esta análise não deve ser entendida como uma lista de doenças automaticamente elegíveis para indemnização. O reconhecimento da doença e os pedidos individuais continuam sujeitos à avaliação prevista na lei aplicável.

A revisão refere que poderão ser permitidas candidaturas adicionais se a causalidade for identificada mais tarde ou se surgirem doenças relacionadas após o período inicial. Descreve ainda disposições relativas à vigilância da saúde, apoio a tratamentos, reabilitação, educação e baixa médica. As regras aplicáveis a pedidos posteriores continuam a ser importantes para quem ainda não teve a doença reconhecida.

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O principal desafio, por isso, vai além do tratamento das primeiras candidaturas. O novo sistema tem de financiar as indemnizações, apresentar decisões compreensíveis aos requerentes e continuar a apoiar as pessoas cujas necessidades de saúde mudam. Aquando do lançamento, os prazos para candidaturas, os critérios e as contribuições das empresas estavam mais claros do que o calendário ou o valor dos pagamentos individuais.

Pontos principais

  • As candidaturas decorrem de 8 de outubro de 2026 a 7 de abril de 2027.
  • As vítimas podem pedir indemnização através de um comité governamental, sem instaurarem uma ação judicial separada por danos.
  • O Estado e as empresas partilham a responsabilidade; 15 empresas assinaram um acordo de implementação.
  • A proposta de Orçamento do Estado para 2027 inclui uma contribuição pública de 244,7 mil milhões de wons, sujeita à discussão orçamental.
  • Os critérios detalhados de indemnização estavam por definir aquando do lançamento; prevê-se que as avaliações individuais comecem no primeiro trimestre de 2027.
  • As pessoas que já recebem prestações de apoio continuarão a recebê-las até ao pagamento da indemnização.
  • As vítimas já reconhecidas podem candidatar-se autorizando em linha a reutilização dos respetivos documentos.
  • As contribuições das empresas estão previstas para o primeiro semestre de 2027; ainda não foram anunciadas datas para os pagamentos individuais.
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