Primeiro voo a solo a partir de Surat Thani
A rainha Suthida da Tailândia pilotou sozinha um caça Saab JAS 39C Gripen durante 41 minutos, a 8 de outubro de 2026, descolando às 10h06 da pista 22 da base Wing 7 da Força Aérea Real Tailandesa, em Surat Thani. O Bureau da Casa Real identificou-a como a primeira mulher tailandesa a pilotar um Gripen, após uma formação que incluiu 45 disciplinas teóricas e de procedimentos de emergência, 20 sessões em simulador e voos supervisionados na versão do aparelho com dois lugares.
Índice
- Primeiro voo a solo a partir de Surat Thani
- O que aconteceu antes da descolagem
- Quatro meses da sala de aula ao cockpit
- O significado da distinção Gripen
- Uma carreira na aviação iniciada em 2010
- As horas de voo apresentam uma discrepância por esclarecer
- Um voo real com os aparelhos habituais do esquadrão
- Quinze anos de operações dos Gripen tailandeses
- Quatro caças mais recentes deverão chegar até 2030
- Pontos principais
O rei Maha Vajiralongkorn assistiu ao voo na base, no distrito de Phun Phin, acompanhado pelo comandante da Força Aérea Real Tailandesa, marechal do ar Seksan Kantha, e pelo comandante da Wing 7, capitão de grupo Phasin Sombatthawee. Depois da aterragem da rainha, o rei ofereceu-lhe flores e colocou-lhe na manga esquerda um emblema da Ordem Dourada Gripen.
O voo reuniu dois desenvolvimentos: a progressão da rainha, de aeronaves ligeiras e voos reais como passageira para o cockpit de um caça, e o investimento contínuo da Tailândia em aeronaves de combate suecas. Pilotou um Gripen C do Esquadrão 701, enquanto a Tailândia se prepara para receber quatro Gripen E/F mais recentes ao abrigo de um acordo assinado em agosto de 2025.
Suthida tinha 48 anos na altura do voo, tendo nascido a 3 de junho de 1978. O número 41 refere-se à duração do voo em minutos, não à sua idade. As notícias que fazem afirmações mais abrangentes sobre um primeiro lugar mundial exigem mais cautela do que a descrição específica do palácio sobre o feito alcançado na Tailândia.
O que aconteceu antes da descolagem
Segundo um relato da visita, o rei chegou à Wing 7 por volta das 10h. Antes de o casal real se dirigir à plataforma de estacionamento das aeronaves, foi feita uma apresentação do plano de voo da rainha. Suthida inspecionou pessoalmente o Gripen e, em seguida, taxiou até à pista 22 para descolar.
A aeronave tinha um só lugar, o que significa que não havia nenhum instrutor ao lado da rainha durante a saída. Um relato refere que outros dois Gripen acompanharam o voo. Isso não contradiz a descrição de voo a solo: na aviação, «a solo» significa que o piloto é a única pessoa a bordo da aeronave, não necessariamente que não haja outras aeronaves por perto.
O caça tinha uma decoração especial na cauda, assinalando 15 anos de serviço dos Gripen na Força Aérea Real Tailandesa. A Wing 7 celebrou esse aniversário a 20 de julho de 2026, pelo que o voo da rainha teve lugar no mesmo ano em que o esquadrão que a treinou assinalou este marco.
Não foi possível apurar aqui um relato detalhado da rota, da altitude ou das manobras da saída. A sequência descrita inclui a apresentação do plano, a inspeção, a descolagem e a aterragem, e não um exercício com armamento ou uma missão de combate.
Quatro meses da sala de aula ao cockpit
A rainha frequentou o curso de conversão para o Gripen a convite da Força Aérea. Um curso de conversão ensina um piloto já formado a operar um tipo diferente de aeronave, incluindo os seus sistemas, comandos e procedimentos de emergência. A experiência de voo anterior não dispensava uma formação específica para o caça.
Segundo o relato do palácio, a instrução teórica começou em junho e julho de 2026, com 45 disciplinas sobre a operação da aeronave e procedimentos de emergência. Seguiram-se 20 sessões no simulador, tendo algumas sessões sido realizadas, segundo relatos, em Don Mueang, Banguecoque. Os voos na Wing 7 começaram a 20 de agosto, e não assinalaram o início do curso completo.
A sequência de formação noticiada foi a seguinte:
- Junho e julho de 2026: formação teórica e exercícios de procedimentos de emergência, abrangendo 45 disciplinas.
- Antes de avançar para a formação na aeronave: 20 sessões no simulador, incluindo sessões alegadamente realizadas em Don Mueang.
- De 20 de agosto a 4 de setembro: primeiro período de formação na Wing 7.
- De 25 de setembro a 8 de outubro: segundo período de formação na Wing 7.
- 8 de outubro: voo a solo de 41 minutos num JAS 39C.
Entre o treino no simulador e a saída a solo, Suthida voou com instrutores da Força Aérea num JAS 39D, que tem dois lugares. Um relato detalhado indica que esse tempo supervisionado foi de 10 horas e 13 minutos. Outras notícias apresentam o valor de 10,13 horas, uma notação que não deve ser automaticamente interpretada como equivalente a 10 horas e 13 minutos.
O significado da distinção Gripen
Após a aterragem, a rainha recebeu o emblema da Ordem Dourada Gripen, atribuído pela Gripen Order, uma associação honorária sueca de aviação. Segundo o relato do palácio, a associação aceitou-a como membro de pleno direito, reconhecendo que pilotou e controlou pessoalmente o Gripen.
Esta distinção reconhece um feito específico de pilotagem. Por si só, não demonstra que tenha concluído todas as fases exigidas para desempenhar funções operacionais de combate. As notícias descrevem o voo a solo como o culminar da sua formação de conversão, mas não esclarecem se avançará para formação avançada na utilização das armas da aeronave e na realização de missões de combate.
Esta distinção é importante porque pilotar um caça a solo e utilizá-lo em combate são fases diferentes da formação. A primeira exige o controlo seguro da aeronave e dos seus sistemas. A formação de combate acrescenta a utilização de sensores, armas e tácticas em coordenação com outras aeronaves.
A descrição do palácio, «primeira mulher tailandesa a pilotar um Gripen», é mais restrita do que as alegações de que foi a primeira pessoa da realeza ou a primeira rainha em qualquer parte do mundo a pilotar a solo um caça. Estas alegações mais abrangentes não foram verificadas. Suthida é rainha consorte, esposa do monarca, e não uma rainha reinante que ocupa o trono por direito próprio. Por isso, também é incorreto descrevê-la como uma rainha reinante.
Uma carreira na aviação iniciada em 2010
O primeiro voo de Suthida foi a 13 de maio de 2010, num Cessna T-41D do Esquadrão 604, na Wing 6, em Banguecoque. A sua experiência posterior abrange aeronaves ligeiras, aviões de treino militares, aviões de passageiros e, agora, o Gripen. O palácio indicou um total de 1 188,48 horas de voo antes da saída a solo.
A sua carreira na aviação sucedeu a uma passagem pela profissão de assistente de bordo, incluindo na Thai Airways. Estudou comunicação social na Universidade Assumption, ingressou no serviço militar em 2010 e tornou-se subcomandante do Batalhão da Guarda do Rei em 2012. Casou-se com o rei Vajiralongkorn em maio de 2019, pouco antes da coroação.
As notícias referem qualificações alemãs de piloto privado e comercial, uma qualificação de tipo para o Boeing 737 e uma licença tailandesa de piloto de linha aérea. Uma qualificação de tipo habilita o piloto a operar um tipo específico de aeronave ou um grupo aprovado de modelos relacionados. Segundo as notícias, a autoridade de aviação tailandesa renovou em setembro de 2026 a sua qualificação para os modelos Boeing 737, do 737-300 ao 737-900.
Foi copiloto do rei em voos reais nacionais e internacionais, a bordo de Boeing 737-400 e 737-800. Entre essas funções esteve a visita real ao Butão, em abril de 2025, quando o casal aterrou em Paro, um aeroporto conhecido pelo terreno exigente e pela aproximação difícil.
As horas de voo apresentam uma discrepância por esclarecer
A discriminação detalhada por aeronave oferece uma visão mais precisa da sua experiência do que a referência arredondada a quase 1 190 horas. Os valores publicados são:
- Cessna T-41: 315,33 horas.
- CT-4E Airtrainer: 38,35 horas.
- Pilatus PC-9: 105,59 horas.
- Mooney M20M: 98,40 horas.
- Piper PA-34 Seneca: 137,50 horas.
- Boeing 737-400: 27,09 horas.
- Boeing 737-800: 453,11 horas.
- JAS 39D Gripen: 10,13 horas.
Interpretados como horas decimais, estes oito valores totalizam 1 185,50 horas, menos 2,98 horas do que o total indicado de 1 188,48. A razão desta diferença não foi explicada. A descrição separada de 10 horas e 13 minutos de formação no Gripen também deixa dúvidas sobre a forma como esse valor foi registado.
Os dois valores referentes aos Boeing totalizam 480,20 horas quando interpretados como decimais, cerca de 40,4% do total declarado de 1 188,48 horas. Esta comparação mostra o peso da experiência registada em aviões de passageiros, apesar de a sua formação de voo ter começado em aeronaves mais pequenas.
Alguns relatos referem também que recebeu formação no avião de treino a jato L-39. Essa aeronave não consta da discriminação de horas publicada pelo palácio e a informação não foi confirmada. Deve, por isso, ser considerada à parte dos oito tipos de aeronave para os quais foram indicadas horas.
Um voo real com os aparelhos habituais do esquadrão
Um relato separado sobre os preparativos refere que a rainha pediu à Força Aérea que não reservasse um Gripen específico exclusivamente para seu uso. Segundo as notícias, treinou em três aeronaves das versões C e D e estava disponível para voar qualquer aparelho que lhe fosse atribuído.
O motivo indicado foi manter as aeronaves disponíveis para as funções habituais do Esquadrão 701. Segundo o relato, designar permanentemente um aparelho como aeronave real poderia ter desencorajado outros pilotos de o utilizar. Este pormenor descreve o pedido que lhe é atribuído, não uma alteração documentada publicamente da política de utilização da frota.
A Wing 7 alberga os 11 caças Gripen C/D do Esquadrão 701 e as duas aeronaves Saab 340 de alerta e controlo aéreo antecipado do Esquadrão 702. Estas últimas transportam equipamento de radar que ajuda as tripulações a detetar e acompanhar atividade numa área mais ampla e a partilhar informações com outras aeronaves.
O Gripen C é a versão com um lugar, enquanto o D tem dois. A passagem dos voos com instrutor no D para uma saída a solo no C representou, por isso, uma mudança concreta de responsabilidade: a rainha teve de operar o caça sem outro piloto no cockpit.
Quinze anos de operações dos Gripen tailandeses
A frota de Gripen da Tailândia entrou ao serviço em 2011. O historial de aquisição mais detalhado refere uma encomenda inicial de seis aeronaves em 2008, seguida de outras seis em 2010. As primeiras seis chegaram em fevereiro de 2011 e as restantes seis em 2013.
As notícias divergem quanto a este historial. Uma afirma que a Tailândia recebeu as 12 aeronaves em 2011, enquanto outra refere que foram todas encomendadas em 2008. O relato que distingue as duas encomendas e os respetivos lotes de entrega separa o início do serviço da conclusão da frota. Uma notícia tailandesa refere também um projeto de aquisição aprovado em 2010 para substituir os F-5 envelhecidos.
A frota inicial era composta por oito Gripen C e quatro Gripen D. Um Gripen C despenhou-se em janeiro de 2017, causando a morte do piloto e reduzindo a frota para 11 aeronaves. São menos uma do que as 12 entregues, uma redução de cerca de 8,3% da frota original.
As aeronaves são também meios operacionais, não apenas equipamento cerimonial. Os Gripen participaram nos confrontos fronteiriços com o Camboja em 2025. Um relato descreve destacamentos na Base Aérea de Korat, a cerca de 130 quilómetros da fronteira, e ataques a alvos cambojanos. O voo da rainha decorreu neste contexto militar mais amplo, mas foi noticiado como uma saída de treino.
Quatro caças mais recentes deverão chegar até 2030
No final de agosto de 2025, a Tailândia assinou um acordo para três Gripen E e um Gripen F, com dois lugares. Estas são versões mais recentes do que os Gripen C/D da frota da Wing 7. A Saab afirmou que as entregas ao abrigo do acordo terão lugar até 2030.
Em maio de 2026, uma delegação da Força Aérea liderada pelo marechal do ar Seksan acompanhou o início da montagem do primeiro Gripen E tailandês nas instalações da Saab em Linköping, na Suécia. Trata-se de um marco da produção noticiado para a aquisição, para além da assinatura do contrato.
As notícias divergem quanto ao valor do acordo: indicam cerca de 500 milhões ou cerca de 556 milhões de dólares. A diferença é de 56 milhões de dólares, mas não há uma explicação comprovada para ela. O marechal do ar Napadet Dhupatemiya estimou separadamente o custo por aeronave em 86 milhões de dólares, excluindo o apoio logístico e as despesas associadas. Esta estimativa não é diretamente comparável com o valor total de um contrato.
As novas aeronaves destinam-se ao Esquadrão 102, para substituir F-16 mais antigos. Os relatos também divergem quanto à dimensão final prevista para esta aquisição: um refere um plano para 12 Gripen E/F, enquanto outro aponta para mais de 12. Nenhuma das versões altera a encomenda inicial confirmada de quatro aeronaves.
A Saab felicitou a rainha e destacou a longa relação de defesa entre a Suécia e a Tailândia. O voo a solo é um momento visível dessa relação, enquanto o próximo prazo de aquisição anunciado é a entrega até 2030. Não foi anunciada qualquer data para a rainha prosseguir a formação no Gripen nem uma decisão sobre a sua participação em formação avançada de combate.
Pontos principais
- A rainha Suthida, de 48 anos, completou a 8 de outubro de 2026 um voo a solo de 41 minutos num Gripen C na Wing 7.
- O palácio identificou-a como a primeira mulher tailandesa a pilotar um Gripen; as alegações mais abrangentes de um primeiro lugar mundial não foram verificadas.
- A formação incluiu 45 disciplinas, 20 sessões no simulador e cerca de 10 horas de voo supervisionado num Gripen D.
- O rei ofereceu flores à rainha e colocou-lhe um emblema da Ordem Dourada Gripen após a aterragem.
- As horas de voo publicadas por aeronave não coincidem exatamente com o total declarado de 1 188,48 horas.
- A Tailândia opera 11 caças Gripen C/D e encomendou três Gripen E e um Gripen F, com entrega prevista até 2030.
- As notícias divergem quanto ao valor do novo contrato e à dimensão prevista para a frota final.






