Líder étnico de Mianmar acusa o mundo de ignorar a mortífera guerra aérea da junta enquanto os civis suportam o peso

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Líder étnico de Mianmar acusa o mundo de ignorar a mortífera guerra aérea da junta enquanto os civis suportam o peso

Um grito das montanhas: líder shan quebra o silêncio

Do seu quartel-general isolado no topo da montanha de Loi Tai Leng, encravado entre colinas cobertas de floresta na fronteira tailandesa, o general Yawd Serk enviou uma mensagem dura à comunidade internacional. O presidente do Conselho de Restauração do Estado Shan (RCSS), um dos exércitos étnicos mais influentes de Mianmar, acusou os líderes mundiais de fazerem vista grossa enquanto a junta militar no poder intensifica uma campanha de ataques aéreos mortais contra populações civis. A Reuters foi o único meio de comunicação internacional presente no primeiro encontro do líder com a imprensa em anos, uma conferência realizada apenas dias depois de os militares consolidarem o seu domínio do poder através de eleições amplamente criticadas e realizadas em áreas limitadas da nação devastada pelo conflito.

Índice
  1. Um grito das montanhas: líder shan quebra o silêncio
  2. A anatomia de uma guerra aérea
  3. A sombra da China sobre o Estado Shan
  4. A engenharia eleitoral de Pequim
  5. O pacificador relutante: a RCSS e o cessar-fogo
  6. Um panorama fragmentado: alianças e traições
  7. A procura de responsabilização
  8. O essencial

«Os civis estão a sofrer e quero que a comunidade internacional não ignore isso», afirmou enfaticamente o general Yawd Serk, com palavras que carregam o peso de um conflito que envolveu Mianmar desde o golpe de Estado de fevereiro de 2021, que derrubou o governo democraticamente eleito da laureada com o Nobel da Paz Aung San Suu Kyi. Os dados que sustentam a sua acusação são sombrios. Segundo o Myanmar Peace Monitor, os ataques aéreos atingiram mais de 1.000 locais civis ao longo de 15 meses de conflito intensificado. Só desde o final de 2024, estes ataques mataram pelo menos 1.728 civis, de acordo com documentação do Ministério dos Direitos Humanos do Governo de Unidade Nacional.

O momento da intervenção do general Yawd Serk sublinha a conjuntura crítica em que Mianmar se encontra. O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), apoiado pelos militares, reivindicou a vitória em janeiro após eleições realizadas por fases ao longo do final de 2025 e do início de 2026, garantindo 739 dos 1.025 assentos disputados. As Nações Unidas e grupos internacionais de direitos humanos denunciaram as eleições como uma encenação destinada a consolidar o poder militar por trás de uma fachada civil, prevendo-se que o general sénior Min Aung Hlaing assuma a presidência. Contudo, mesmo enquanto a junta encena estas manobras políticas, os seus aviões continuam a fazer chover destruição sobre aldeias, escolas, edifícios religiosos e campos de deslocados.

«Hoje em dia, nem sequer conseguimos pensar em quem podemos confiar», acrescentou o general Yawd Serk, captando o sentimento de abandono sentido por muitos nas regiões fronteiriças de Mianmar. O seu RCSS controla território estratégico entre a China e a Tailândia, colocando as suas forças no centro de uma luta geopolítica que se estende muito para além do campo de batalha.

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A anatomia de uma guerra aérea

A dependência da junta militar do poder aéreo representa tanto uma mudança tática como uma admissão de falhas na guerra terrestre. À medida que as forças pró-democracia e as organizações armadas étnicas ganharam território em vastas áreas de Mianmar, o Tatmadaw (exército de Mianmar) recorreu cada vez mais a aviões de combate, helicópteros de combate e até aviões de transporte adaptados para projetar força. A junta sustenta que está a visar terroristas, mas os locais atingidos sugerem um padrão diferente. Em 8 de fevereiro, aviões da junta bombardearam uma igreja batista na aldeia de Chinpiang, município de Matupi, enquanto os fiéis se reuniam para os serviços dominicais, matando pelo menos três civis, incluindo uma criança, e ferindo outros. No mesmo dia, ataques danificaram um Salão do Dhamma budista na vila de Mindat e destruíram áreas residenciais em Kanpetlet.

Mais cedo, em 8 de outubro de 2025, um ataque aéreo visou um mosteiro que abrigava civis deslocados na aldeia de Makyikone, município de Natogyi, matando Daw Kyin, de 45 anos, e ferindo pelo menos dez outras pessoas, incluindo crianças. O mosteiro tinha servido de refúgio para aldeões que fugiam de colunas militares que avançavam pelo centro de Mianmar. Estes incidentes não são aberrações isoladas, mas parte de uma campanha sistemática. Mesmo durante uma trégua declarada por causa do terramoto entre 28 de março e 9 de maio de 2025, o regime conduziu 372 ataques aéreos em 13 dos 15 Estados e regiões de Mianmar, matando 334 pessoas e ferindo 552 outras, segundo o Governo de Unidade Nacional.

A sustentabilidade desta campanha aérea depende de cadeias de abastecimento estrangeiras. A Organização de Direitos Humanos Chin (CHRO) identificou carregamentos de combustível de aviação iraniano como diretamente facilitadores destes ataques contra comunidades religiosas, apelando a sanções internacionais sobre as cadeias de abastecimento de combustível de aviação. Este apoio externo permite à junta manter o ritmo operacional apesar das perdas crescentes no terreno. Analistas militares sugerem que o bombardeamento de antigas bases perdidas para forças de resistência, como o Comando de Operações Estratégicas 15 no município de Buthidaung ou várias instalações no Estado de Arakan, reflete desespero estratégico e não um planeamento militar coerente. Como observou um analista militar de Arakan, «Se não se pode ficar com a carne, espalha-se areia por cima.»

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A sombra da China sobre o Estado Shan

Neste cenário de paralisia internacional, o general Yawd Serk identificou um único ator externo a moldar ativamente o destino de Mianmar. «Há um país que intervém em Mianmar, é a China e apenas a China», disse à Reuters, recusando elaborar mais, mas destacando o papel de Pequim como principal intermediário de poder no conflito. O Ministério dos Negócios Estrangeiros da China respondeu afirmando que há muito «desempenha um papel construtivo no processo de paz e reconciliação interna», apoiando as partes no reforço do diálogo. Contudo, a realidade no terreno sugere que a intervenção de Pequim serve interesses estratégicos específicos e não uma pacificação neutra.

Os interesses económicos da China em Mianmar são substanciais e concentram-se no Estado Shan e nas regiões vizinhas. O Corredor Económico China-Mianmar, parte da Iniciativa Faixa e Rota, liga a província de Yunnan ao Sudeste Asiático e ao oceano Índico através de oleodutos, estradas e projetos hidroelétricos, incluindo as centrais de Upper Yeywa e Shweli-3. A Zona Económica Especial de Kyaukphyu e o porto de águas profundas no Estado de Rakhine proporcionam a Pequim acesso direto ao oceano Índico, reduzindo a dependência do estreito de Malaca. Para proteger estes investimentos, Pequim passou de apoiar inicialmente certas organizações armadas étnicas a pressioná-las para interromperem ofensivas que ameaçavam a sobrevivência da junta.

Esta pressão revelou-se decisiva. Durante a Operação 1027, no final de 2023 e em 2024, a Aliança da Fraternidade de exércitos étnicos, incluindo o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar (MNDAA), o Exército de Libertação Nacional Ta'ang (TNLA) e o Exército de Arakan (AA), tomou a maior parte do norte do Estado Shan, incluindo a capital Lashio, e avançou até 22 quilómetros da cidade de Mandalay. Famílias de militares fugiram da cidade-guarnição de Pyin Oo Lwin, quando as forças de resistência pareciam prestes a capturar a segunda maior cidade de Mianmar. No entanto, Pequim fechou as portas fronteiriças, cortando o fornecimento de alimentos e medicamentos aos exércitos étnicos e impedindo a aquisição de armas. O Exército Unido do Estado Wa (UWSA), o grupo armado étnico mais poderoso de Mianmar, enfrentou apreensões de bens e encerramentos de fronteiras até concordar em suspender a assistência militar à MNDAA e à TNLA.

Em agosto de 2025, o vice-presidente da UWSA, Shao Guoan, terá dito a grupos aliados que a pressão chinesa criou «a pior crise de sobrevivência nos nossos 40 anos de história». Perante este cerco, a MNDAA foi forçada a devolver Lashio ao regime em abril de 2025, após conversações de paz controladas pela China em Kunming, embora tenha mantido o controlo das zonas rurais. A TNLA entregou subsequentemente Mogoke e Mongmit durante as negociações de outubro de 2025, permitindo que as forças do regime avançassem sobre território controlado pela resistência no norte de Mandalay e cortassem linhas de abastecimento aos grupos da Força de Defesa do Povo (PDF). Esta intervenção chinesa inverteu efetivamente ganhos significativos da resistência, demonstrando como as prioridades económicas de Pequim se traduzem em resultados militares diretos.

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A engenharia eleitoral de Pequim

O papel da China vai além da mediação no campo de batalha e chega à engenharia política. Em julho de 2024, o Partido Comunista Chinês convidou líderes de quatro partidos políticos específicos de Mianmar a Pequim: o USDP, o Partido do Povo, o Partido da Frente de Arakan (AFP) e o Partido Democrático Shan e das Etnias (SEDP). Notavelmente ausentes estavam a Liga Nacional para a Democracia (dissolvida pela junta) e o Governo de Unidade Nacional no exílio, que representa a administração democrática deposta. Os quatro partidos convidados estão registados no Conselho de Administração do Estado (CAE) da junta e mantêm graus variáveis de cooperação com os militares.

Este envolvimento seletivo reflete a preferência de Pequim pela estabilidade sob governação militar ou influenciada pelos militares, em vez de transições democráticas que possam introduzir incerteza. O SEDP representa interesses shan e envolve-se pragmaticamente com o regime para avançar objetivos regionais, enquanto o AFP, no Estado de Rakhine, mostrou vontade de trabalhar com o CAE para negociar maior autonomia. Ao apoiar estes partidos, a China tenta garantir que as suas regiões fronteiriças permaneçam seguras para o comércio e a extração de recursos, ao mesmo tempo que impede o surgimento de estruturas de governação que possam desafiar os seus interesses económicos. A abordagem criou o que o International Crisis Group descreve como um «panorama fragmentado» que arrisca aprofundar ressentimentos enquanto estabiliza a junta o suficiente para proteger as infraestruturas chinesas.

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O pacificador relutante: a RCSS e o cessar-fogo

A posição do general Yawd Serk nesta complexa teia escapa a uma categorização simples. Ao contrário de muitas organizações armadas étnicas que pegaram em armas contra a junta desde o golpe de 2021, a RCSS mantém a sua adesão ao Acordo de Cessar-Fogo Nacional (NCA), assinado em outubro de 2015, mesmo quando condena veementemente a conduta dos militares. Esta postura reflete tanto cálculo estratégico como experiência histórica. Yawd Serk surgiu pela primeira vez como comandante militar no Exército Mong Tai (MTA), sob as ordens do lendário empresário de narcóticos general Khun Sa, que declarou a independência shan em 1993 antes de se render em 1996. Quando Khun Sa entregou milhares de tropas e armas, Yawd Serk recusou render-se, reorganizando-se como o Exército do Estado Shan-Sul e estabelecendo a RCSS como o seu braço político em 2000.

A relação entre Yawd Serk e Min Aung Hlaing tem sido marcada por décadas de antipatia mútua mascarada por contactos diplomáticos periódicos. Reuniões de alto nível entre os dois líderes incluíram historicamente apertos de mão e sorrisos largos que desmentiam o que observadores descrevem como uma «antipatia visceral» entre os homens fortes. Após o golpe de 2021, a RCSS condenou inicialmente a tomada do poder, mas adotou rapidamente uma posição ambivalente, continuando as conversações de paz enquanto outros signatários abandonavam o NCA. Seis dos dez signatários originais do NCA retomaram desde então a resistência armada contra a junta, incluindo a União Nacional Karen, a Frente Nacional Chin e a Frente Democrática dos Estudantes de Toda a Birmânia.

Falando no desfile militar de 7 de fevereiro que assinalou o Dia Nacional Shan, com a presença de aproximadamente 7.000 pessoas, incluindo representantes de grupos rivais, o general Yawd Serk fez uma crítica incisiva à liderança de Mianmar. Atribuiu a turbulência do país a uma «liderança movida por ego excessivo, orgulho e ganância — colocando a vontade de um indivíduo acima dos desejos do público». Embora tenha elogiado a administração deposta de Aung San Suu Kyi, apelou à construção de confiança entre o conjunto de fações armadas de Mianmar e propôs a criação de um Exército Federal para garantir a segurança nacional, uma exigência central das forças que se opõem aos militares. Sublinhou a importância do Acordo de Panglong de 1947, que estabeleceu a União de Mianmar como um sistema federal com disposições administrativas distintas para os Estados étnicos, argumentando que os líderes nacionais perderam o contacto com o «Caminho do Meio», ou moderação, necessário à unidade.

Min Aung Hlaing respondeu com uma declaração a instar grupos étnicos e «terroristas» a abandonarem a luta armada e a aderirem às conversações de paz, uma mensagem que Yawd Serk desvalorizou como um velho refrão que «ninguém aceitou». Ainda assim, o líder da RCSS indicou a sua preferência por soluções políticas em vez de um regresso aos combates, afirmando que o seu exército julgará o novo governo pelos atos e não pelas palavras. Este delicado equilíbrio, manter um cessar-fogo enquanto critica a brutalidade do regime, reflete a vulnerabilidade estratégica da RCSS. Depois de ter sido empurrada para fora de territórios do norte do Estado Shan por forças rivais apoiadas pela China, a RCSS enfrenta agora a pressão da UWSA, cujas divisões do sul ameaçam Loi Tai Leng e as posições fronteiriças da RCSS.

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Um panorama fragmentado: alianças e traições

O fracasso do Acordo de Cessar-Fogo Nacional em trazer a paz tornou-se evidente quando Mianmar assinala o décimo aniversário da trégua. O que se pretendia que fosse um quadro para pôr fim a décadas de conflito étnico degenerou num mecanismo de gestão das hostilidades enquanto os militares mantêm a autoridade final. O colapso do acordo acelerou após o golpe de 2021 ter anulado os seus fundamentos políticos. Seis signatários saíram formalmente, citando o «total desrespeito» da junta pelos princípios do NCA e o seu uso continuado da força contra civis. Apenas a RCSS, o Exército Democrático Benevolente Karen, o Conselho de Paz da União Nacional Karen/Exército de Libertação Nacional Karen e o Partido de Libertação de Arakan mantêm termos pacíficos com o regime, e só a RCSS possui capacidade militar substancial entre estes.

O contexto do Estado Shan ilustra a complexidade das alianças pós-golpe. Embora vários grupos shan tenham concordado em princípio sobre o quadro para um futuro Estado federal, persistem profundas divisões. O Partido do Progresso do Estado Shan/Exército do Estado Shan-Norte (SSPP/SSA-Norte), que nunca assinou o NCA, mantém uma relação tensa com a RCSS, apesar de ambos defenderem interesses shan. A expansão da RCSS para territórios do norte do Estado Shan após 2015, frequentemente com aprovação militar tácita, criou ressentimento duradouro entre comunidades ta'ang e outras não shan, levando a confrontos rotineiros e tensões intercomunitárias. O apelo de Yawd Serk à unidade shan na reunião de 7 de fevereiro, com a presença de rivais de longa data, representa um reconhecimento de que o golpe remodelou o equilíbrio de poder de formas que ameaçam todas as fações shan.

A União Nacional Karen (KNU), um dos grupos mais poderosos a combater a junta, enviou uma carta à cerimónia do Dia Nacional Shan em vez de comparecer pessoalmente. O porta-voz da KNU, Saw Taw Nee, descreveu o momento como «crucial para construirmos unidade», afirmando: «Estamos orgulhosos de que os nossos irmãos shan estejam a tentar abrir caminho.» Este sentimento reflete um reconhecimento mais amplo entre organizações armadas étnicas de que uma resistência fragmentada serve a estratégia de dividir para reinar da junta, mas a suspeita nascida de décadas de reivindicações territoriais concorrentes e alianças cambiantes impede uma cooperação significativa. A expansão da UWSA por todo o leste do Estado Shan, movendo forças para sul em direção às posições da RCSS, acrescenta outra camada de complexidade, levantando questões sobre se os Wa poderão eventualmente forçar Yawd Serk a uma posição semelhante à que o seu antigo comandante Khun Sa enfrentou em 1996.

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A procura de responsabilização

À medida que a guerra aérea se intensifica e as baixas civis aumentam, os esforços para responsabilizar a junta através de mecanismos jurídicos internacionais enfrentaram obstáculos significativos. O Tribunal Penal Internacional (TPI) e o Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) mantêm ambos investigações sobre crimes contra os rohingya, mas estas abrangem incidentes anteriores ao golpe de 2021. O procurador-chefe do TPI, Karim Khan, pediu um mandado de detenção para Min Aung Hlaing em novembro de 2024, mas mais de um ano depois não foi emitida qualquer decisão, destacando os atrasos processuais do tribunal e as suas capacidades limitadas de aplicação.

Neste vazio, nações mais pequenas começaram a exercer jurisdição universal para procurar justiça. Timor-Leste, que aderiu à ASEAN apenas quatro meses antes, nomeou um procurador em fevereiro de 2026 para examinar a responsabilidade dos militares de Mianmar por crimes de guerra e crimes contra a humanidade, marcando a primeira vez que um Estado da ASEAN tomou tal medida contra um membro. A queixa, apresentada pela Organização de Direitos Humanos Chin, baseia-se no princípio de que os tribunais nacionais podem julgar casos que alegam crimes internacionais, independentemente do local onde ocorreram. Esforços semelhantes foram tentados na Argentina, na Turquia e na Alemanha, embora subsistam desafios quanto a detenções, imunidade diplomática e dificuldades práticas de recolha de provas e testemunhas no estrangeiro.

O desespero do general Yawd Serk quanto à fiabilidade internacional ecoa por todas as zonas de conflito de Mianmar. Com as potências ocidentais a manterem uma pressão sobretudo diplomática e baseada em sanções, a ASEAN paralisada pelos seus princípios de não interferência e os países vizinhos a darem prioridade à estabilidade fronteiriça em vez de resultados democráticos, o ónus da resistência recai pesadamente sobre forças internas. A recente criação pela junta de um Conselho Consultivo da União, concebido para supervisionar tanto administrações militares como civis com poderes «excecionalmente amplos», sugere que Min Aung Hlaing tenciona manter o controlo independentemente dos resultados eleitorais. Para os civis que se abrigam em mosteiros que se tornam alvos, ou as famílias deslocadas que fogem de aldeia em aldeia, a distância entre a condenação internacional e a proteção real continua dolorosamente ampla.

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O essencial

  • O general Yawd Serk, líder do Conselho de Restauração do Estado Shan, acusou os líderes mundiais de ignorarem os ataques aéreos mortais da junta de Mianmar, que mataram pelo menos 1.728 civis desde o final de 2024.
  • Dados do Myanmar Peace Monitor indicam que mais de 1.000 locais civis foram atingidos em 15 meses, incluindo edifícios religiosos, escolas e campos de deslocados.
  • A China é o principal ator externo a intervir no conflito, pressionando grupos armados étnicos para interromperem ofensivas e estabilizando a junta para proteger investimentos em infraestruturas da Faixa e Rota.
  • Cessar-fogos mediados por Pequim forçaram a MNDAA e a TNLA a devolver territórios estratégicos, incluindo Lashio, Mogoke e Mongmit, invertendo ganhos da resistência e permitindo contraofensivas da junta.
  • O USDP, apoiado pelos militares, reivindicou vitória nas eleições de janeiro amplamente criticadas, concebidas para consolidar o domínio militar, prevendo-se que o general sénior Min Aung Hlaing se torne presidente.
  • Yawd Serk mantém o Acordo de Cessar-Fogo Nacional da RCSS com a junta enquanto critica a liderança de Min Aung Hlaing como movida por «ego, orgulho e ganância», apelando a um Exército Federal e a um diálogo político renovado.
  • Timor-Leste iniciou o primeiro caso de jurisdição universal de um Estado da ASEAN contra líderes militares de Mianmar por crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
  • Importações de combustível de aviação iraniano foram identificadas como facilitadoras da campanha aérea sustentada da junta, apesar das sanções internacionais.
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