Recorde de setembro aproxima a meta anual
Taiwan exportou bens no valor de 87,22 mil milhões de dólares em setembro de 2026, um recorde mensal e um aumento de 60,9% face ao ano anterior. Com as exportações a atingirem 661,55 mil milhões de dólares nos primeiros nove meses, o Ministério das Finanças considera agora muito provável que o total anual ultrapasse os 900 mil milhões. A procura de equipamento para inteligência artificial está a impulsionar este crescimento, dos semicondutores ao equipamento elétrico necessário para alimentar centros de dados.
Índice
- Recorde de setembro aproxima a meta anual
- Como se chega aos 900 mil milhões de dólares
- O que seria preciso para chegar ao quinto lugar?
- Dois grupos de produtos representam a maioria das exportações
- O investimento em IA também chega ao equipamento elétrico
- Previsões do comércio mundial revistas à luz da IA
- Os ganhos económicos não são distribuídos de forma uniforme
- As próximas datas e resultados importantes
- Em suma
Esta expansão poderá também fazer Taiwan subir significativamente nos rankings mundiais das exportações. Os 640 mil milhões de dólares exportados em 2025 colocaram a ilha no 12.º lugar, a sua melhor posição desde 1994 e quatro lugares acima da classificação de 2024. Uma previsão de 903,6 mil milhões de dólares para 2026 representaria um aumento de 263,6 mil milhões, ou cerca de 41,2%, num ano.
Esta previsão alimentou a possibilidade de Taiwan se tornar o quinto maior exportador do mundo, à frente de Hong Kong, do Japão e da Coreia do Sul. Esta posição no ranking é uma possibilidade, não um resultado confirmado: a posição final de Taiwan dependerá das exportações de outras economias em 2026, além das suas próprias. Comparar a previsão com os totais destas economias em 2025 mostra a dimensão da oportunidade, mas não permite determinar a classificação final.
Os indicadores mais imediatos são excecionalmente fortes. Setembro foi o 35.º mês consecutivo de crescimento das exportações de Taiwan, a mais longa sequência de que há registo. Nos primeiros nove meses de 2026, as exportações já tinham ultrapassado o total de todo o ano de 2025 em 21,55 mil milhões de dólares, ou cerca de 3,4%, deixando o último trimestre para aumentar um resultado já recorde.
Como se chega aos 900 mil milhões de dólares
Na apresentação dos dados, a 8 de outubro, Tsai Mei-na, diretora do departamento de estatística, afirmou ser muito elevada a probabilidade de as exportações ultrapassarem os 900 mil milhões de dólares. O cálculo partia de um valor mensal inferior ao recorde de setembro: 80 mil milhões de dólares em cada um dos meses de outubro, novembro e dezembro.
Somando esses 240 mil milhões de dólares ao total dos primeiros nove meses, obtém-se um total anual de 901,55 mil milhões. Neste cenário, o total acumulado ultrapassaria os 700 mil milhões em outubro, os 800 mil milhões em novembro e os 900 mil milhões em dezembro. Trata-se de marcos acumulados, não de previsões de que algum mês isolado atingiria esses valores.
A previsão específica do Ministério para outubro era superior a esse cenário: entre 85,2 mil milhões e 87,7 mil milhões de dólares, o que corresponderia a um crescimento anual de 40% a 44%. Para atingir exatamente 900 mil milhões de dólares no ano, as exportações teriam de registar uma média mensal de cerca de 79,48 mil milhões no último trimestre.
A previsão de agosto da Direção-Geral do Orçamento, Contabilidade e Estatística, de 903,6 mil milhões de dólares, exigiria uma média mensal de cerca de 80,68 mil milhões no quarto trimestre. Ambos os cálculos ficam abaixo do valor registado em setembro, embora as exportações mensais possam oscilar e o valor anual total continue a ser uma previsão.
O que seria preciso para chegar ao quinto lugar?
A comparação do Ministério das Finanças para 2025 colocou a China continental em primeiro lugar, com 3,7718 biliões de dólares em exportações, equivalentes a 14,4% do total mundial. Seguiram-se os Estados Unidos, com 2,1852 biliões e uma quota de 8,3%, enquanto a Alemanha ficou em terceiro lugar, com 1,7642 biliões e 6,7%. Os Países Baixos ocuparam o quarto lugar.
Hong Kong ficou em quinto lugar, com 753,6 mil milhões de dólares, o Japão em sexto, com 738,3 mil milhões, e a Coreia do Sul em oitavo, com 709,3 mil milhões. Os 640 mil milhões de Taiwan representaram 2,4% das exportações mundiais, abaixo dos três.
Com 903,6 mil milhões de dólares, Taiwan ultrapassaria o total de Hong Kong em 2025 por 150 mil milhões, o do Japão por 165,3 mil milhões e o da Coreia do Sul por 194,3 mil milhões. Estas diferenças explicam por que motivo se fala no quinto lugar. Não indicam como estas economias, ou outros exportadores à frente de Taiwan, se comportarão em 2026.
As exportações mundiais totalizaram 26,3 biliões de dólares em 2025, mais 7,2% do que em 2024. O crescimento potencial de cerca de 41,2% de Taiwan em 2026 ilustra a rapidez da sua expansão, mas os valores referem-se a anos diferentes. A futura quota de Taiwan nas exportações mundiais só poderá ser calculada quando se conhecer o total mundial correspondente.
Dois grupos de produtos representam a maioria das exportações
Os dados comerciais de setembro mostram o peso da tecnologia neste crescimento. Os produtos de informação, comunicação e audiovisual geraram 39,13 mil milhões de dólares em exportações, o dobro do valor registado um ano antes. Os componentes eletrónicos contribuíram com mais 31,13 mil milhões, um aumento de 45,3%.
Em conjunto, as duas categorias representaram 70,26 mil milhões de dólares, ou cerca de 80,6% do total de 87,22 mil milhões registado em setembro. Ambas atingiram o segundo valor mensal mais elevado de sempre em exportações, apesar de o total das exportações ter alcançado um novo máximo. Estas são categorias amplas de produtos, pelo que a sua quota combinada não deve ser considerada uma medida precisa das exportações de IA.
Tsai identificou quatro fatores que sustentam a procura: a continuidade do investimento em tecnologia, componentes mais sofisticados e a utilização de um maior número de componentes, a capacidade limitada de produção de eletrónica, que sustenta os preços de exportação, e os envios antes do lançamento de novos dispositivos móveis e produtos eletrónicos de consumo.
A distinção entre preços e quantidades é importante. O total das exportações mede o valor dos bens vendidos no estrangeiro. Pode aumentar porque os fabricantes enviam mais unidades, vendem produtos mais caros ou obtêm preços mais elevados. A explicação do Ministério aponta para vários destes efeitos em simultâneo, e não para um simples aumento do volume das remessas.
O investimento em IA também chega ao equipamento elétrico
Os ganhos estão a estender-se para além das duas maiores categorias tecnológicas. Em setembro, as exportações de produtos que não eram componentes eletrónicos nem produtos de informação, comunicação e audiovisual aumentaram 25,4% face ao ano anterior. Excluindo os meses afetados pelo feriado do Ano Novo Lunar, foi a subida mais forte em quase cinco anos.
As exportações de máquinas elétricas cresceram 29,8%, no 26.º mês consecutivo de expansão. Tsai associou a procura à construção de centros de dados, à modernização da rede elétrica e à substituição de equipamento elétrico. Estes produtos ligam o boom do investimento em IA aos fabricantes que fornecem infraestruturas físicas, em vez de chips informáticos.
Os sistemas de IA precisam de eletricidade, além de capacidade de processamento. Por isso, as novas instalações informáticas geram procura de equipamento para fornecer e gerir energia. O Ministério também destacou os ciclos de encomendas relativamente longos das máquinas elétricas, que ajudam a explicar o seu desempenho sustentado.
O crescimento mais amplo é um indício de que algumas indústrias tradicionais estão a beneficiar. Não demonstra que todos os setores da indústria transformadora estejam a recuperar ao mesmo ritmo, nem que os ganhos nas exportações se traduzam de forma igual em lucros e salários.
Previsões do comércio mundial revistas à luz da IA
A atualização de 8 de outubro da Organização Mundial do Comércio (OMC) às suas Perspetivas e Estatísticas do Comércio Mundial previa um crescimento de 3,9% do volume do comércio mundial de mercadorias em 2026, acima dos 1,9% projetados em março. A previsão para 2027 subiu 1,5 pontos percentuais, para 4,1%.
A OMC afirmou que o valor do comércio de bens que apoiam o desenvolvimento da IA, incluindo semicondutores e equipamento para centros de dados, aumentou 67% no primeiro semestre de 2026. Estes bens representaram cerca de 47% do crescimento do comércio de mercadorias nesse período.
Taiwan, Hong Kong, China continental e Coreia do Sul forneceram, em conjunto, 51% das exportações de bens relacionados com a IA em 2025. A sua quota combinada aumentou para 52,7% no primeiro semestre de 2026, uma subida de 1,7 pontos percentuais. Taiwan teve a maior quota individual, embora não tenha sido indicado um valor exato para a ilha.
Staiger, economista-chefe da OMC, afirmou que o comércio relacionado com a IA acelerou, ao contrário do abrandamento previsto nas anteriores projeções da organização. Isso ajuda a explicar por que motivo as perspetivas de exportação de Taiwan se tornaram mais otimistas, a par da previsão mundial.
As métricas continuam a ser diferentes: a previsão principal da OMC diz respeito ao volume do comércio, enquanto as metas de exportação de Taiwan são expressas em valores monetários. Preços mais elevados podem aumentar as receitas das exportações sem que o volume de bens transacionados cresça na mesma proporção.
Os ganhos económicos não são distribuídos de forma uniforme
Kao Shien-quey, vice-ministra do Conselho Nacional de Desenvolvimento, atribuiu a crescente importância económica de Taiwan à disponibilidade das empresas privadas para explorar novos mercados e tecnologias. Destacou os pontos fortes da ilha em chips e infraestruturas de computação para IA, que dão às empresas taiwanesas maior poder de negociação de preços e um papel importante nas parcerias tecnológicas.
Referiu também a experiência na indústria transformadora e as redes de produção no estrangeiro, que fazem de Taiwan um fornecedor de confiança para economias democráticas que procuram alternativas a cadeias de abastecimento centradas na China continental. Esta descrição diz respeito à posição comercial de Taiwan, não sendo uma garantia de que todas as empresas exportadoras beneficiem da mesma forma.
As previsões de crescimento são notáveis. A Direção-Geral do Orçamento, Contabilidade e Estatística projetou um crescimento económico de 11,05% em 2026, enquanto a estimativa de setembro do banco central foi de 11,48%. As previsões diferem em 0,43 pontos percentuais e não são resultados definitivos.
Kao afirmou que o PIB per capita de Taiwan já tinha ultrapassado o do Japão e o da Coreia do Sul em 2025, podendo superar os 45 000 dólares em 2026. O PIB per capita corresponde à produção económica dividida pela população; não é o mesmo que o salário de uma pessoa ou o rendimento de um agregado familiar.
Esta distinção é central nas preocupações com uma economia em K, em que alguns setores avançam rapidamente enquanto outros ficam para trás. Kao identificou diferenças entre as indústrias tradicionais e tecnológicas, empresas de dimensões distintas, salários e acesso a trabalhadores qualificados. A concentração das exportações ajuda a explicar por que persistem estas preocupações, mesmo quando alguns produtores de equipamento elétrico também beneficiam da expansão.
As próximas datas e resultados importantes
A evolução desde a classificação do ano passado até às previsões deste ano pode ser acompanhada através de vários marcos:
- 2025: Taiwan exportou bens no valor de 640 mil milhões de dólares e ficou em 12.º lugar a nível mundial, quatro posições acima de 2024.
- Março de 2026: A OMC previu um crescimento de 1,9% do volume do comércio mundial de mercadorias nesse ano.
- Agosto de 2026: A agência de estatística de Taiwan previu exportações anuais de 903,6 mil milhões de dólares.
- Setembro de 2026: Taiwan registou exportações mensais de 87,22 mil milhões de dólares, elevando o total dos primeiros nove meses para 661,55 mil milhões.
- 8 de outubro de 2026: O Ministério das Finanças apresentou os dados de setembro, enquanto a OMC reviu em alta as previsões para o comércio mundial.
- Outubro a dezembro de 2026: Exportações médias de 80 mil milhões de dólares por mês elevariam o total anual de Taiwan para 901,55 mil milhões.
Os resultados mensais que faltam determinarão se Taiwan ultrapassa os 900 mil milhões de dólares e até que ponto corresponde à previsão da agência de estatística. Não foram indicadas datas exatas para as próximas divulgações. Para alcançar o quinto lugar a nível mundial, será necessário um passo adicional: conhecer os resultados anuais comparáveis dos exportadores concorrentes.
Em suma
- As exportações de Taiwan atingiram um recorde de 87,22 mil milhões de dólares em setembro, mais 60,9% do que um ano antes.
- Os primeiros nove meses totalizaram 661,55 mil milhões de dólares, já acima do total de todo o ano de 2025.
- Exportações médias de 80 mil milhões de dólares por mês no último trimestre resultariam num total de 901,55 mil milhões em 2026.
- O quinto lugar a nível mundial é possível, mas depende dos resultados finais das exportações de outras economias.
- Duas categorias tecnológicas amplas representaram cerca de 80,6% das exportações de setembro, enquanto as máquinas elétricas também registaram um forte crescimento.
- A OMC reviu em alta as previsões comerciais enquanto o investimento em IA prosseguia, mas Taiwan enfrenta benefícios desiguais entre setores e trabalhadores.






