Bezzecchi lidera histórica dobradinha da Aprilia na Indonésia, enquanto Martin recupera a liderança do MotoGP

13 min de leitura
Bezzecchi leads historic Aprilia sweep in Indonesia as Martin regains MotoGP lead

Quatro Aprilia na frente, dois pontos no topo

Marco Bezzecchi venceu o Grande Prémio da Indonésia a 11 de outubro de 2026, levando a Aprilia à sua primeira ocupação dos quatro primeiros lugares no MotoGP, enquanto Jorge Martin recuperou a liderança do campeonato por apenas dois pontos. No Circuito Internacional de Mandalika, na ilha de Lombok, Bezzecchi terminou à frente de Raul Fernandez, Martin e Ai Ogura, depois de assumir a liderança na 19.ª volta da corrida, disputada ao longo de 27 voltas.

Índice
  1. Quatro Aprilia na frente, dois pontos no topo
  2. Bezzecchi espera antes de fazer a manobra decisiva
  3. Fernandez corre com dois dedos partidos
  4. Martin transforma um mau arranque na liderança do campeonato
  5. Ogura completa a varredura da Aprilia enquanto Marquez limita os danos
  6. Um fim de semana de reviravoltas em Mandalika
  7. Aprilia passa para a frente nas classificações de construtores e equipas
  8. Quedas e um motivo de abandono contestado
  9. Bezzecchi aproxima-se, mas a próxima prova é na Austrália
  10. Pontos principais

A classificação da corrida regista o tempo vencedor de Bezzecchi como 40 minutos e 46,582 segundos, com Fernandez a 4,260 segundos e Martin mais 2,630 segundos atrás. Marc Marquez, que assumira a liderança do campeonato ao vencer a sprint de sábado, terminou em sexto com a Ducati oficial, a 10,778 segundos de Bezzecchi.

Martin sai da Indonésia com 355 pontos, contra 353 de Marquez. Bezzecchi mantém-se em terceiro, com 309, a 46 pontos da liderança e com cinco fins de semana de corrida por disputar. A sua quinta vitória em Grandes Prémios da temporada foi também a 300.ª vitória de um piloto italiano na classe rainha.

O sucesso da Aprilia foi além do pódio. Os pilotos da equipa oficial, Bezzecchi e Martin, terminaram em primeiro e terceiro, enquanto os pilotos da Trackhouse, Fernandez e Ogura, ficaram em segundo e quarto. Esta distribuição tornou o resultado um sucesso para as duas equipas Aprilia, em vez de uma vitória limitada à estrutura oficial.

O desfecho do campeonato foi menos decisivo do que a ordem de chegada poderia sugerir. Martin recuperou a liderança que perdera no sábado, mas a vantagem sobre Marquez voltou a ser exatamente de dois pontos, a mesma que os separava antes do fim de semana. Bezzecchi ganhou terreno no domingo, mas o abandono na sprint limitou o benefício da vitória.

Publicidade

Bezzecchi espera antes de fazer a manobra decisiva

Fernandez partiu da sua primeira pole position no MotoGP, com Bezzecchi ao seu lado. A disputa inicial entre ambos na Curva 1 terminou sem o choque que os eliminara da sprint. Bezzecchi chegou primeiro à curva, mas alargou a trajetória, permitindo a Fernandez recuperar a liderança.

As duas Aprilia distanciaram-se dos pilotos que as perseguiam. Fernandez chegou a abrir uma vantagem próxima de um segundo, mas Bezzecchi reduziu-a para cerca de meio segundo até à nona volta. Os dois trocaram voltas rápidas, enquanto o piloto da equipa oficial mantinha a pressão sem forçar uma ultrapassagem prematura.

O relato oficial da corrida do MotoGP regista uma volta de Bezzecchi em 1:29.991 durante a perseguição. Situa a ultrapassagem decisiva na Curva 1, na 19.ª volta, deixando nove voltas, incluindo essa, até ao final. Fernandez alargou depois a trajetória na mesma curva, ajudando Bezzecchi a abrir de imediato uma vantagem de cerca de 1,4 segundos.

Os relatos divergem em alguns detalhes. Um deles situa a ultrapassagem na 17.ª volta, e não na 19.ª. O relato oficial refere também uma vantagem de 3,3 segundos à entrada para a última volta, enquanto as classificações publicadas da corrida indicam uma diferença final de 4,260 segundos. A classificação fornece a medida mais precisa da distância na linha de meta.

Bezzecchi, piloto da Aprilia Racing cuja vitória anterior num Grande Prémio fora em Mugello, em maio, saudou o regresso ao lugar mais alto do pódio e atribuiu o resultado ao trabalho da equipa durante um período difícil.

Estou muito feliz por voltar ao lugar mais alto do pódio.

Foi uma bela batalha com o Raul. Acho que eu e a minha equipa merecemos um resultado como este, sobretudo porque nunca deixam de trabalhar. Passaram por momentos difíceis comigo.

Fernandez corre com dois dedos partidos

O segundo lugar de Fernandez surgiu depois de uma queda na sprint de sábado lhe ter provocado fraturas em dois dedos. Os primeiros relatos referiam a fratura de um único dedo indicador, mas o piloto da Trackhouse disse mais tarde que descobrira uma segunda lesão na manhã de domingo.

Os relatos descrevem de forma diferente qual foi a mão afetada, pelo que não é possível afirmar esse detalhe com segurança. O essencial é consistente: a lesão afetou o dedo que Fernandez usava normalmente para acionar o travão, obrigando-o a mudar de técnica antes do Grande Prémio.

Fernandez explicou como tentou manter a concentração na corrida apesar da fratura adicional.

Esta manhã, quando acordei, percebi que tinha não um, mas dois dedos partidos. Ninguém sabia. Tentei não dizer nada, aguentar a dor em silêncio e manter-me concentrado na corrida.

A Trackhouse ajustou a posição da mão e do travão para lhe permitir pilotar. Fernandez testou as alterações durante o aquecimento da manhã, mas a técnica diferente fez com que os seus pontos de referência habituais para travar e curvar deixassem de funcionar da mesma maneira.

Liderou as primeiras 18 voltas antes de Bezzecchi o ultrapassar. O seu relato também mostra por que razão a perda da liderança não deve ser atribuída apenas à lesão: Fernandez disse que danificara o pneu traseiro ao forçar o ritmo na frente. A dor e a perda de aderência dificultaram ambas a fase final da corrida, embora tenha mantido o segundo lugar à frente de Martin.

Ao descrever o esforço físico depois da corrida, Fernandez disse que a dor se tornara intensa por volta de metade da prova.

Depois de 13 ou 14 voltas, estava quase destruído. Sentia muitas dores, porque era muito difícil manter a concentração no guiador e não cometer um erro.

Publicidade

Martin transforma um mau arranque na liderança do campeonato

Martin partiu em quinto, mas caiu para sexto no arranque, ficando atrás de pilotos que precisava de ultrapassar antes de chegar a Marquez. Passou Fabio Di Giannantonio e ganhou mais uma posição quando Fermin Aldeguer caiu; depois ultrapassou o rival na luta pelo campeonato para garantir o terceiro lugar.

Os relatos situam essa ultrapassagem na segunda ou na terceira volta. O relato oficial do MotoGP descreve a manobra na Curva 10, pouco depois da queda de Aldeguer na segunda volta, enquanto vários relatos a situam na terceira. Todos concordam que Martin passou Marquez logo no início, e não devido a um abandono ou penalização tardios.

Nessa altura, Fernandez e Bezzecchi já tinham aberto uma vantagem. Martin não conseguiu acompanhar o ritmo dos dois, mas o terceiro lugar valeu-lhe 16 pontos, contra os dez que Marquez somou ao terminar em sexto. Essa diferença de seis pontos anulou a vantagem de quatro pontos do piloto da Ducati após a sprint.

Martin, piloto da Aprilia Racing que voltou agora ao topo da classificação, disse que o desgaste dos pneus e a sua condição física tornaram exigente a fase final.

Nas últimas voltas, estava a ter dificuldades com os pneus e com a condição física, mas consegui terminar no pódio, por isso estou muito feliz.

Apesar de ter recuperado o primeiro lugar, manteve uma avaliação ponderada do campeonato.

Continuamos na luta. Continuamos na liderança. Vai ser um campeonato difícil, mas darei tudo.

Ogura completa a varredura da Aprilia enquanto Marquez limita os danos

A recuperação de Ogura, de sétimo na grelha para quarto, transformou a ocupação do pódio pela Aprilia num resultado sem precedentes para o fabricante. O piloto da Trackhouse apanhou a disputa entre Marquez e Pedro Acosta, da KTM, e ultrapassou Marquez na Curva 16, na 21.ª volta, segundo o relato da corrida do MotoGP.

A luta com Acosta prolongou-se pelas últimas voltas. Acosta respondeu a uma ultrapassagem de Ogura na Curva 13, mas Ogura recuperou a posição na Curva 16 e acabou por terminar apenas 0,114 segundos à frente. Os tempos de corrida foram, respetivamente, 40:55.960 e 40:56.074.

Acosta e Marquez trocaram repetidamente de posição mais cedo na corrida. Os relatos referem que preocupações com a pressão mínima dos pneus influenciaram as táticas, embora o relato oficial da corrida trate essas preocupações como uma interpretação das imagens televisivas, e não como uma conclusão técnica confirmada.

O MotoGP exige que os pneus se mantenham dentro dos limites de pressão regulamentares. Seguir outra moto pode afetar a temperatura e a pressão dos pneus, pelo que, por vezes, um piloto pode preferir seguir atrás de um rival em vez de o ultrapassar de imediato. Os relatos da corrida não indicam qualquer penalização por pressão dos pneus no domingo.

Marquez terminou a 1,286 segundos de Acosta. O sexto lugar foi a sua primeira corrida de Grande Prémio concluída em Mandalika e, embora lhe tenha custado a liderança conquistada no sábado, deixou a Indonésia sem estar mais longe de Martin do que quando lá chegou. O quarto lugar de Ogura também o levou aos 259 pontos no campeonato, mais um do que Acosta, com 258.

Publicidade

Um fim de semana de reviravoltas em Mandalika

O resultado de domingo da Aprilia surgiu depois de uma sprint em que dois dos seus pilotos mais rápidos foram eliminados logo no início. O relato oficial da sprint do MotoGP descreve um incidente na congestionada Curva 1, envolvendo Fernandez, Bezzecchi, Marquez e Di Giannantonio.

Segundo o relato oficial, Di Giannantonio endireitou a moto, levando Marquez a fazer o mesmo; Bezzecchi ficou sem espaço e as corridas de Bezzecchi e Fernandez terminaram. Esta descrição é importante porque a queda foi mais complexa do que uma simples colisão entre os dois pilotos da Aprilia.

Martin saiu da primeira curva na liderança e abriu uma vantagem superior a um segundo. A quatro voltas do fim, perdeu mais de dois segundos e Marquez passou para a frente. Martin saiu depois de pista na Curva 15, ao tentar recuperar, caiu para fora dos lugares do pódio e terminou em quarto.

A sequência do fim de semana foi a seguinte:

  • Treinos de sexta-feira: Fernandez bateu o recorde do circuito, com Bezzecchi e Martin a completarem um trio da Aprilia nos três primeiros lugares.
  • Sábado, 10 de outubro: Fernandez conquistou a pole, mas caiu com Bezzecchi na sprint. Marquez venceu à frente de Ogura e Di Giannantonio, assumindo uma vantagem de quatro pontos no campeonato.
  • Domingo, 11 de outubro: Bezzecchi ultrapassou Fernandez na 19.ª volta e liderou a primeira ocupação dos quatro primeiros lugares pela Aprilia. Martin recuperou a liderança do campeonato.
  • De 23 a 25 de outubro: O fim de semana do Grande Prémio da Austrália está marcado para Phillip Island.

Aprilia passa para a frente nas classificações de construtores e equipas

O resultado na Indonésia alterou mais do que a classificação dos pilotos. A Aprilia chegou aos 503 pontos no Campeonato de Construtores, passando a ter 12 de vantagem sobre a Ducati, com 491. Seguiam-se a KTM, com 311, a Honda, com 165, e a Yamaha, com 97.

O cálculo do campeonato de construtores é diferente do da competição por equipas. Em cada corrida, apenas o piloto que soma mais pontos por cada fabricante contribui para o total de construtores. Assim, Bezzecchi deu à Aprilia os seus 25 pontos de domingo, enquanto Marquez somou os dez da Ducati. Esta diferença de 15 pontos inverteu a vantagem de três pontos da Ducati após a sprint.

No Campeonato de Equipas, contam os resultados dos dois pilotos. Os 25 pontos de Bezzecchi e os 16 de Martin deram à Aprilia Racing 41 pontos no domingo. Os 20 de Fernandez e os 13 de Ogura acrescentaram 33 à Trackhouse. Juntas, as duas equipas Aprilia somaram 74 pontos no Grande Prémio.

A Aprilia Racing chegou aos 664 pontos, com 145 de vantagem sobre a Ducati Lenovo, que tinha 519. A Trackhouse ocupava o terceiro lugar, com 495, apenas 24 atrás da equipa oficial da Ducati. Estes números mostram como o resultado beneficiou as duas estruturas da Aprilia, embora apenas os pontos do vencedor contem para o título de construtores.

Publicidade

Quedas e um motivo de abandono contestado

Depois dos seis primeiros, Alex Marquez terminou em sétimo, Di Giannantonio em oitavo, Fabio Quartararo em nono e Enea Bastianini em décimo. Quartararo ficou apenas a 0,159 segundos de Di Giannantonio na meta.

Brad Binder terminou em 11.º, seguido de Luca Marini, Johann Zarco, Franco Morbidelli e Alex Rins nos restantes lugares pontuáveis. Zarco recuperou do 20.º lugar da grelha para terminar em 13.º. A classificação da corrida coloca Binder em 11.º, embora o relato do MotoGP o indique em 12.º e omita Marini da lista final.

Aldeguer, Jack Miller e Francesco Bagnaia caíram e abandonaram. Os relatos divergem sobre se Aldeguer caiu na Curva 16, na segunda ou na terceira volta. Vários situam a queda de Miller na Curva 2, na sexta volta, e a de Bagnaia na Curva 17, na sétima, embora os números de voltas completadas numa das classificações não coincidam com essas descrições.

Toprak Razgatlioglu também abandonou, mas o motivo é contestado. Um relato atribui a desistência a dores provocadas por uma luxação no ombro; outro refere um problema mecânico. O abandono está confirmado, mas nenhuma das explicações deve ser considerada definitiva sem mais esclarecimentos.

Bezzecchi aproxima-se, mas a próxima prova é na Austrália

A vitória de Bezzecchi reduziu em nove pontos a diferença para Martin no domingo, a diferença entre o primeiro e o terceiro lugares. No entanto, o abandono de sábado significou que não somou qualquer ponto, enquanto Martin acrescentou pontos da sprint. A vitória no Grande Prémio não apagou essa oportunidade perdida.

Bezzecchi reconheceu essa diferença ao falar do fim de semana e da avaliação de Massimo Rivola, diretor da equipa Aprilia.

Como disse o Massimo [Rivola], é mais uma perda do que uma vitória. Mas, no final, ainda estamos um pouco na luta.

A classificação mantém-no na luta, mas as diferenças são distintas: Martin lidera Marquez por dois pontos, enquanto Bezzecchi está a 46 de Martin. Restam cinco fins de semana de corrida previstos, pelo que a consistência tanto nas sprints como nos Grandes Prémios será essencial para tentar alcançar os dois primeiros.

A próxima prova está marcada para Phillip Island, com o Grande Prémio da Austrália a realizar-se a 25 de outubro. Um relato levantou a possibilidade de cancelamento da ronda do Qatar devido à guerra na Ásia Ocidental, mas não há aqui qualquer decisão oficial de cancelamento nem um calendário revisto. Por isso, os cálculos do campeonato continuam a basear-se em cinco fins de semana por disputar.

A Indonésia deixa a Aprilia com um resultado histórico e na liderança das três competições de campeonato aqui referidas. Já o título de pilotos continua muito mais em aberto: Martin e Marquez estão separados por apenas dois pontos, enquanto Bezzecchi precisa de continuar a ganhar terreno depois de regressar às vitórias.

Pontos principais

  • Bezzecchi venceu o Grande Prémio da Indonésia, disputado ao longo de 27 voltas, conquistando a sua quinta vitória da temporada e a 300.ª vitória italiana na classe rainha.
  • Fernandez terminou em segundo apesar de ter dois dedos fraturados, à frente de Martin e Ogura, na primeira ocupação dos quatro primeiros lugares do MotoGP pela Aprilia.
  • A classificação da corrida indica uma margem de vitória de 4,260 segundos.
  • Martin lidera com 355 pontos, Marquez tem 353 e Bezzecchi, 309.
  • A Aprilia lidera a Ducati por 12 pontos no Campeonato de Construtores.
  • Os relatos divergem sobre vários detalhes das voltas e o motivo do abandono de Razgatlioglu.
  • O Grande Prémio da Austrália está marcado para 25 de outubro, em Phillip Island.
Partilhar este artigo

Também pode gostar