Compras na recta final levam Sensex acima dos 73.000 pontos
As acções indianas valorizaram na terça-feira, 13 de Outubro de 2026, com o Sensex a fechar nos 73.033,78 pontos, uma subida de 1.109,10 pontos ou 1,54%, e o Nifty 50 a ganhar 358,60 pontos ou 1,60%, para terminar nos 22.721,95 pontos. As acções tecnológicas lideraram a recuperação, enquanto a disponibilidade da ministra das Finanças, Nirmala Sitharaman, para ouvir as preocupações dos investidores sobre a tributação deu novo impulso ao mercado na última hora.
Índice
- Compras na recta final levam Sensex acima dos 73.000 pontos
- Como ganhou força a recuperação
- Debate fiscal alimenta expectativas, sem promessas
- Resultados tecnológicos impulsionam os maiores ganhos
- O que significam realmente os valores sobre a riqueza dos investidores
- Rupia recupera após medidas do RBI
- Petróleo, inflação e vendas estrangeiras continuam a pressionar
- Acções em sentido mais amplo dão sinais contraditórios
- Menor volatilidade, mas sem confirmação de uma inversão duradoura
- Pontos principais
A recuperação acrescentou mais de 4 biliões de rupias ao valor das acções cotadas, embora os relatos divirjam quanto ao aumento exacto. A maioria estima que a capitalização bolsista conjunta das empresas cotadas na BSE tenha rondado os 470 lakh crore de rupias no fecho. A subida seguiu-se à queda de cerca de 0,7% de segunda-feira e coincidiu com uma rupia mais forte, a descida dos preços do petróleo e um sentimento mais favorável em torno dos resultados das empresas tecnológicas.
É importante distinguir entre expectativas e decisões: Sitharaman não anunciou qualquer redução ou eliminação dos impostos sobre mais-valias ou do imposto sobre transacções de valores mobiliários. Os investidores reagiram à possibilidade de uma revisão, não a uma alteração de política acordada.
Os valores finais dos índices de referência foram superiores às cotações da sessão de fecho, que indicavam 72.988,54 pontos para o Sensex e 22.702 para o Nifty, com subidas de 1.063,86 e 338,70 pontos, respectivamente. A maioria dos relatos sobre o fecho converge nos valores de 73.033,78 e 22.721,95 pontos, os mais claros para caracterizar a sessão.
A recuperação foi expressiva, mas desigual. Vários indicadores das empresas de menor dimensão continuaram fracos, os investidores estrangeiros tinham mantido as vendas na sessão anterior e o Brent continuava acima dos 100 dólares por barril, apesar da descida diária. A sessão trouxe, por isso, algum alívio, sem resolver as pressões na origem da recente queda.
Como ganhou força a recuperação
A sessão começou praticamente inalterada, embora os relatos divirjam quanto à direcção inicial. Um descreveu ambos os índices de referência como estando cerca de 30 pontos abaixo. Outro indicou uma abertura do Sensex nos 71.951 pontos, ligeiramente acima do fecho anterior, próximo dos 71.924, e do Nifty nos 22.364, face a um fecho anterior próximo dos 22.363.
A tendência tornou-se mais clara à medida que se intensificavam as compras de acções tecnológicas. Por volta das 13h30, o Sensex subia 531,87 pontos, para 72.456,55, enquanto o Nifty avançava 174,45 pontos, para 22.537,80. Cerca das 14h30, o Sensex negociava perto dos 72.600 pontos, antes de acelerar até ao fecho.
- Sábado: O Reserve Bank of India anunciou medidas para gerir a procura de dólares e apoiar a rupia.
- Segunda-feira: Seguiram-se novas restrições cambiais, enquanto as acções desciam e os investidores estrangeiros continuavam vendedores líquidos.
- Terça-feira de manhã: As acções tecnológicas avançaram e a rupia valorizou, enquanto os índices de referência começaram a sessão praticamente inalterados.
- Terça-feira à tarde: Os ganhos aumentaram depois de Sitharaman ter abordado as preocupações dos investidores sobre os impostos sobre mais-valias e transacções.
- Fecho de terça-feira: O Sensex terminou acima dos 73.000 pontos e o Nifty acima dos 22.700.
Os relatos também divergem quanto ao fecho do Nifty na segunda-feira. Um refere uma recuperação acima dos 22.500 pontos, enquanto os valores finais de terça-feira e a subida indicada de 358,60 pontos implicam um fecho anterior de 22.363,35. As duas descrições não podem corresponder à mesma cotação de fecho.
Debate fiscal alimenta expectativas, sem promessas
Durante a sua intervenção no Bloomberg New Economy Forum, em Nova Deli, Sitharaman reconheceu que investidores indianos e estrangeiros tinham manifestado preocupações sobre o imposto sobre as mais-valias de longo prazo, ou LTCG. Abordou também o imposto sobre transacções de valores mobiliários, ou STT, e o debate sobre se diferentes classes de activos deveriam ter um tratamento fiscal semelhante.
O LTCG incide sobre os lucros de investimentos detidos além do período mínimo aplicável. O imposto sobre as mais-valias de curto prazo, ou STCG, aplica-se aos ganhos de investimentos vendidos mais cedo. O STT é diferente: incide sobre determinadas transacções de valores mobiliários, e não sobre o lucro obtido pelo investidor. Uma alteração a um destes impostos não alteraria automaticamente os restantes.
Sitharaman, ministra das Finanças da União, explicou por que razão não indicaria quais as propostas que poderiam ser aceites durante a preparação do orçamento:
Estamos muito perto do orçamento e a sua preparação já começou, pelo que talvez não seja a melhor altura para dizer o que ponderarei ou não.
As suas declarações surgiram na sequência de apelos à revisão da tributação das acções, depois de o Orçamento de 2024 ter aumentado para 12,5% a taxa do LTCG aplicável às acções. O relatório Ecowrap da SBI Research também defendeu a abolição do imposto LTCG sobre acções e o prolongamento do período de detenção para dois ou três anos. Tratava-se de uma recomendação de investigação, não de uma decisão governamental.
O próximo Orçamento da União, previsto para Fevereiro, é o evento de política económica identificado nos relatos. Não foi anunciada qualquer data concreta para uma decisão fiscal, prazo para consultas ou proposta específica.
Resultados tecnológicos impulsionam os maiores ganhos
O índice Nifty IT subiu mais de 5%, prolongando uma valorização superior a 3% nas negociações da manhã, quando os dez componentes começaram por negociar em alta. Os relatos apontam para uma subida posterior de 5,22% ou 5,5%, sem esclarecer a diferença. Um deles descreveu a sessão como a maior subida diária do índice desde Maio de 2025.
A HCLTech liderou a subida após a divulgação dos resultados trimestrais, com a melhoria da rentabilidade, das encomendas e das receitas de serviços avançados de inteligência artificial apontadas como motivos para o regresso das compras. A TCS também valorizou após os resultados recentes, acompanhada pela Infosys e pela Tech Mahindra.
Os ganhos exactos das acções variam consoante os relatos. Um conjunto de valores de fecho indica subidas de 8,42% para a HCLTech, 6,79% para a TCS, 4,93% para a Tech Mahindra e 4,13% para a Infosys. Outro aponta para ganhos de 8,28%, 6,59%, 4,90% e 4,44%, respectivamente. Ambos mostram a mesma tendência: uma recuperação generalizada entre as maiores empresas de serviços de software.
Dharmesh Kant, responsável pela investigação sobre acções na Cholamandalam Securities, afirmou que os resultados mais recentes justificavam uma visão mais positiva do sector:
Os resultados trimestrais divulgados pela Accenture, TCS e HCLTech indicam que o pior das preocupações com o crescimento dos resultados das empresas de TI poderá já ter passado.
As empresas tecnológicas de menor dimensão também subiram. A Mphasis ganhou 5,18%, a Coforge 4,46% e a Persistent 3,86%, enquanto a Tata Elxsi avançou mais de 5% antes da divulgação dos resultados. Ainda assim, mesmo depois da subida de terça-feira, os relatos estimam que a queda do índice Nifty IT desde o início do ano seja de 21,2% ou 23%. A recuperação compensou apenas uma parte de uma perda muito maior.
O que significam realmente os valores sobre a riqueza dos investidores
O ganho amplamente referido de mais de 4 biliões de rupias corresponde ao aumento da capitalização bolsista, não a dinheiro recebido pelos investidores. A capitalização bolsista é o valor das acções em circulação aos preços em vigor. Uma subida aumenta o valor cotado das participações, mas os investidores só realizam um lucro quando vendem acima do preço a que compraram.
O cálculo mais detalhado estima o valor conjunto das empresas cotadas na BSE em 4,70,07,567,40 crore de rupias, face a 4,65,91,974,21 crore na segunda-feira. A diferença é de 4,15,593,19 crore, ou cerca de 4,16 lakh crore. Um lakh crore de rupias equivale a um bilião de rupias.
Outros relatos apontam para um aumento de 4,12 lakh crore ou 4,62 lakh crore, enquanto outro arredonda a subida para cerca de 5 lakh crore. A estimativa de 4,62 lakh crore usa como base o valor de 465,45 lakh crore na segunda-feira e um total de 470,07 lakh crore na terça-feira.
Um valor distinto, de 4,65,16,690 crore de rupias, foi apresentado como o valor de mercado das empresas do Sensex na segunda-feira. Essa descrição não corresponde ao indicador mais amplo das empresas cotadas na BSE usado noutros relatos e, por isso, não deve ser tratada como um total directamente comparável. Os diferentes valores de partida impedem o apuramento de um único valor preciso para o aumento da riqueza.
Rupia recupera após medidas do RBI
A rupia valorizou enquanto os investidores avaliavam as medidas do Reserve Bank of India destinadas a reduzir a pressão da procura de dólares. Abriu com uma valorização de 62 paisas, nos 95,16 por dólar, face ao fecho anterior de 95,78. Outro relato das primeiras negociações registou uma subida de 82 paisas, para 94,96.
Os relatos de fecho são menos consistentes. Um indica um fecho provisório nos 95,30, com uma subida de 48 paisas; outro aponta para 95,38, com uma valorização de 40 paisas. Um terceiro situa a moeda nos 95,28, sem identificar essa cotação como a de fecho. Os relatos também divergem quanto a terça-feira ter sido a segunda ou a terceira sessão consecutiva de ganhos.
As medidas do RBI incluíram uma janela específica de fornecimento de dólares para três empresas petrolíferas estatais, restrições aos derivados cambiais e uma exigência de reservas de caixa de 20% para determinados contratos cambiais. Uma janela separada de dólares para as empresas petrolíferas pode reduzir a necessidade de comprarem dólares no mercado regular.
As novas restrições anunciadas na segunda-feira limitaram a utilização, por clientes estrangeiros, de contratos derivados não entregáveis em rupias a operações de cobertura de risco. Estes contratos permitem ter exposição às variações cambiais sem entrega das próprias rupias. A cobertura de risco consiste em utilizar um contrato financeiro para compensar um risco existente, em vez de simplesmente apostar numa variação de preços.
Jateen Trivedi, analista de investigação da LKP Securities, afirmou que uma recuperação duradoura da moeda dependerá dos fluxos de investimento institucional estrangeiro, dos preços do crude e da evolução geral do dólar. Dilip Parmar, analista sénior de investigação da HDFC Securities, também apontou o fecho de posições, o enfraquecimento do dólar, a descida do crude e a recuperação das acções como factores de apoio.
Petróleo, inflação e vendas estrangeiras continuam a pressionar
O Brent recuou durante as negociações de terça-feira, mas os preços indicados variaram entre 104,55 e 105,87 dólares por barril. Um relato registou uma descida de cerca de 1,2%, para 105,40 dólares; outro referiu uma queda superior a 2%. Estes valores representam um alívio face aos máximos recentes, não um regresso a preços de energia baixos.
O crude norte-americano foi cotado a 92,34 dólares por barril, menos 1,5%, enquanto outros relatos o situaram abaixo dos 93 dólares. As expectativas de um aumento do fornecimento de energia russa contribuíram para melhorar o sentimento. Os relatos também referiram novos riscos de segurança que afectam as rotas regionais de abastecimento energético, limitando a confiança de que a descida se mantenha.
Na Índia, o petróleo importado caro pode aumentar a procura de dólares e pressionar os preços. A inflação a retalho de Setembro foi indicada em 5,54%, mantendo em foco as decisões do RBI sobre as taxas de juro. A descida das taxas das obrigações norte-americanas trouxe algum alívio: a taxa das obrigações do Tesouro a dez anos caiu abaixo dos 5,2%, enquanto a das obrigações a dois anos desceu abaixo dos 4,8%.
As vendas estrangeiras continuaram a ser outro factor limitativo. Na segunda-feira, os investidores estrangeiros venderam 1.708 crore de rupias em acções indianas, na 13.ª sessão consecutiva como vendedores líquidos. Os dados atribuídos à National Securities Depository Limited apontam para saídas de 45.416 crore de rupias em Outubro, face a 35.861 crore em Setembro.
Isso significa que as saídas indicadas para Outubro foram 9.555 crore de rupias, ou cerca de 26,6%, superiores ao total de Setembro. A comparação é especialmente significativa porque o valor de Outubro abrangia apenas o período mais recente divulgado, não o mês completo. A subida de terça-feira, por si só, não demonstra que as vendas estrangeiras tenham invertido a tendência.
Acções em sentido mais amplo dão sinais contraditórios
A subida estendeu-se para lá do sector tecnológico. Entre os ganhos sectoriais indicados contam-se 2,48% no Nifty Realty, 1,46% nos serviços financeiros e no PSU Bank, 1,40% no FMCG, 1,23% no sector automóvel, 1,17% no sector dos metais e 1,03% no sector bancário. A HUL subiu 2,94% e a Trent ganhou 2,61%.
A amplitude do mercado variou durante a sessão e diferiu consoante o índice. Um relato da tarde indicava que 14 dos 16 principais índices sectoriais estavam em alta, enquanto um relato de fecho referia que apenas o Nifty Pharma terminou em baixa, com uma queda de 0,05%. As cotações anteriores mostravam descidas nos índices das empresas de menor dimensão, mas outro relato de fecho indicava uma ligeira subida do Nifty Smallcap 100 e uma valorização superior a 1% do Nifty Midcap 100.
Os valores referem-se a diferentes conjuntos de acções e momentos da sessão, pelo que não permitem afirmar simplesmente que todas as áreas do mercado recuperaram por igual. A Shriram Finance subiu 6,31%, na sequência de notícias de que o Mitsubishi UFJ Financial Group poderia aumentar a sua participação. A Paytm e a MobiKwik terminaram em alta depois de fortes oscilações, após ter sido noticiado que uma decisão da NPCI adiou para o Diwali a aplicação de uma taxa de desconto comercial sobre pagamentos UPI. A taxa de desconto comercial é um encargo associado à aceitação de pagamentos.
As perdas continuaram visíveis. O RBL Bank caiu mais de 7%, perante preocupações com as margens de crédito, enquanto a ICICI Prudential Life recuou mais de 3% depois de os indicadores de rentabilidade da actividade ficarem aquém das estimativas. A Kotak Mahindra Bank, a Eternal, a Maruti Suzuki e a Max Healthcare também desceram num dos relatos de fecho.
Menor volatilidade, mas sem confirmação de uma inversão duradoura
O India VIX, que mede a volatilidade esperada do mercado accionista, desceu à medida que a recuperação avançava. Foi cotado perto dos 14,82 pontos ao meio-dia, menos quase 4%, e nos 14,04 pontos mais tarde, com uma queda de 7,94%. Outro relato indica uma descida diária de 7,41%. Valores mais baixos do VIX indicam menores oscilações de preços esperadas, não uma garantia contra perdas.
Os ganhos da Índia contrastaram com as quedas de 5,78% do KOSPI sul-coreano, 1,93% do Nikkei 225 japonês e 1,99% do índice ponderado de Taiwan. Singapura e Hong Kong registaram ligeiras subidas. As preocupações com as acções de semicondutores e com a sustentabilidade do investimento global em inteligência artificial foram apontadas como factores associados à queda regional.
As perspectivas de crescimento foram outro elemento positivo. Segundo os relatos, o FMI reviu em alta a previsão de crescimento da Índia para 7% no ano fiscal de 2026-2027, face aos 6,4% previstos em Julho. Uma descrição distinta das Perspectivas da Economia Mundial de Outubro aponta para um crescimento de 7% tanto em 2026 como em 2027. Os períodos de referência diferem e não devem ser tratados como previsões idênticas.
Os analistas técnicos identificaram vários níveis que o Nifty poderá testar. Nagaraj Shetti, da HDFC Securities, apontou para os 22.800 pontos, enquanto Ajit Mishra, da Religare Broking, destacou os 22.900, seguidos dos 23.000 a 23.200. Nandish Shah, da HDFC Securities, identificou uma resistência entre os 23.100 e os 23.150 pontos. São análises gráficas, não resultados de mercado previstos para datas específicas.
Jai Bala, da Cashthechaos.com, afirmou que gostaria de ver um fecho semanal acima dos 22.900 pontos e compras sustentadas até sexta-feira. Com o Nifty a terminar terça-feira nos 22.721,95 pontos, esse teste ainda não tinha sido superado. Os próximos resultados empresariais, a evolução cambial e os preços do petróleo continuam a ser indicadores concretos para avaliar se a recuperação prossegue.
Pontos principais
- O Sensex fechou nos 73.033,78 pontos, com uma subida de 1.109,10; o Nifty terminou nos 22.721,95 pontos, mais 358,60.
- Os resultados das empresas tecnológicas impulsionaram uma subida superior a 5% do índice Nifty IT.
- Sitharaman mostrou abertura ao debate fiscal, mas não anunciou alterações ao LTCG, ao STCG ou ao STT.
- As estimativas para o aumento da riqueza dos investidores variaram entre 4,12 lakh crore de rupias e cerca de 5 lakh crore.
- A rupia valorizou após as medidas do RBI, embora os relatos divirjam quanto às cotações de fecho.
- O petróleo acima dos 100 dólares, a inflação de Setembro de 5,54% e a continuação das vendas estrangeiras mantiveram-se como factores de pressão.
- O desempenho das empresas de menor dimensão foi misto e ainda não estava confirmada uma inversão duradoura do mercado.






