Orr e Camargo decidem a final em Kai Tak
O Camboja terminou em segundo lugar na Divisão 2 da Taça FIFA ASEAN 2026, depois de Hong Kong ter vencido a final por 2-0 no Estádio Kai Tak, em Kowloon, no sábado, 3 de outubro. Matthew Orr marcou aos 41 minutos e Everton Camargo converteu uma grande penalidade na segunda parte, garantindo aos anfitriões o título inaugural perante uma assistência que, segundo os relatos, ultrapassou os 30 000 espectadores.
Índice
- Orr e Camargo decidem a final em Kai Tak
- Como Hong Kong assumiu o controlo
- As oportunidades tardias do Camboja não deram em golo
- Quatro pontos levaram os Kouprey ao jogo decisivo
- Nieto recebeu com agrado a pressão de um público numeroso
- Gyotoku explica as poucas alterações
- Uma medalha de prata e a oportunidade de reunir a equipa completa
- Hong Kong sai com o troféu e um registo perfeito
- O que está definido e o que ainda precisa de confirmação
- Principais pontos
A derrota pôs fim à tentativa do Camboja de transformar a sua primeira presença na final desta competição num título. A equipa, conhecida como Kouprey, chegou ao jogo decisivo com quatro pontos em dois jogos da fase de grupos, mas não conseguiu marcar frente a adversários que terminaram o torneio com três vitórias e sem sofrer golos.
O triunfo de Hong Kong ficou a dever-se em grande medida à contribuição decisiva de Sun Ming Him, que assistiu Orr para o primeiro golo, e a uma grande penalidade assinalada após uma revisão em vídeo de um lance de Meng Chheng, do Camboja, sobre Philip Chan. Os relatos situam a conversão de Camargo aos 58 ou aos 59 minutos, mas coincidem quanto ao lance e ao resultado final.
O Camboja continuou a criar oportunidades depois de ficar a perder por dois golos. Soknet Hav esteve perto de marcar de cabeça, enquanto Ty Sa também rematou ligeiramente ao lado. As ocasiões mantiveram o jogo em aberto, mas não alteraram o resultado.
O resultado também inverteu o da anterior partida entre as duas equipas. O Camboja tinha vencido Hong Kong por 2-0 num jogo particular disputado no Estádio Olímpico Nacional de Phnom Penh no início de junho. Em Kai Tak, com um troféu em jogo e o apoio do público da casa, a mesma diferença favoreceu a outra equipa.
Como Hong Kong assumiu o controlo
Hong Kong pressionou desde o início. Philip Chan tentou um remate aos quatro minutos e o guarda-redes cambojano Soksela Keo foi chamado a fazer uma defesa importante aos 14. O Camboja resistiu até quatro minutos antes do fim do tempo regulamentar da primeira parte.
Foi então que Sun Ming Him serviu Orr, identificado em diferentes relatos como Matt ou Matthew Orr. O avançado encontrou espaço sem marcação próxima e rematou para lá de Keo, colocando Hong Kong em vantagem. Os anfitriões chegaram ao intervalo a vencer por 1-0.
Segundo os relatos, o Camboja fez três remates na primeira parte. A equipa procurou reagir após o intervalo, com Andres Nieto a criar perigo aos 48 minutos, mas o momento decisivo seguinte ocorreu na sua própria área.
Uma revisão aos 54 minutos analisou um lance em que Meng Chheng pisou o pé de Chan. O VAR, sistema de videoárbitro, permite aos árbitros rever imagens de lances como possíveis grandes penalidades antes de confirmarem ou alterarem uma decisão. O árbitro assinalou uma grande penalidade a favor de Hong Kong, que Camargo converteu.
Dois relatos situam o golo aos 58 minutos, enquanto o relato inicial do jogo regista o minuto 59. Há também uma pequena diferença no minuto do cabeceamento posterior de Hav: um relato indica o minuto 64 e outro o 65. Estas diferenças não alteram a sequência principal: Hong Kong marcou antes do intervalo, ampliou a vantagem após a revisão e manteve-a até ao apito final.
As oportunidades tardias do Camboja não deram em golo
O cabeceamento de Hav foi uma das oportunidades mais claras do Camboja para reduzir a desvantagem. Ganhou um duelo aéreo na sequência de um canto, mas a bola passou ao lado do poste direito. A oportunidade de Ty Sa surgiu aos 71 minutos, quando a pressão de um jogador de Hong Kong contribuiu para que o remate saísse ligeiramente ao lado.
Hong Kong também continuou a criar perigo através de Sun Ming Him e Tan Chun Lok. Nenhuma das equipas voltou a marcar, deixando o Camboja sem golos na final, apesar das tentativas de avançar no terreno.
A comparação com o jogo particular de junho é útil, mas limitada. A vitória anterior demonstrou que o Camboja era capaz de vencer Hong Kong. Não demonstrou que repetiria o resultado fora de casa numa final. Os dois jogos terminaram com vitórias por 2-0 das respetivas equipas da casa, em contextos competitivos diferentes.
Quatro pontos levaram os Kouprey ao jogo decisivo
A competição da Divisão 2 contou com seis equipas, divididas por dois grupos de três. O Camboja integrou o Grupo B, juntamente com Myanmar e Timor-Leste. Hong Kong recebeu o Grupo A, que também incluía o Laos e o Brunei. Apenas a equipa que terminasse em primeiro lugar em cada grupo avançava para a final, pelo que não houve meias-finais.
O Camboja iniciou o percurso até à final com uma vitória por 1-0 sobre Myanmar. O empate 2-2 com Timor-Leste, a 30 de setembro, garantiu-lhe quatro pontos e o primeiro lugar no Grupo B, embora a equipa tenha tido de recuperar de um início desfavorável no último jogo da fase de grupos.
João Pedro colocou Timor-Leste em vantagem aos 17 minutos, na cobrança de um livre. Nieto empatou aos 28 minutos e converteu uma grande penalidade aos 38, dando ao Camboja uma vantagem de 2-1. Bakhito restabeleceu a igualdade aos 58 minutos, mas o empate bastou para o Camboja seguir em frente.
Hong Kong chegou à final com seis pontos, depois de vencer o Laos por 4-0 e o Brunei por 2-0. O melhor registo na fase de grupos manteve-se na final: em três jogos, marcou oito golos e não sofreu nenhum. O Camboja terminou com três golos marcados e quatro sofridos, somando uma vitória, um empate e uma derrota.
Os principais momentos da campanha foram:
- Início de junho: o Camboja venceu Hong Kong por 2-0 num jogo particular em Phnom Penh.
- Fase de grupos: o Camboja venceu Myanmar por 1-0, enquanto Hong Kong bateu o Laos por 4-0 e o Brunei por 2-0.
- 30 de setembro: o Camboja empatou 2-2 com Timor-Leste e terminou em primeiro lugar no Grupo B.
- 3 de outubro: Hong Kong venceu o Camboja por 2-0 na final da Divisão 2, no Estádio Kai Tak.
- 5 de outubro: estava previsto que a Indonésia e a Tailândia disputassem a final da competição principal, em Jacarta.
Nieto recebeu com agrado a pressão de um público numeroso
Nieto, avançado colombiano do Camboja que marcou os dois golos frente a Timor-Leste, tinha apresentado a final como um desafio difícil, mas ao alcance da equipa. Antes do jogo, disse que os jogadores de qualidade de Hong Kong exigiam concentração e muito trabalho ao Camboja.
Os jogos contra Hong Kong são sempre tensos porque têm muitos jogadores de qualidade, mas são 11 contra 11. Claro que estamos confiantes, mas também temos de trabalhar muito e jogar bem. É uma final, e todas as finais são difíceis,
O camisola 10 do Camboja disse também que um público numeroso a apoiar a equipa adversária seria uma motivação, e não um fator de desânimo. A referência a 50 000 espectadores era hipotética, não uma afirmação sobre a assistência na final.
Não importa que o estádio esteja cheio de adeptos de Hong Kong, porque gosto de jogar sob pressão. Quem não gosta de jogar com o estádio cheio de adeptos? Se estiverem 50 000 pessoas, mesmo que a maioria apoie Hong Kong, isso dá-me uma motivação extra para dar o meu melhor no jogo,
A assistência relatada, superior a 30 000 pessoas, proporcionou ao Camboja o ambiente exigente fora de casa que Nieto tinha antecipado. A derrota não demonstra que o público tenha causado o resultado. Os momentos decisivos identificáveis foram a finalização de Orr, o lance da grande penalidade e as oportunidades falhadas pelo Camboja.
Gyotoku explica as poucas alterações
Koji Gyotoku, selecionador do Camboja, tinha definido como objetivo da equipa vencer o torneio. Depois da final, também se falou da decisão de manter grande parte do mesmo onze inicial nos três jogos, em vez de fazer uma rotação alargada.
O treinador japonês explicou que teria feito mais alterações num jogo particular, mas que considerava esta uma competição oficial, na qual a sua responsabilidade era procurar o melhor resultado. Assumiu a responsabilidade por essa opção e lamentou a derrota, elogiando também o ambiente no estádio.
O treinador de Hong Kong, Roberto Losada, seguiu uma abordagem diferente no último jogo da fase de grupos, fazendo nove alterações frente ao Brunei para preparar o encontro com o Camboja. Gyotoku utilizou quase todos os seus principais jogadores contra Timor-Leste, quando o Camboja ainda precisava de um resultado que lhe garantisse um lugar na final.
O contraste mostra como as equipas geriram os respetivos plantéis, mas não prova que a rotação tenha determinado o vencedor. Não foram divulgados dados detalhados sobre a carga de trabalho ou o desempenho físico dos jogadores. As alterações de Hong Kong e a continuidade do Camboja devem, por isso, ser consideradas parte da preparação, e não uma explicação comprovada para o resultado de 2-0.
Uma medalha de prata e a oportunidade de reunir a equipa completa
Khiev Sameth, presidente da Federação de Futebol da ASEAN e vice-presidente da Federação de Futebol do Camboja, assistiu à final ao lado de Gianni Infantino, presidente da FIFA. Ambos estiveram presentes na cerimónia de entrega das medalhas e do troféu.
O segundo lugar do Camboja foi descrito como a primeira medalha de prata internacional do país. Os relatos também apresentaram a presença na final como um feito inédito em mais de 70 anos de história da seleção nacional. Estas afirmações históricas abrangentes exigem cautela: o feito firmemente estabelecido é o segundo lugar do Camboja na edição inaugural da Divisão 2. Não foi citado qualquer registo histórico de competições que comprove as afirmações mais amplas.
Para Khiev Sameth, um benefício prático foi a inclusão do torneio no calendário internacional da FIFA. Disse que essa calendarização permitiu aos clubes libertar os seus jogadores e possibilitou ao Camboja reunir a seleção completa.
Defendeu também que jogar contra adversários mais fortes, em estádios com melhores condições, poderia incentivar os jogadores cambojanos a melhorar. Manifestou a esperança de que a FIFA prestasse mais apoio e organizasse mais eventos na região. Tratou-se de uma manifestação de ambição, não do anúncio de uma nova competição confirmada.
Hong Kong sai com o troféu e um registo perfeito
O título de Hong Kong foi sustentado por um registo perfeito no torneio: três vitórias em três jogos, oito golos marcados e nenhum sofrido. As vitórias na fase de grupos valeram seis desses golos, tendo Orr e Camargo marcado os dois restantes frente ao Camboja, na final.
Camargo, autor do golo de grande penalidade de Hong Kong, descreveu a vitória como uma conquista rara de um troféu e um momento de sucesso partilhado entre jogadores e adeptos.
Este é um momento extraordinário para Hong Kong. Tivemos o apoio dos adeptos, todos os jogadores contribuíram e agora temos o troféu nas mãos. Penso que este é um dos poucos troféus que alguma vez conquistámos. Por isso, esta noite estamos a escrever uma nova página da história de Hong Kong,
Esperava que o triunfo ajudasse a equipa a preparar a campanha de qualificação para o Mundial de 2030. Essa ambição vai além do título da Divisão 2, que não garante, por si só, a qualificação para o Mundial.
Segundo os relatos, o prémio para o vencedor foi de 300 000 USD, sendo apenas a equipa vencedora elegível para receber um prémio monetário. Não foi citada qualquer regulamentação oficial dos prémios, pelo que o montante e a exclusão das restantes equipas continuam a ser informações relatadas, e não condições confirmadas de forma independente. O Camboja recebeu medalhas de prata, mas não foi identificado qualquer pagamento à equipa.
O que está definido e o que ainda precisa de confirmação
O resultado define a competição da Divisão 2: Hong Kong é campeão e o Camboja terminou em segundo lugar. Os relatos referem-se ao evento tanto como Taça FIFA ASEAN Divisão 2 como FIFA ASEAN Challenge Cup. Na ausência de um documento oficial do torneio que estabeleça a designação, esses nomes não devem ser entendidos como prova da existência de duas competições distintas.
Uma antevisão também descreveu o torneio como uma oportunidade de subir à Divisão 1 na época seguinte. Não foi apresentada qualquer regra formal de promoção nem confirmada qualquer decisão. Seria, por isso, prematuro afirmar que a vitória de Hong Kong garante a promoção ou atribuir ao Camboja um lugar confirmado na próxima edição.
A competição principal, separada desta, deveria terminar com a Indonésia a defrontar a Tailândia no Estádio Principal Gelora Bung Karno, em Jacarta, na segunda-feira, 5 de outubro, às 20h00 locais. A Indonésia apurou-se depois de terminar empatada com a Malásia, com sete pontos e uma diferença de golos de mais nove, seguindo em frente por ter marcado mais golos.
A Tailândia venceu o seu grupo após triunfos sobre o Paquistão e o Vietname, apesar de ter perdido o último jogo da fase de grupos por 2-1 frente às Filipinas. Essa final era uma disputa pelo título distinta, não uma fase seguinte para o Camboja ou Hong Kong. Não foi identificada qualquer data para o próximo jogo do Camboja.
Principais pontos
- Hong Kong venceu o Camboja por 2-0 no Estádio Kai Tak, a 3 de outubro, e conquistou o título inaugural da Divisão 2.
- Matthew Orr marcou aos 41 minutos. Everton Camargo acrescentou um golo de grande penalidade, apontado nos relatos como tendo sido marcado aos 58 ou aos 59 minutos.
- O Camboja chegou à final após vencer Myanmar por 1-0 e empatar 2-2 com Timor-Leste.
- Hong Kong venceu os três jogos, marcando oito golos sem sofrer nenhum.
- Gyotoku defendeu a rotação limitada do plantel como parte do esforço para alcançar o melhor resultado competitivo.
- Segundo os relatos, o prémio para o vencedor foi de 300 000 USD. As condições de promoção não foram confirmadas.
- Estava previsto que a Indonésia e a Tailândia disputassem, a 5 de outubro, a final da competição principal, em Jacarta.






