Reabre uma ligação renovada entre Hong Kong e Shenzhen
O Porto de Huanggang, reconstruído, abriu às 6h30 de 12 de outubro de 2026, com um novo sistema de controlo fronteiriço destinado a reduzir de cerca de 30 para aproximadamente cinco minutos o tempo necessário para concluir os procedimentos de imigração de Hong Kong e Shenzhen. A passagem funciona 24 horas por dia para passageiros e veículos de passageiros, com uma capacidade inicial de projeto de 200 000 passagens de passageiros por dia.
Índice
- Reabre uma ligação renovada entre Hong Kong e Shenzhen
- Uma fila para dois procedimentos de imigração
- Um edifício maior, com muito mais capacidade
- Porque diferem os valores de tráfego a mais longo prazo
- Da reconstrução à jurisdição de Hong Kong
- Ensaios em grande escala prepararam pessoal e sistemas
- Controlos de saúde integrados na passagem
- Novas ligações de transporte substituem o antigo vaivém de Huanggang
- Um projeto de transportes ligado a planos regionais mais amplos
- Principais pontos
O complexo reúne instalações de imigração das duas jurisdições num único local e introduz controlos coordenados destinados a eliminar filas repetidas e verificações de identidade duplicadas. É a primeira passagem terrestre entre Hong Kong e Shenzhen a utilizar o modelo de inspeção colaborativa e controlo conjunto.
A abertura foi precedida por uma cerimónia, a 11 de outubro, na secção de Shenzhen do edifício de inspeção conjunta. O chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, esteve presente, juntamente com Huang Chuping, presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Provincial de Guangdong, Jin Lei, secretário do Partido em Shenzhen, e Li Yun, presidente da Câmara de Shenzhen.
O desafio imediato é gerir o afluxo de pessoas que se espera que venham visitar o edifício e experimentar o novo sistema. Xue Huaming, chefe da Divisão Um do gabinete municipal de portos de Shenzhen, disse que o tráfego inicial poderia atingir entre 100 000 e 200 000 passagens de passageiros, mas advertiu que ainda não era possível determinar a procura. As autoridades reforçaram o pessoal e a segurança e introduziram medidas para orientar os fluxos de passageiros.
A meta de cinco minutos é, portanto, uma promessa relativa ao novo processo, não uma média confirmada para o dia da abertura. A redução do tempo de viagem dependerá também das filas, dos transportes de ligação e da capacidade de ambas as partes para gerir os períodos de maior afluência.
Uma fila para dois procedimentos de imigração
As novas disposições combinam duas mudanças com objetivos distintos. A instalação conjunta coloca as zonas de controlo de Hong Kong e da China continental no mesmo complexo portuário. A inspeção colaborativa e o controlo conjunto coordenam as etapas necessárias para concluir os procedimentos de imigração de ambas as jurisdições.
Lee disse que os passageiros que utilizem os canais automatizados terão de fazer fila uma única vez, apresentar os documentos de viagem uma única vez e verificar a identidade uma única vez. Esta sequência partilhada destina-se a cumprir os requisitos de entrada e saída de ambos os lados sem obrigar os viajantes a repetir o mesmo processo em postos de controlo separados.
As descrições do sistema automatizado referem-se a viajantes registados. A informação divulgada na abertura não estabelece que todos os passageiros o possam utilizar, nem apresenta uma lista completa dos requisitos de elegibilidade. O edifício dispõe também de balcões de atendimento manual, pelo que o processamento automatizado não é a única forma de atravessar a fronteira.
Os relatos divergem ligeiramente quanto ao tempo total previsto para o controlo. Lee e o secretário das Finanças, Paul Chan, apontam para cerca de cinco minutos, enquanto outro relato refere menos de cinco minutos. Ambos comparam esse tempo com os cerca de 30 minutos da antiga passagem. Com base na estimativa de cinco minutos, a poupança é de cerca de 25 minutos, ou uma redução de 83%.
Uma estimativa separada indica que o controlo automatizado pode demorar apenas 20 segundos. Esse valor refere-se à etapa automatizada, não à totalidade do percurso pelo porto. Não deve ser entendido como uma promessa de que os passageiros podem chegar, fazer fila e concluir todos os procedimentos em 20 segundos.
Um edifício maior, com muito mais capacidade
O complexo reconstruído tem cinco pisos acima do solo e quatro subterrâneos. A área indicada é de 689 700 metros quadrados, também apresentada, por arredondamento, como aproximadamente 690 000 metros quadrados. Os valores são descrições coerentes, com diferentes níveis de precisão.
As instalações para passageiros incluem 134 canais automatizados e 68 balcões de atendimento manual, num total de 202 canais e balcões. Os veículos de passageiros dispõem de 28 canais de inspeção. Os percursos pedonais e de veículos estão separados em pisos diferentes, e a Linha 7 do Metro de Shenzhen tem acesso direto a partir do segundo piso subterrâneo.
Chan disse que a capacidade inicial de projeto, de 200 000 passageiros por dia, é cinco vezes superior à do antigo porto. Essa comparação implica uma capacidade de projeto anterior de cerca de 40 000 passagens por dia. A capacidade descreve aquilo para que as instalações foram concebidas, não o número de pessoas que já as utilizaram.
Jin descreveu o porto reconstruído como o maior complexo portuário terrestre do mundo. Outro relato chama-lhe o maior porto terrestre do mundo instalado num único edifício. As descrições recorrem a categorias diferentes, e a informação divulgada na abertura não apresenta uma comparação global que confirme qualquer uma das classificações.
Porque diferem os valores de tráfego a mais longo prazo
Lee disse que a capacidade diária poderá subir de aproximadamente 200 000 para aproximadamente 300 000 após a abertura do ramal da Linha Norte do MTR. Isso acrescentaria 100 000 passagens de passageiros por dia, um aumento de 50% face ao valor inicial de projeto. Não foi indicada uma data para a abertura do ramal.
Outras descrições referem uma capacidade de 300 000 pessoas nas horas de ponta a mais longo prazo. Xue, por sua vez, disse que o tráfego poderá ultrapassar os 300 000 a longo prazo. Estes valores não são equivalentes: um é uma capacidade associada a uma futura ligação ferroviária, outro refere-se à capacidade nas horas de ponta e o terceiro é uma previsão da procura.
A estimativa inicial de Xue, de 100 000 a 200 000 passagens, corresponderia a entre metade e a totalidade da capacidade diária de projeto indicada, caso fosse medida ao longo de um dia. As declarações divulgadas não especificam o período de medição, pelo que o intervalo não deve ser apresentado como uma previsão diária confirmada.
Esta distinção é importante do ponto de vista operacional. Um porto pode ter uma capacidade diária considerável e, ainda assim, registar filas quando muitos passageiros chegam num curto espaço de tempo. As autoridades de ambos os lados dizem estar a preparar-se para períodos de elevada concentração da procura, incluindo a chegada de visitantes que pretendem sobretudo conhecer e experimentar as novas instalações.
Da reconstrução à jurisdição de Hong Kong
A reconstrução começou em 2019, na sequência de um acordo entre Hong Kong e Shenzhen. A obra física foi acompanhada por disposições legais que permitem a Hong Kong exercer jurisdição sobre a área portuária que lhe está destinada no complexo reconstruído.
Lee disse que o Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional tomou uma decisão de autorização em junho de 2026, seguida de aprovação do Conselho de Estado em julho. Hong Kong foi autorizada a exercer jurisdição sobre a sua área portuária a partir da meia-noite de 31 de julho. Lee descreveu essas etapas como a base jurídica da instalação conjunta.
Os principais marcos foram:
- 2019: Início da reconstrução, ao abrigo de um acordo entre Hong Kong e Shenzhen.
- Junho de 2026: O Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional tomou a decisão de autorização referida por Lee.
- Julho de 2026: O Conselho de Estado concedeu a sua aprovação.
- 31 de julho de 2026: A jurisdição de Hong Kong sobre a área portuária que lhe está destinada entrou em vigor à meia-noite.
- 11 de outubro de 2026: As autoridades realizaram a cerimónia de abertura na zona portuária de Shenzhen.
- 12 de outubro de 2026: Os serviços para passageiros e veículos de passageiros começaram às 6h30.
Segundo Lee, o governo municipal de Shenzhen pagou os custos de conceção e construção do projeto. Não foi indicado o custo total. O modelo de financiamento e as etapas jurisdicionais, distintas entre si, mostram que a renovação exigiu uma cooperação que foi além da construção de um terminal maior.
Ensaios em grande escala prepararam pessoal e sistemas
Chris Tang, secretário para a Segurança, disse que, desde a criação da área portuária de Hong Kong, tinham sido realizados mais de 100 testes aos sistemas, procedimentos e desempenho sob pressão. Manifestou confiança de que a abertura proporcionaria um controlo seguro, fluido e eficiente.
Ingrid Yeung, secretária da Função Pública, deu mais pormenores sobre os preparativos. Ao longo de mais de dois meses, os departamentos governamentais realizaram mais de 100 testes e exercícios, incluindo dois grandes testes de pressão que envolveram, respetivamente, 10 000 e 20 000 funcionários públicos.
Os participantes fizeram-se passar por utilizadores e deram feedback sobre a sua experiência. Yeung disse que o trabalho refletiu a cooperação entre os vários departamentos do governo e o papel dos funcionários públicos tanto como servidores públicos como utilizadores dos serviços públicos.
Os serviços disciplinados trabalharam no equipamento e no software dos canais de controlo, na sinalização e noutras disposições operacionais. O Departamento dos Bens do Governo melhorou e reparou instalações de utilização frequente. Estas tarefas ocuparam-se de aspetos práticos que podem afetar a circulação de passageiros, mesmo quando os principais sistemas de imigração funcionam.
Xue, de Shenzhen, referiu mais de 200 exercícios realizados por ambas as partes, incluindo simulacros de resposta a emergências e de contingência. Esse número abrange um esforço de preparação mais amplo do que o total de mais de 100 testes dos departamentos de Hong Kong. Os relatos não explicam como foram contabilizados os exercícios, pelo que os dois totais não devem ser somados.
Controlos de saúde integrados na passagem
Ronald Lam, diretor da Saúde, disse que tinham sido destacados funcionários suficientes para garantir o funcionamento ordenado das operações de quarentena sanitária e proteger a saúde pública aquando da abertura do porto.
No átrio de passageiros, um sistema coletivo de imagiologia térmica por infravermelhos mede a temperatura dos viajantes enquanto estes atravessam a área. O sistema destina-se a controlar um grande número de pessoas sem que cada viajante tenha de parar para uma medição individual da temperatura.
Nas vias de inspeção conjunta para veículos, foram integrados equipamentos de recolha de informação. Estes podem recolher, numa única sequência, a temperatura do condutor, os dados do documento de viagem, as características faciais e as impressões digitais, reduzindo a necessidade de etapas de recolha separadas.
Lee disse que se esperava que o controlo dos veículos passasse de cerca de 10 minutos para menos de dois minutos. Isso representaria uma poupança superior a oito minutos, uma redução de mais de 80%. Tal como a estimativa relativa aos passageiros, trata-se de uma melhoria prevista no processamento, não de uma medição publicada do desempenho no dia da abertura.
As medidas de saúde mostram como o novo processo de trabalho combina vários controlos em vez de simplesmente os eliminar. Não foram divulgados pormenores sobre o tratamento de temperaturas anormais, a conservação de informação biométrica ou o desempenho medido durante as operações reais.
Novas ligações de transporte substituem o antigo vaivém de Huanggang
A passagem continua a ser o único posto de controlo fronteiriço terrestre de passageiros entre Hong Kong e Shenzhen a funcionar 24 horas por dia. A sua utilidade fora do horário diurno depende tanto dos serviços de ligação como da disponibilidade dos balcões de imigração.
Mable Chan, secretária dos Transportes e Logística, inspecionou os preparativos no interface de transportes públicos do porto, acompanhada por Starry Lee, presidente do Conselho Legislativo. Visitou também o interface de transportes públicos de San Tin, onde o Departamento dos Transportes organizou três carreiras diurnas de autocarro, três carreiras diurnas de miniautocarro verde, um serviço noturno de autocarro e mais um serviço de miniautocarro verde entre San Tin e o Porto de Huanggang.
Um relato mais abrangente das ligações ao porto enumera sete carreiras de autocarros franchisados, seis carreiras de miniautocarro e cinco serviços de vaivém transfronteiriços a funcionar 24 horas por dia, com ligações à ilha de Hong Kong, a Kowloon e aos Novos Territórios. Estes totais descrevem uma rede de transportes mais ampla do que os serviços específicos de San Tin e não devem ser considerados contagens concorrentes das mesmas carreiras.
A mudança põe também fim a quase 30 anos de funcionamento do antigo vaivém de Huanggang. No último dia do serviço, entusiastas de autocarros e visitantes de Shenzhen foram ao interface de San Tin para fotografar os veículos e assinalar o fim da carreira. Um visitante identificado como Sr. Yang disse que aquela tinha sido a sua primeira e última viagem; outro, o Sr. Liu, recordou ter utilizado o serviço em criança.
A antiga paragem do vaivém continuará a ter uma função nos transportes. Mable Chan disse que, a partir de segunda-feira, seria servida por três carreiras de autocarros franchisados e que as suas instalações apoiariam os serviços de vaivém para passageiros de excursões com destino a norte ou a sul.
O novo edifício não dispõe de uma área para os autocarros de turismo recolherem e deixarem passageiros. As conversações com o setor do turismo sobre essas disposições prosseguiam. O Gabinete dos Transportes e Logística disse que iria acompanhar a situação e coordenar as respostas, enquanto os testes anteriores com operadores tinham analisado os fluxos de veículos, a circulação de peões e a sinalização.
Um projeto de transportes ligado a planos regionais mais amplos
Lee associou a abertura a três prioridades: executar o planeamento nacional, introduzir novas disposições institucionais e aumentar a circulação através da fronteira. Disse que Hong Kong publicou o seu primeiro plano quinquenal em setembro e que o estava a alinhar com o 15.º Plano Quinquenal do país.
Huang associou o porto a uma cooperação mais estreita entre Shenzhen e a Metrópole do Norte de Hong Kong, bem como ao desenvolvimento da Zona de Cooperação para a Inovação Científica e Tecnológica de Hetao Shenzhen-Hong Kong. Disse que Guangdong trabalharia com Hong Kong na gestão da passagem e na melhoria dos seus serviços.
Jin delineou a cooperação nas áreas do comércio, finanças, tecnologia, indústria, cultura e turismo. Li Xiaobing, especialista em assuntos de Hong Kong, Macau e Taiwan na Universidade de Nankai, disse que a passagem reconstruída respondia às necessidades de desenvolvimento económico e social das duas cidades e alargava a aplicação do princípio «um país, dois sistemas».
Paul Chan enquadrou a abertura noutro evento regional: a primeira reunião dos ministros das Finanças da APEC em Hong Kong, prevista para pouco mais de uma semana depois. As prioridades anunciadas incluem políticas orçamentais de apoio ao bem-estar da população, financiamento de infraestruturas digitais, finanças inclusivas e intercâmbios entre jovens profissionais do setor financeiro. A reunião é independente da inauguração do porto, mas integra a agenda mais ampla do governo para reforçar as ligações regionais.
Para quem atravessa regularmente a fronteira, o teste imediato é mais concreto: saber se procedimentos de imigração mais rápidos, transportes fiáveis e uma gestão eficaz das multidões resultarão numa viagem mais curta. Não foi divulgada uma média medida do tempo de controlo no dia da abertura, nem um total confirmado do tráfego. Também continuam por especificar a data de abertura do ramal da Linha Norte e as disposições definitivas para os autocarros de turismo.
Principais pontos
- O Porto de Huanggang abriu às 6h30 de 12 de outubro de 2026, com controlo disponível 24 horas por dia para passageiros e veículos de passageiros.
- Prevê-se que os controlos de imigração coordenados reduzam o tempo total de controlo dos passageiros de cerca de 30 minutos para aproximadamente cinco.
- A capacidade inicial de projeto é de 200 000 passagens de passageiros por dia, cinco vezes superior à do antigo porto.
- O complexo dispõe de 134 canais automatizados para passageiros, 68 balcões de atendimento manual e 28 canais de inspeção para veículos de passageiros.
- Os departamentos de Hong Kong realizaram mais de 100 testes; Shenzhen referiu mais de 200 exercícios que envolveram ambas as partes.
- Novos serviços de transporte substituem o antigo vaivém de Huanggang, enquanto continuam as conversações sobre as disposições para os autocarros de turismo.
- Um futuro ramal da Linha Norte poderá permitir uma capacidade de aproximadamente 300 000 passagens por dia, mas não foi indicada uma data de abertura.






