BTS: The Return revela os riscos criativos por detrás de ARIRANG e do reencontro do grupo

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BTS: The Return Reveals the Creative Risks Behind ARIRANG and the Group's Reunion

Sete membros regressam, com mais do que um reencontro por resolver

Os BTS lançaram o seu quinto álbum de estúdio, ARIRANG, a 20 de março, atuaram na Praça Gwanghwamun, em Seul, a 21 de março e regressaram à Netflix a 27 de março com um documentário que mostra como, por vezes, o regresso pareceu incerto a partir do interior do estúdio de gravação. O concerto chegou, segundo os relatos, a 18,4 milhões de espectadores em todo o mundo através da transmissão em direto da Netflix. O filme passa dessa escala pública para as decisões que os sete músicos tiveram de tomar antes de poderem voltar a estar juntos em palco.

Índice
  1. Sete membros regressam, com mais do que um reencontro por resolver
  2. Do serviço militar a uma casa partilhada em Los Angeles
  3. Porque se chamou ARIRANG ao álbum
  4. Uma gravação histórica divide a sala
  5. SWIM põe à prova o som que deve ter um single principal dos BTS
  6. Identidade coreana e público global
  7. Como as câmaras entraram no processo criativo
  8. Fraternidade sem apagar as vidas individuais
  9. Um lançamento bem-sucedido não apaga as dúvidas
  10. Pontos principais

Realizado por Bao Nguyen e produzido pela This Machine e pela HYBE, com Jane Cha como produtora, o documentário de 91 minutos BTS: The Return acompanha RM, Jin, SUGA, j-hope, Jimin, V e Jung Kook durante a criação do seu primeiro álbum completo em quase quatro anos. Os sete já tinham cumprido o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul antes do início do processo coletivo de gravação.

A tensão central do documentário é específica: como podiam os BTS regressar reconhecivelmente como BTS sem se limitarem a repetir o passado? As discussões em torno do discreto single principal SWIM, da utilização de uma gravação histórica de Arirang e do equilíbrio entre letras em coreano e em inglês mostram que um reencontro não gerou automaticamente consenso sobre a música.

O anúncio oficial do documentário da Netflix descreve um filme sobre dúvidas, redescoberta e uma identidade em evolução. As cenas mais reveladoras traduzem estas ideias em decisões práticas: escolher um refrão, questionar a energia de uma canção e decidir quanto peso cultural deve carregar um álbum.

Do serviço militar a uma casa partilhada em Los Angeles

O filme abrange quase oito meses, começando com gravações em Los Angeles, no verão de 2025, e prosseguindo com os preparativos para o regresso em Seul, no início de 2026. Durante cerca de um mês, os membros viveram e trabalharam juntos numa casa arrendada em Los Angeles, recuperando temporariamente uma rotina doméstica partilhada que já não fazia parte do seu quotidiano habitual.

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O início volta a reunir o grupo numa transmissão em direto, antes de passar por imagens do serviço militar e do regresso à música. Em geral, a Coreia do Sul exige que os homens elegíveis cumpram entre 18 e 21 meses de serviço militar. Para os BTS, cumprir essa obrigação removeu o obstáculo imediato à colaboração, mas o tempo afastados também tinha mudado os membros que regressavam à banda.

Jin chegou às sessões do álbum depois de concluir uma digressão a solo, falhando parte do trabalho inicial de gravação. Os prazos apertados obrigaram o grupo a reconstruir o seu ritmo coletivo enquanto a produção já avançava. Às colaborações com produtores internacionais em Los Angeles seguiram-se novas sessões na Coreia do Sul, onde o álbum ganhou a sua forma final.

A sequência situa o documentário depois da música e do regresso público, permitindo aos espectadores comparar o resultado final com as hesitações que o antecederam:

  • Verão de 2025: os BTS reúnem-se em Los Angeles para viver juntos e começar a gravar ARIRANG.
  • Início de 2026: o trabalho prossegue em Seul, enquanto os membros se preparam para regressar.
  • 20 de março de 2026: ARIRANG é lançado e Nguyen fala sobre o documentário numa conferência de imprensa em Seul.
  • 21 de março de 2026: os BTS atuam na Praça Gwanghwamun, num concerto transmitido em direto pela Netflix.
  • 27 de março de 2026: BTS: The Return estreia na Netflix.

Porque se chamou ARIRANG ao álbum

A ideia para o título do álbum não partiu de nenhum dos sete membros. Numa apresentação filmada, Boyoung Lee, diretora criativa executiva da Big Hit Music, propôs ARIRANG, estabelecendo uma ligação entre os BTS e os sete coreanos que gravaram a canção tradicional nos Estados Unidos, em 1896.

Um artigo governamental do Korea.net identifica-os como estudantes coreanos em Washington e descreve a gravação como a primeira de Arirang. A apresentação de Lee deu ao álbum uma referência histórica concreta: sete coreanos a levar a sua cultura para um contexto norte-americano, mais de um século antes das sessões dos BTS em Los Angeles.

Arirang é uma canção folclórica tradicional coreana com um lugar de destaque na identidade cultural do país. Usar o seu nome tornou explícita a ligação do álbum à Coreia. Criou também uma responsabilidade criativa para além da escolha de um título apelativo, uma vez que os ouvintes associariam à nova gravação as suas próprias interpretações da canção.

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RM acolheu inicialmente a referência, mas o documentário mostra que aceitar o conceito foi mais fácil do que decidir como o expressar. O grupo teve de ponderar se uma tradição tão conhecida se adequaria à música que estava a criar e como soaria aos ouvintes, tanto na Coreia como fora do país.

Uma gravação histórica divide a sala

Essa tensão tornou-se audível em Body to Body, a faixa de abertura do álbum. A questão era saber se deviam incluir a gravação histórica de Arirang e, em caso afirmativo, como integrá-la. Uma amostra é um excerto de uma gravação existente utilizado numa nova canção. Neste caso, a amostra tinha um significado histórico, além de uma textura musical.

Quando j-hope, Jimin e V ouviram uma versão, reagiram com entusiasmo. RM e SUGA ficaram menos convencidos. RM achou que o arranjo parecia juntar várias ideias diferentes em competição dentro da mesma faixa. Eram divergências sobre a construção de uma canção, não indícios de que os membros tivessem rejeitado a identidade coreana do álbum.

Bang, presidente e fundador da HYBE, defendeu a manutenção de Arirang durante uma reunião em Seul. Pediu aos membros que imaginassem no que poderia transformar-se aquele trecho num concerto de grandes dimensões, reconhecendo, ao mesmo tempo, que a decisão lhes cabia.

«Imaginem atuar perante 60 000 ou 70 000 pessoas. Imaginem que a maioria são estrangeiros a cantar o refrão de “Arirang”. Esse momento será incrivelmente icónico», afirma Bang.

O trecho de Arirang acabou por entrar no álbum. O público de 60 000 ou 70 000 pessoas imaginado por Bang foi um cenário usado na discussão criativa, não um número de espectadores anunciado para a atuação em Gwanghwamun. A cena mostra como o mesmo trecho musical podia ser avaliado de forma diferente enquanto arranjo de estúdio, declaração cultural e potencial momento de concerto.

SWIM põe à prova o som que deve ter um single principal dos BTS

A discussão sobre SWIM foi diferente. Em vez de perguntarem quanta história deviam incluir, os membros questionaram se uma canção suave seria a introdução certa para o seu regresso. Muitas vezes, o single principal dá aos ouvintes a primeira impressão de um álbum, tornando o seu tom uma escolha importante após uma longa ausência.

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RM, o líder do grupo, descreveu a faixa como uma mudança em relação ao estilo habitual e associou essa mudança à decisão de correr um risco.

A canção é um pouco suave, por isso já representa uma grande mudança em relação ao nosso estilo habitual», afirma RM. «Mas, ainda assim, chegou o momento de correr esse risco.

A incerteza não desapareceu depois de SWIM ter sido escolhida. RM continuava a achar que lhe faltava energia, e Jung Kook partilhava essa preocupação. V observou que a canção seguia na direção oposta à que as pessoas poderiam esperar. Jimin distinguiu entre gostar da faixa e sentir confiança para a lançar: uma boa canção podia continuar a ser uma escolha assustadora.

SUGA, membro dos BTS que apoiava SWIM, lembrou ao grupo que uma edição anterior, que acabou por ser um grande sucesso, também tinha sido recebida com incerteza.

«Também não tínhamos a certeza quanto a “Dynamite”», afirma.

Essa comparação não provava que SWIM repetiria o sucesso de Dynamite. Deu, porém, aos membros um exemplo comum de instintos postos em causa antes de um lançamento. A escolha final privilegiou um som mais maduro, em vez de tratar o regresso como uma obrigação de recriar um êxito anterior.

Identidade coreana e público global

O relato governamental identifica outra discussão recorrente: a proporção de letras em coreano e em inglês. Em conjunto com o debate sobre Arirang, mostra que a identidade cultural foi negociada nos detalhes do disco, não apenas declarada através do título.

Os membros estavam a fazer música para um público internacional enquanto decidiam o que lhes parecia autêntico. Uma gravação histórica coreana, uma produção pop contemporânea e letras em diferentes línguas podiam coexistir, mas o documentário mostra que encontrar o equilíbrio certo exigiu conversas repetidas.

No filme, RM exprime diretamente a tarefa mais ampla. Enquanto líder dos BTS, descreve a procura da identidade musical do grupo após o período de afastamento.

«Estamos a tentar descobrir o que faz de nós os BTS», afirma RM.

O filme aborda também a chamada maldição dos sete anos da indústria, uma expressão que resume as dificuldades sentidas por alguns grupos de pop coreano para permanecerem unidos ao longo do tempo. Os BTS estrearam-se em 2013 e já tinham ultrapassado largamente esse período. O desafio imediato era mais específico: preservar o vínculo coletivo, permitindo ao mesmo tempo que sete artistas com experiências distintas mudassem.

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Como as câmaras entraram no processo criativo

Nguyen, cujo trabalho anterior inclui The Greatest Night in Pop, abordou o estúdio com um método observacional. Câmaras colocadas em tripés permitiram à equipa observar sem estar constantemente a circular pela sala. O objetivo era evitar interromper um fluxo criativo que podia ser frágil mesmo sem uma equipa de documentário presente.

O acesso estendeu-se para lá das sessões de gravação. Cha descreve as filmagens na casa partilhada, por vezes nos quartos durante os momentos de descanso, e as deslocações entre a casa e o estúdio. O documentário inclui também a reunião com Bang. Nguyen diz ter assistido a divergências musicais educadas, e não a conflitos graves entre os membros.

Os cineastas não podiam estar presentes a toda a hora. Por isso, Nguyen deu aos membros pequenas câmaras de filmar, para que pudessem filmar-se uns aos outros quando a equipa não estava presente. Essas imagens proporcionam uma perspetiva diferente da das filmagens profissionais no estúdio, com o ambiente de vídeos caseiros pessoais, em vez de uma observação contínua do exterior.

O método influencia aquilo que os espectadores veem. Uma divergência captada de um canto silencioso preserva as pausas e a incerteza de uma sessão de trabalho. Imagens filmadas pelos próprios membros podem mostrar interações que ocorrem sem uma equipa de filmagem na sala. Nenhuma das abordagens garante acesso total à vida privada, mas, em conjunto, alargam o retrato para lá das atuações polidas.

Fraternidade sem apagar as vidas individuais

Já de regresso a Seul, pediu-se a cada membro que escolhesse uma atividade significativa para um dia de filmagem individual. As cenas resultantes incluem Jimin a cozinhar em casa, Jin a jogar ténis e Jung Kook a passar tempo com o seu cão, Bam. Estes momentos distinguem os membros da imagem coletiva que domina uma atuação num estádio.

O segmento de V inclui um jantar com os seus amigos do Wooga Squad: os atores Woo Shik Choi, Seo Jun Park e Hyung Sik Park, e o músico e produtor Peakboy. O encontro mostra-o integrado em amizades fora dos BTS, em vez de apresentar a banda como o universo pessoal completo de cada membro.

Outras cenas são mais inquietantes. Jimin fala do isolamento associado à fama, enquanto Jung Kook expressa o desejo de, por vezes, poder ser simplesmente cantor. RM descreve a vida como membro dos BTS tanto como uma bênção como o peso de uma coroa demasiado pesada. Em conjunto, estas reflexões complicam a ideia de que o reconhecimento mundial elimina as incertezas pessoais.

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A casa partilhada oferece um contraponto a essa pressão. Quando a estadia em Los Angeles chega ao fim, os membros falam da falta que lhes fará e ponderam voltar a viver juntos. O apego é expresso através de rotinas comuns e da companhia uns dos outros, não apenas em declarações de lealdade. Nguyen diz que o filme se tornou uma história sobre fraternidade e sobre como responsabilidades que parecem esmagadoras quando enfrentadas individualmente podem ser suportadas em conjunto.

Um lançamento bem-sucedido não apaga as dúvidas

A reação do público deu ao regresso uma escala imediata. Segundo relatos, ARIRANG tornou-se o álbum com mais reproduções num só dia no Spotify nesse ano e bateu o recorde da plataforma para um álbum de pop coreano. Também foi noticiado que SWIM alcançou o primeiro lugar mundial no Spotify após o lançamento. Não são indicados números exatos de reproduções, pelo que estas afirmações não permitem determinar a dimensão da diferença entre os BTS e outros lançamentos.

Os 18,4 milhões de espectadores em todo o mundo atribuídos ao concerto da Netflix medem um tipo de alcance diferente das reproduções de um álbum. Esse número não deve ser entendido como uma contagem de compradores individuais de bilhetes nem comparado diretamente com o público de estádio imaginado por Bang. Ambos apontam para a escala, mas descrevem atividades diferentes.

Na conferência de imprensa de 20 de março, no Cinecube Gwanghwamun, em Seul, Nguyen descreveu o filme como mais do que um registo de trabalho artístico. A sua intervenção centrou-se nas responsabilidades dos BTS enquanto artistas coreanos e globais, e na capacidade dos membros para as enfrentar em conjunto. Kim Hyunjung, vice-presidente da Big Hit Music, explicou que um álbum com menos de uma hora assenta num processo muito mais longo, que envolve o trabalho de equipa de muitas pessoas.

Esse contraste é o contributo mais forte do documentário. O álbum finalizado, o concerto e a reação nas plataformas de streaming mostram aquilo que chegou ao público. O filme preserva o processo menos seguro que o produziu: um título proposto por uma diretora criativa, uma amostra histórica discutida com o presidente e um single principal escolhido apesar dos receios dos membros. Para além da estreia a 27 de março, estes relatos não estabelecem uma data concreta para o próximo lançamento nem um prazo para uma digressão.

Pontos principais

  • BTS: The Return estreou na Netflix a 27 de março, depois do lançamento de ARIRANG, a 20 de março.
  • O documentário de 91 minutos acompanha quase oito meses de gravações e preparação para o regresso em Los Angeles e Seul.
  • O conceito de ARIRANG inspira-se numa gravação de 1896 feita por sete coreanos em Washington.
  • Os membros debateram a amostra de Arirang em Body to Body, o equilíbrio entre letras em coreano e em inglês e o suave single principal SWIM.
  • Bao Nguyen combinou filmagens observacionais no estúdio com imagens gravadas pelos próprios membros.
  • O concerto de 21 de março na Praça Gwanghwamun chegou, segundo os relatos, a 18,4 milhões de espectadores em todo o mundo através da Netflix.
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